Mundo Negro

Edvana Carvalho celebra como o mestrado fortalece a dramaturgia de vivências negras: “Ato ancestral de existência”

Foto: Vinicius Mochizuki

Edvana Carvalho é uma voz ativa na defesa da educação dentro e fora das redes sociais! Após o sucesso no remake ‘Vale Tudo’, interpretando a costureira Eunice, a atriz de 57 anos continua a conciliar sua intensa rotina com o Mestrado em Dramaturgia na Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de seguir atuando como arte-educadora em escolas públicas de Salvador, manter o monólogo ‘Aos 50 – Quem Me Aguenta?’ em circulação e filmar o longa ‘Justino’, dirigido por José Eduardo Belmonte.

Em entrevista com o Mundo Negro, Edvana explica como o mestrado tem ampliado sua produção artística e seu compromisso político. “O meu mestrado em Dramaturgia na UFBA tem fortalecido profundamente o meu trabalho porque transforma aquilo que sempre carreguei: a escrita, a cena e a memória da mulher preta em método, consciência e linguagem”, afirma a artista que também é poetisa e apresentadora.

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Ao pesquisar a construção de seu monólogo ‘Aos 50 – Quem Me Aguenta?’, ela mergulha em suas próprias vivências e nas de tantas outras mulheres negras para convertê-las em ficção, criando “uma dramaturgia feminina, preta, diaspórica e ancestral, alinhada ao conceito de Escrevivência de Conceição Evaristo, que afirma que nossas histórias são instrumentos de denúncia, ruptura e reexistência”. 

A atriz também destaca como esse processo acadêmico a fortalece em múltiplas frentes: “Amplia minha potência como atriz, fortalece minha atuação como ativista, por compreender que narrar nossas experiências é disputar narrativas; enriquece meu papel como arte-educadora, ao me permitir inspirar outras mulheres e juventudes; e nutre minha voz de poetisa, transformando palavra em cura, invenção e afirmação identitária”. E completa: “Transformar vivências negras em dramaturgia é um ato ancestral de existência”.

Com mais de 40 anos de carreira, iniciada ainda na infância em Salvador, Edvana iniciou sua trajetória na escola pública, no Centro Educacional Luiz Pinto de Carvalho passando pelo Grupo de Teatro do SESC/SENAC, até integrar a primeira formação do Bando de Teatro Olodum, em 1990. 

Edvana atua de forma marcante em diferentes linguagens — teatro, televisão, cinema e educação. Além de ‘Vale Tudo’, já brilhou em produções como ‘Renascer’, ‘Ó Paí Ó 1 e 2’, ‘Malês’, ‘As Verdades’ e ‘Irmãos Freitas’. Como arte-educadora, idealizou projetos como a Aula Palestra, que discute lutas e trajetórias de professores, e a Roda de Conversa, que leva cultura e educação extra-curricular para escolas públicas.

Apesar do prestígio e dos múltiplos projetos, Edvana pontua com sinceridade a realidade de tantas mulheres negras no Brasil. “Minha rotina é fazer tudo que posso para sobreviver”, afirma. Ainda assim, ela transforma a arte e a educação em ferramenta de transformação.

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