A Urologia é a especialidade médica que atua no diagnóstico e no tratamento de doenças do aparelho urinário e do aparelho genital masculino. Assim, doenças que acometem os rins, os ureteres, a bexiga, a uretra, a próstata, os testículos, o pênis e demais órgãos desses sistemas são o foco da Urologia. A prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz das doenças urológicas são objetivos da especialidade, visando a melhora da saúde da população.
O urologista desempenha um papel ímpar na Medicina, tratando homens e mulheres em todas as faixas etárias: antes do nascimento, na infância, na adolescência, na idade adulta e em idosos. A avaliação inicial por meio de história clínica e exame físico bem realizados pode ser complementada por exames diversos, dentre os quais se destacam os laboratoriais e os de imagem (como ultrassonografias, tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas), mas exames endoscópicos e biópsias também são frequentemente utilizados.
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A especialidade não se limita a aspectos técnicos e científicos, tendo importância sociocultural, religiosa e econômica, muitas vezes. A saúde urogenital suscita debates amplos sobre hábitos (e a falta deles) na promoção de saúde, como em campanhas diversas com enfoque na saúde masculina e no incentivo ao autocuidado, muitas vezes negligenciados por desconhecimento e preconceitos. Sintomas como disfunção erétil e incontinência urinária têm forte impacto no convívio social e na saúde mental das pessoas afetadas, uma vez que podem limitar a qualidade de vida e provocar isolamento.
A retirada do prepúcio (circuncisão ou postectomia) é prática milenar e praticada por tantos povos, culturas e religiões ao redor do mundo como rito de passagem, mas também é forma de tratamento de doenças (fimose e parafimose, por exemplo) e de profilaxia, com melhora da higiene íntima, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, proteção contra câncer de pênis e contra câncer de colo uterino.
E dentro das esferas laboral e econômica, as doenças urológicas muitas vezes acometem a população economicamente ativa e podem ser causas frequentes de faltas em atividades profissionais, perdas de tempo de trabalho e custos elevados com diagnóstico, tratamento e seguimento (como nos frequentes casos de infecções do trato urinário, cólicas renais e tumores).
O câncer de próstata vem ganhando destaque em campanhas, com vista em diagnóstico precoce, o que possibilita índices elevados de tratamento, cura e melhora na qualidade de vida. Assim, o conhecimento da doença e dos seus fatores de risco, que incluem o avanço da idade, o histórico familiar (hereditariedade), a etnia (o risco é maior em homens negros) e a obesidade, têm se mostrado pilares de conscientização sobre esta doença tão comum (o tumor não-cutâneo mais prevalente em homens, com um novo caso diagnosticado a cada 8 minutos no Brasil) e com potencial de letalidade alto sem tratamento (o segundo câncer em mortalidade masculina no país, com um óbito a cada 40 minutos).
Também, outras doenças da próstata (hiperplasia benigna e prostatite), cálculos urinários (“pedras” nos rins), distúrbios hormonais, disfunções de ereção, infecções sexualmente transmissíveis, disfunções urinárias, alterações da fertilidade, demais tumores urológicos (como os de rins e bexiga) e acompanhamento do processo de adolescência (desenvolvimento e início da vida sexual) e do envelhecimento masculinos também são extremamente importantes e merecedores da atenção e do conhecimento geral.
Assim, sintomas como sangramento da urina (com ou sem coágulos), dores urogenitais (renais, uretrais, vesicais, prostáticas, testiculares ou penianas), alterações na micção (aumento de frequência e redução de jato, entre outros), incontinência urinária, impotência ou perda do desejo sexual, alterações na ejaculação, corrimento uretral e lesões genitais devem sem ser avaliadas por um urologista.
Os tratamentos das diversas doenças incluem, de forma isolada ou combinada, orientações gerais e específicas, medicamentos, cirurgias, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia. Dentro do tratamento cirúrgico destacam-se as minimamente invasivas (endoscópicas, laparoscópicas e robóticas), sendo a Urologia uma das especialidades médicas que mais faz uso de inovações tecnológicas no seu arsenal diagnóstico e terapêutico, com nítidos aumentos de bons resultados e redução de complicações.
Deve-se lembrar que, mesmo na ausência de sintomas, há necessidade de acompanhamento urológico nas diversas faixas etárias e que hábitos de vida saudáveis, com boa higiene, boa alimentação e redução de índices de obesidade, infecções, etilismo e tabagismo são fundamentais para o bom funcionamento e preservação dos órgãos urogenitais, bem como na redução das suas doenças. O urologista é um aliado importante na promoção e na manutenção da saúde de todos.
Por Dr. Sahna Wilbonh de Barros
Médico urologista e titular da Sociedade Brasileira de Urologia
(CRM-SP 144.578 / RQE 65.633)
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