Evento acontece de 22 a 26 de julho, em Paraty, com o lançamento de obras que abordam ancestralidade, culturas periféricas, exclusão social, espiritualidade, memória e pertencimento
A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty abre espaço para descobrir novos livros, editoras independentes e autores que ainda não são amplamente conhecidos pelo público.
Notícias Relacionadas

Entre os dias 22 e 26 de julho, a programação da Flip 2026, das casas parceiras e da Flip Preta apresenta obras recém-lançadas ou que chegarão oficialmente aos leitores nos próximos meses, além das mesas e entrevistas com autores nacionais e internacionais. Os livros abordam temas como ancestralidade, religiões de matriz africana, culturas periféricas, exclusão social, memória e pertencimento.
O Mundo Negro selecionou cinco novidades editoriais afrocentradas que poderão ser conhecidas durante os dias do festival.
“A cor da felicidade”, de Lília Refle
O quarto romance da escritora baiana Lília Refle, “A cor da felicidade” acompanha Zulmira, uma menina de 10 anos nascida em Itamaraju, no sul da Bahia. Sua infância é marcada pela pobreza, pela falta de afeto e por um desejo constante de aprender.
A relação de Zulmira com o conhecimento começa a mudar quando ela conhece Afonso Batista, um intelectual que lhe ensina gramática e literatura. A proximidade entre os dois passa a ser alvo de suspeitas de abuso na cidade e transforma o destino de ambos.A partir desse conflito, o romance discute exclusão social, acesso à educação e as fronteiras entre afeto, moralidade e violência.
Publicado pela Editora Patuá, “A cor da felicidade” terá uma sessão de autógrafos na quinta-feira (23), às 15h, na Casa Gueto, durante a Flip.
“Escafandro: como mergulhar em nossas profundezas”, de Janaína Portella
A obra propõe um mergulho nas relações entre memória, pertencimento, cura e reconexão com a ancestralidade. A escritora Janaína Portella articula reflexões poéticas, espiritualidade afro-indígena e diálogos com a ciência para discutir o corpo, a natureza e os saberes ancestrais.
No livro, o fundo das águas aparece como um território simbólico de encontro com emoções, memórias e possibilidades de transformação. Janaína é fundadora do projeto Arte-Curandeira e também autora de “7 encruzilhadas”.
Durante a Flip, a escritora participa da mesa “Quem cura o mundo que nos feriu? Ancestralidade, corpo e experiências da vida”, na quinta-feira (23), às 16h, na Casa Poéticas Negras, ao lado de Aza Njeri. “Escafandro” também integra os lançamentos apresentados pela Oficinar em sua nova fase editorial. O livro chegou às livrarias neste ano.
“MC não é bandido: leituras do Brasil real”, de Dani Monteiro
Organizado por Dani Monteiro, “MC não é bandido: leituras do Brasil real” reúne ensaios, relatos e textos críticos sobre as relações entre cultura periférica, política e criminalização.
O livro discute como expressões artisticas como o funk, o rap e o hip-hop, produzidas principalmente por jovens negros e moradores de favelas, são estigmatizadas e associadas à criminalidade. Ao mesmo tempo, destaca a força econômica, social e simbólica dessas manifestações na construção de identidades e na transformação dos territórios.
Na quinta-feira (23), às 14h30, Dani Monteiro participa da mesa “MC não é bandido: cultura, juventude negra e o direito de existir”, na Casa Poéticas Negras, ao lado de Pastor Henrique Vieira e Mel Duarte.
O lançamento também integra a programação da Flip Preta no domingo (26), às 16h30, no Quilombo do Campinho. A publicação está em pré-venda pela Editora Oficinar.
“Benzô”, de Letícia Andra
Voltado ao público infantojuvenil, “Benzô” acompanha Ayó, uma menina de 11 anos que encontra no benzimento ensinado pela avó um caminho de pertencimento, resistência e conexão com a própria história.
Publicado pela Editora Aziza e ilustrado por Danise Eliom, o livro aborda espiritualidade, ancestralidade, natureza, memória e o papel das mulheres negras na preservação de conhecimentos transmitidos entre gerações.
“Benzô” será lançado no sábado (25), às 17h30, no Quilombo do Campinho, dentro da programação da Flip Preta 2026.
“O crime do Cais do Valongo”, de Eliana Alves Cruz
A escritora Eliana Alves Cruz apresenta na Flip uma nova edição, revista e ampliada, de “O crime do Cais do Valongo”. O romance, que inaugura a série Crimes Coloniais, combina ficção histórica e investigação para abordar as marcas do tráfico transatlântico de africanos escravizados no Rio de Janeiro.
Ambientada no início do século XIX, a narrativa acompanha Muana Lomué, mulher moçambicana escravizada, e Nuno Alcântara Moutinho, livreiro mestiço e liberto, cujas trajetórias se cruzam após um assassinato na região do Valongo. A nova edição traz um epílogo inédito.
Eliana participa da mesa “O Brasil no Valongo” ao lado de Ana Maria Gonçalves, com mediação de Aza Njeri. O encontro será realizado no sábado (25), às 11h, na Casa Record.
Serviço
24ª Flip – Festa Literária Internacional de Paraty
Data: 22 a 26 de julho de 2026
Local: Centro Histórico de Paraty, Rio de Janeiro
Programação completa: site oficial da Flip
Ingressos para o Programa Principal: plataforma oficial de vendas, sujeitos à disponibilidade
As atividades citadas na Casa Gueto, na Casa Poéticas Negras e na Flip Preta são gratuitas, com entrada sujeita à capacidade de cada espaço. A Flip Preta acontece de 24 a 26 de julho no Quilombo do Campinho.
Notícias Recentes
