Senador teria deixado o país nesta terça após descumprir prazo para entregar passaportes à PF; viagem foi confirmada por pessoas próximas à família.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula no segundo turno da eleição presidencial, foi embora para os Estados Unidos nesta terça-feira (27), de acordo com o portal Metrópoles. Segundo o site, a informação foi confirmada por pessoas próximas à família, o avião estava em voo no início da tarde e o destino final seria a Flórida. Até a publicação desta nota, a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o próprio Flávio não haviam se manifestado sobre a viagem.
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A saída teria ocorrido horas depois de vencer o prazo para que o senador entregasse seus passaportes. Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a apreensão dos documentos e proibiu Flávio de deixar o país. O prazo terminou às 11h desta terça sem que os passaportes fossem entregues, e a PF cancelou no sistema da corporação o passaporte comum e o diplomático do senador, o que restringe o uso dos documentos em portos e aeroportos no exterior. A corporação vai comunicar o descumprimento da decisão ao gabinete de Moraes.
Sumido desde a manhã
De acordo com o Metrópoles, Flávio não falava com aliados desde a manhã desta terça. A última mensagem foi enviada às 8h ao senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial, e nela Flávio disse que estava “esfriando a cabeça”, sem responder se havia deixado o Brasil.
Mais cedo, o site argentino Infobae havia publicado que o senador cruzaria a fronteira com a Argentina para embarcar em um jato particular em Puerto Iguazú. Na ocasião, Rogério Marinho negou que Flávio tivesse saído do país, e a PF procurou as autoridades argentinas para verificar a informação. Na segunda, em vídeo publicado nas redes sociais, o senador afirmou que nunca pensou em sair do Brasil e que entregaria os passaportes. Segundo ele, a decisão de Moraes se baseou em uma fala do irmão, Eduardo Bolsonaro, que teria dito em 23 de outubro que Flávio deveria deixar o país se perdesse a eleição. “Eu nunca falei isso”, disse.
Investigações no STF
Flávio é investigado em dois inquéritos no Supremo. Em um deles, é suspeito, ao lado do advogado Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. O outro apura o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. As defesas negam irregularidades.
O mandato de Flávio no Senado termina em fevereiro de 2027. Mesmo fora do cargo, os processos devem continuar no STF, que decidiu em março de 2025 que investigações sobre crimes cometidos durante o exercício do mandato permanecem na Corte após o fim do cargo.