Isaiah Martin, crítico de Trump, defende deportação de Flávio Bolsonaro dos EUA após fuga do Brasil e pede investigação de gastos com senador.
O comentarista político norte-americano Isaiah Martin, ligado ao Partido Democrata e crítico do presidente Donald Trump, defendeu nesta terça-feira (27) a deportação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dos Estados Unidos. A publicação foi feita nas redes sociais horas depois de surgirem informações de que o parlamentar, derrotado no segundo turno da eleição presidencial no domingo (25), havia deixado o Brasil rumo ao território americano.
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“Flávio Bolsonaro acabou de ser esmagado no Brasil e está prestes a enfrentar acusações de corrupção. Não há razão para ele ser aceito nos Estados Unidos como um refugiado político”, escreveu Martin. O comentarista também criticou o possível uso de recursos públicos para manter o senador no país. “Mais ainda, não há razão para subsidiarmos o estilo de vida luxuoso dele, de viagens de jatinho, e, potencialmente, o custo da sua equipe de segurança. É patético, especialmente quando Trump está dizendo que não temos dinheiro para a saúde aqui mesmo, na América.”
Na mesma publicação, Martin afirmou que a deportação deveria ocorrer logo após a troca de governo nos Estados Unidos. “Eu acho pessoalmente que Bolsonaro devia ser deportado imediatamente após uma nova administração democrata assumir o cargo. E, além disso, também acredito que devíamos permitir que o Brasil entrasse com helicópteros, o agarrasse e o levasse no meio da noite, tal como um certo outro alguém. Acho que isso dita o tom”, escreveu, em referência à operação de forças americanas que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro deste ano. Em seguida, completou: “Não devíamos permitir que a imundície criminosa dos Bolsonaros seja permitida neste país.”
O comentarista cobrou ainda uma investigação sobre os gastos do governo Trump com o senador. “Os democratas têm de investigar cada centavo que Trump está usando para acolher este fugitivo assim que recuperarem o controle da maioria. Nem um único centavo do dinheiro dos nossos contribuintes devia ir para esta loucura.”
A publicação respondeu ao advogado mexicano Simón Levy, aliado de Trump, que afirmou que Flávio não estava mais no Brasil e seguia para os Estados Unidos sob proteção americana.
Quem é Isaiah Martin
Natural de Houston, Martin foi assessor sênior da deputada Sheila Jackson Lee, morta em 2024, e ganhou projeção ao confrontar apoiadores do movimento MAGA em vídeos no TikTok e no Instagram. Ele lançou candidatura ao 18º distrito do Texas em 2023 e voltou a disputar a vaga na eleição especial de 2025, aberta após a morte do deputado Sylvester Turner. Em julho de 2025, foi retirado à força e detido durante uma audiência no Capitólio do Texas depois de acusar parlamentares republicanos de redesenhar distritos eleitorais a pedido de Trump.
A saída de Flávio
Autoridades americanas confirmaram a viagem do senador à CNN e à Reuters, e aliados da família confirmaram a informação à Folha de S.Paulo. O coordenador da campanha, Rogério Marinho, negou que Flávio tenha deixado o país, e uma fonte da Polícia Federal afirmou à AFP que não há registro formal da saída. No domingo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, havia determinado a entrega dos passaportes do senador e o proibido de deixar o Brasil. Os documentos foram cancelados na terça. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos.
Segundo a imprensa internacional, o Departamento de Estado americano deve conceder vistos a Flávio e à família. Criminalistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que os inquéritos contra o senador no STF seguem em andamento, embora ele ainda não seja considerado foragido. O irmão, Eduardo Bolsonaro, vive nos Estados Unidos desde março de 2025.