Meridiana, Massaranduba e coletânea de textos de Abdias Nascimento levam estatuetas em Romance Literário, Conto e Artes na 68ª edição do prêmio
A escritora Eliana Alves Cruz, o contista Abáz e o sociólogo Tulio Custódio estão entre os vencedores da 68ª edição do Prêmio Jabuti, anunciados na noite de terça-feira (27) em cerimônia na Sala São Paulo, na capital paulista. Eliana venceu a categoria Romance Literário com “Meridiana”, Abáz levou o prêmio de Conto com “Massaranduba” e Tulio Custódio ganhou em Artes como organizador de “Abdias, intérprete do Brasil: textos sobre raça e cultura brasileira de 1940 a 1990”. A premiação, organizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), distribuiu estatuetas em 23 categorias, e cada vencedor recebe o troféu e R$ 5 mil.
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“Meridiana” soma o Jabuti ao Prêmio Guimarães Rosa
A vitória de Eliana Alves Cruz veio na categoria mais disputada da noite, em que ela concorria com Itamar Vieira Junior, Milton Hatoum, Aline Bei e Evandro Affonso Ferreira. “Meridiana” já havia rendido à autora o Prêmio Guimarães Rosa, concedido pela Academia Brasileira de Letras, e chegou ao Jabuti em um ano em que a categoria voltou a ter mulheres entre os finalistas, depois de nenhuma ter sido indicada em 2025.
Itamar Vieira Junior buscava o terceiro Jabuti com a “Trilogia da terra”. O autor baiano venceu em 2020 com “Torto arado” e em 2024 com “Salvar o fogo”, e concorria agora com “Coração sem medo”, volume que encerra a série.
Abáz vence em Conto com livro de estreia
Na categoria Conto, Abáz venceu com “Massaranduba”, publicado pela Senac Rio, livro de estreia que já havia conquistado o Prêmio Sesc de Literatura em 2025. Nascido em Salvador, o autor é formado em História pela Universidade Federal da Bahia, professor da rede municipal de São Paulo e começou a escrever em 2024, em oficinas literárias. Os 18 contos do livro acompanham personagens da Península Itapagipana, região de Salvador onde o escritor viveu. Abáz disputava a categoria com Evandro Luiz da Conceição, finalista com “Minha estranha loucura”, publicado pela Todavia.
Nas duas categorias que reuniam mais de um autor negro entre os finalistas, Romance Literário e Conto, a estatueta ficou com um deles.
Coletânea de Abdias Nascimento leva o prêmio de Artes
No eixo Não Ficção, Tulio Custódio venceu a categoria Artes como organizador de “Abdias, intérprete do Brasil”, lançado pela Todavia. O livro reúne textos produzidos ao longo de cinco décadas por Abdias Nascimento, fundador do Teatro Experimental do Negro e uma das principais vozes do movimento negro brasileiro no século 20.
Outros autores negros finalistas
Outros quatro autores negros chegaram à final do Jabuti 2026. A poeta Nina Rizzi concorreu em Poesia com “Diáspora não é lar”, publicado pela Pallas, e Júlio Emílio Braz disputou a categoria Juvenil com “A escola do fim do mundo”, lançado pela Arte Literária. Em Educação, a educadora Sinara Rúbia foi finalista com “Inspiração Griot: por uma educação antirracista”, da Malê Edições, editora dedicada à produção de autores negros. Na categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior, concorreu “A terra dá, a terra quer”, do pensador quilombola Nêgo Bispo, morto em 2023, em edição francesa da Editions Wildproject.
Confira os autores negros vencedores e finalistas
Vencedores
“Meridiana”, de Eliana Alves Cruz (Companhia das Letras), em Romance Literário
“Massaranduba”, de Abáz (Senac Rio), em Conto
“Abdias, intérprete do Brasil: textos sobre raça e cultura brasileira de 1940 a 1990”, organizado por Tulio Custódio (Todavia), em Artes
Finalistas
“Coração sem medo”, de Itamar Vieira Junior (Todavia), em Romance Literário
“Minha estranha loucura”, de Evandro Luiz da Conceição (Todavia), em Conto
“Diáspora não é lar”, de Nina Rizzi (Pallas), em Poesia
“A escola do fim do mundo”, de Júlio Emílio Braz (Arte Literária), em Juvenil
“Inspiração Griot: por uma educação antirracista”, de Sinara Rúbia (Malê Edições), em Educação
“A terra dá, a terra quer”, de Nêgo Bispo (Ubu, Editions Wildproject), em Livro Brasileiro Publicado no Exterior