Cineasta brasileira Sabrina Fidalgo prepara filme sobre supremacia branca

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Cineasta brasileira Sabrina Fidalgo prepara filme sobre supremacia branca
Cineasta carioca preparando pra abordar um tema importante e pouco debatido de modo geral.

A cineasta carioca, Sabrina Fidalgo, vai falar sobre a supremacia branca em novo projeto. Ela, em parceria com o fotógrafo suíço, Yvan Rodic pretendem abordar a seguinte questão: Como descolonizar o mundo e o sistema?

Com essa premissa, o documentário Time to Change – ou Tempo de Mudança – abordará os impactos negativos do domínio branco pelo mundo sob duas perspectivas diferentes. “São duas visões bem distintas. Ele é um homem branco europeu e eu sou uma mulher negra brasileira”, revela. O filme já tem uma parte filmada e contará com depoimentos de Djamila Ribeiro, Grada Kilomba e Viola Davis.

Para Sabrina e Yvan, é preciso revisitar o passado para projetar um futuro melhor. Parafraseando George Santayana, conhecer bem o passado pra não estarmos condenados a repeti-lo. Tendo consciência de que o que é ensinado nas escolas é uma visão superficial e romantizada, Sabrina quer levar seu filme a todos, não só à galera que já é habituada com pautas antirracistas. “Acho que esse filme é uma forma de reeducarmos as pessoas pra que elas tenham consciência. Se a gente não entender o nosso passado, vamos continuar repetindo essa história toda, esse projeto colonial de destruição.”.

O que vivemos é consequência e, de certa forma, perpetuação da colonização. Como se o país fosse uma enorme capitania hereditária. Sabrina entende complexa relação de sociedade no país. “O Brasil foi uma colônia de exploração. O projeto era acabar com tudo, roubar tudo, sugar todos os bens, todas as coisas incríveis e maravilhosas até não sobrar mais nada”, define.

Com produção da Gulanne Entretenimento, o filme segue em fase de captação de recursos. “Vamos fazer algumas filmagens agora em outubro na Europa e, tudo dando certo, é um filme que vai estar pronto no ano que vem.”.

Precisamos muito dessa luz sobre o assunto, Sabrina. Não é de se espantar que tanta gente cresça achando incríveis filmes, séries e canções de exaltação aos romances mais sórdidos e atos mais duvidosos dos colonizadores. Ao mesmo tempo que atribui toda a decadência do sistema ao oprimido. Recebemos uma educação que, como bem abordou a Estação Primeira de Mangueira, no carnaval 2019, exalta os medalhões sem mérito e esconde os verdadeiros heróis do povo. “Isso tudo é um grande caô que foi contado pra gente na escola. Eu aprendi assim, todo mundo aprendeu assim.”, crava certeira, a diretora.

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