Na noite do dia de 25 de janeiro, feriado em São Paulo, assisti no Sesc Santana a peça de teatro: Furacão, de Laurent Gaudé, Amok Teatro. Foi uma grande e bela surpresa.
Um texto muito bom, que relata a história de uma mulher negra, idosa centenária, que enfrenta sozinha a fúria do Katrina, furacão que devastou o sul do Estados Unidos.
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Um depoimento sobre o abandono, o desprezo, a indiferença com que são tratadas as vítimas de desastres climáticos. Uma peça com temas atualíssimos, que nos leva a nos identificar com as pessoas que ocupam o noticiário depois de um evento trágico provocado pela crise climática, mas trata, sobretudo, de racismo ambiental, de como eventos extremos impactam as populações mais desamparadas.
Sirlea Aleixo interpreta a mulher negra de 100 anos, Joséphine Linc Steelson. Uma representação que nos prende desde o início com uma força magnética que nos emociona em todos os instantes em que está em cena. Sirlea Aleixo marca a dramaturgia paulista com sua bela e destacada presença no palco do Sesc Santana. Ela é brilhante. Alguns segundos são suficientes para testemunharmos a existência de uma grande atriz.
Há que se registrar a criação e produção musical de Rudá Brauns e Aderson Ribeiro, a qual é um espetáculo à parte pela delicadeza e bom gosto na seleção de jazz e blues. Com uma cantora e atriz: Taty Aleixo, que nos alegra e toca no coração desde da abertura até bela interpretação de canção clássica Strange Fruit. Que belo trabalho!
As músicas, o texto e a interpretação de Sirlea formam um conjunto que impressiona pela forma harmônica com que passam a história de resiliência de uma mulher negra centenária, parecida com nossas avós e tias.
Eu assisti, e como de hábito quando gosto de uma peça de teatro volto muitas vezes e fico na primeira fila para puxar as palmas. Se você for, é possível que me encontre no teatro.
Adorei o que vi e vou levar muitos amigos. É uma grande página da dramaturgia negra em São Paulo, vale a pena prestigiar!