Atacante belga deixou a concentração da seleção para estar presente no parto do filho Praise em Londres e voltou a Seattle na terça-feira.
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O atacante belga Jérémy Doku, de 24 anos, acompanhou na segunda-feira, 22 de junho, o nascimento de seu primeiro filho em Londres e deve se reapresentar à seleção da Bélgica na noite desta terça-feira em Seattle, onde o grupo se prepara para a última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. O bebê se chama Praise e é filho de Doku com sua esposa Shireen. A federação belga confirmou que o jogador viajou à capital britânica com a autorização da comissão técnica e acompanhado por um médico da própria seleção, e que estará disponível para o jogo contra a Nova Zelândia, marcado para a próxima sexta-feira, pelo Grupo G do torneio.
A decisão de liberar Doku gerou uma sequência de reações públicas que extrapolaram o campo esportivo. A apresentadora France Pierron, do canal francês L’Équipe TV, criticou abertamente o jogador durante um programa da emissora, classificando o momento do parto como “nojento” e afirmando que o pai seria “completamente inútil” nessa situação. Pierron argumentou que disputar uma Copa do Mundo representa uma oportunidade raramente repetida na carreira de qualquer atleta e que Doku estaria abrindo mão de algo que centenas de jogadores “dariam tudo para viver”. A fala foi gravada e circulou amplamente nas redes sociais nas horas seguintes. O canal se distanciou das declarações por meio de nota oficial e afastou a apresentadora, além de pedir desculpas publicamente ao jogador e ao público.
Doku respondeu à polêmica com brevidade antes de embarcar para Londres. “Ninguém quer perder o nascimento do seu primeiro filho”, disse o jogador. A declaração foi suficiente para concentrar o apoio de torcedores e de outros atletas ao redor do mundo. O alemão Nadiem Amiri, pai de dois filhos, foi um dos que se manifestaram. O jogador afirmou não entender “de forma alguma” as críticas e acrescentou que “todos os pais sabem como esse momento é especial”.
A ausência de Doku na partida contra o Irã, no domingo, não teve relação com a viagem a Londres. O atacante ficou fora do empate sem gols por conta de uma infecção respiratória aguda, diagnosticada durante os treinos em Los Angeles que antecederam o jogo, quando ele precisou deixar as atividades de campo mais cedo. Os médicos belgas recomendaram que ele não jogasse e iniciaram tratamento com antibióticos. Com a recuperação confirmada, sua participação contra os neozelandeses está prevista.
A situação de Doku se desdobrou em um contexto de pressão crescente sobre a seleção belga no torneio. A Bélgica somou apenas dois pontos nas duas primeiras rodadas, após empate por 1 a 1 com o Egito e o placar zerado diante do Irã, e ocupa a terceira posição do Grupo G. O confronto contra a Nova Zelândia, na sexta-feira, é praticamente eliminatório para os Diabos Vermelhos, que chegaram ao torneio entre as seleções apontadas como favoritas ao título.
O debate aberto pelo caso de Doku extrapolou a discussão específica sobre futebol e alimentou um debate mais amplo sobre paternidade, presença familiar e as cobranças impostas a atletas profissionais durante competições de longa duração. A escolha do jogador e a reação da L’Équipe TV mobilizaram comentaristas, ex-atletas e o público em geral, tanto na Europa quanto nas Américas. A federação belga, ao comunicar o retorno de Doku, encerrou a nota parabenizando o jogador e sua família pelo nascimento de Praise.
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