Cartas de 2020 e 2021 vêm a público no mesmo dia em que Taylor Simone Ledward contesta na Justiça o processo dos irmãos do ator pela herança
A família de Chadwick Boseman afirmou, em cartas enviadas aos advogados de Taylor Simone Ledward, com quem o ator era casado, que a autópsia encontrou em seu organismo uma concentração de hidromorfona quatro vezes acima do limite terapêutico, segundo documentos de 2020 e 2021 divulgados nesta quinta-feira (24) pelo site norte-americano TMZ. As correspondências vieram a público enquanto os irmãos do ator, Derrick e Kevin Boseman, tentam tirar Ledward da administração da herança na Justiça de Los Angeles, e no mesmo dia em que ela apresentou sua defesa ao tribunal.
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Chadwick Boseman e Taylor Simone Ledward se casaram em 21 de agosto de 2020, em cerimônia celebrada por Derrick, irmão do ator. Boseman morreu seis dias depois, em 28 de agosto, aos 43 anos, após enfrentar por quatro anos um câncer de cólon que manteve longe do público, e não deixou testamento. Em outubro daquele ano, Ledward pediu à Justiça para administrar o espólio, estimado então em US$ 938,5 mil nos primeiros documentos do inventário.
Família pediu prontuários e dados do celular
Em 16 de novembro de 2020, os advogados dos pais, Leroy e Carolyn, e dos irmãos do ator enviaram à defesa de Ledward uma carta em que pediam a liberação dos prontuários médicos de Boseman, cópias digitais de celulares, computadores e iPads e os extratos de todas as contas bancárias. A família afirmava que sua “única esperança” era “cumprir a verdadeira intenção de Chad” na divisão dos bens e pedia eventuais gravações em que ele teria determinado que 90% dos direitos de seus filmes fossem repartidos entre os pais e os dois irmãos. Nenhuma gravação desse tipo foi divulgada publicamente.
O advogado de Ledward respondeu em 1º de dezembro de 2020, chamou a carta de “repentina, equivocada e agressiva” e disse que sua cliente vinha tentando compartilhar informações com os irmãos e incluí-los em projetos em homenagem ao marido. Na mesma resposta, afirmou que pretendia protegê-la das “alegações falsas e gananciosas” insinuadas pela família.
Laudo apontou hidromorfona acima do limite
Uma segunda carta dos advogados da família, datada de 23 de agosto de 2021, justificou o pedido dos prontuários com dúvidas sobre por que Boseman foi encontrado no chão do quarto no dia da morte. Segundo o documento, os parentes queriam uma autópsia, à qual Ledward inicialmente se opôs por considerar que o corpo do marido já havia sofrido o bastante, e o exame foi concluído em 1º de setembro de 2020 com “resultados alarmantes” sobre o acompanhamento médico que ele recebia.
A carta afirma que o exame toxicológico identificou 0,12 miligrama por litro de hidromorfona, um analgésico opioide, no organismo do ator. A família classificou o número como “extremamente preocupante” e afirmou que ele correspondia a quatro vezes a concentração terapêutica máxima, acima da faixa considerada tóxica.
A defesa de Ledward respondeu em 2 de setembro de 2021 que a família havia passado nove meses sem se manifestar e enviado a carta dias antes do primeiro aniversário da morte do ator “sem qualquer consideração” pelo luto dela.
A Justiça de Los Angeles determinou em 4 de outubro de 2022 a divisão da herança para o caso sem testamento, com 50% para Ledward e 25% para cada um dos pais. Pela decisão, os irmãos do ator não figuram entre os herdeiros. Os documentos do inventário avaliavam o patrimônio em US$ 3,8 milhões antes do pagamento de custas, impostos, despesas funerárias e honorários, com saldo estimado em US$ 2,3 milhões após os descontos.
Irmãos pedem troca de administrador
Derrick, Kevin e Taylor Simone Ledward estiveram juntos em 20 de novembro de 2025, quando Boseman recebeu uma estrela póstuma na Calçada da Fama de Hollywood. Em julho de 2026, os dois irmãos entraram com uma petição no Tribunal Superior de Los Angeles em nome dos pais, que transferiram suas participações no espólio para a empresa Boseman Family LLC, pedindo que Ledward fosse destituída do cargo de administradora e substituída pelo advogado Jason Rubin.
Na ação, os irmãos afirmam que, quase quatro anos após a ordem de partilha, Ledward não concluiu a distribuição dos bens e mantém controle exclusivo sobre o espólio. Segundo a petição, royalties, pagamentos residuais do sindicato de atores SAG-AFTRA, direitos de imagem, propriedade intelectual e imóveis não foram contabilizados nem repartidos, e contas bancárias que somam quase US$ 3 milhões seguem sem definição. Os irmãos também acusam Ledward de ter se tornado a única diretora da empresa Chadwick Boseman, Inc. sem realizar as reuniões de acionistas exigidas e de fechar contratos sobre a imagem do ator sem consultar os pais. Em comunicado divulgado em 23 de julho, Derrick e Kevin afirmaram que, “por anos, nossos pais buscaram clareza” sobre o espólio e o legado do irmão.
Ledward contesta o pedido na Justiça
Ledward protocolou sua defesa nesta quinta-feira (24) e sustenta que não deve ser removida porque cumpriu a ordem de partilha, listando os pagamentos feitos a Carolyn e Leroy nos anos seguintes à morte do ator. O advogado Adam Streisand classifica a petição como uma “manobra de relações públicas” para difamá-la nos tabloides e argumenta que os irmãos agem com a autorização dos pais, herdeiros ao lado dela.
Ledward afirma ter doado cerca de US$ 300 mil de seus próprios recursos aos quatro filhos de Derrick e diz ter feito isso porque o marido queria a família amparada após sua morte. A defesa cita também a criação da Chadwick Boseman Foundation for the Arts, a montagem da peça “Deep Azure”, escrita pelo ator, no Shakespeare’s Globe, em Londres, e um acordo para um documentário, que, segundo o documento, contaram com a participação dos irmãos.
Caso seja destituída, Ledward se opõe à nomeação de Jason Rubin, alegando que existem “sérias acusações” contra ele em outros processos. Ela declara não saber se as acusações são verdadeiras e pede que sejam investigadas antes que ele assuma o espólio.
Tribunal ainda não marcou audiência
O Tribunal Superior de Los Angeles vai analisar o pedido de destituição, a indicação de Rubin e a exigência de prestação de contas apresentados pelos irmãos, além da contestação protocolada por Ledward. Até a publicação desta reportagem, não havia data de audiência divulgada, e nenhuma das partes havia se manifestado publicamente sobre o laudo toxicológico citado nas cartas.
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