Dona da Casa de Ieda, em São Paulo, a chef da Chapada Diamantina disputa a sexta temporada com veteranos do programa; estreia nesta terça (6) na Band
A chef baiana Ieda de Matos, de 54 anos, está entre os 18 cozinheiros profissionais que disputam o troféu da sexta temporada do MasterChef Profissionais, que estreia nesta terça-feira (6), às 22h30, na Band. Natural de Utinga, na Chapada Diamantina, e dona da Casa de Ieda, restaurante no bairro de Pinheiros, em São Paulo, ela é uma das nove estreantes da edição, que marca a volta do programa depois de três anos fora do ar. A partir de sexta-feira (9), os episódios também serão exibidos no canal Discovery Home & Health e na plataforma HBO Max, sempre às 20h30.
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Ieda aprendeu a cozinhar com as mulheres da família, numa infância marcada pela pobreza no interior baiano, onde a comida vinha do que se plantava e colhia em casa. Antes de chegar à alta gastronomia, vendeu salgados e comandou um food truck. Concluiu a formação profissional já adulta, estagiou na Europa e abriu em São Paulo a Casa de Ieda, onde serve uma cozinha nordestina que resgata os sabores da Chapada Diamantina e valoriza as matrizes indígenas e africanas da alimentação brasileira.
Da Chapada Diamantina a Sydney
O trabalho de Ieda parte da relação entre comida e memória. Em entrevista à revista Consumidor Moderno, ela definiu sua cozinha como afetiva, “uma comida que abraça, que preserva o que há de mais lindo na Chapada Diamantina”. Em 2021, à frente do Portinha Artois, restaurante temporário que comandou em São Paulo, ela montou um cardápio com preparos regionais como godó, caruru, sururu, molho lambão, arubé, mugunzá e umbu, ao lado de referências da cozinha africana da Bahia.
A chef também levou a culinária brasileira para fora do país. Ieda já ministrou masterclasses de cozinha brasileira na Le Cordon Bleu, em Sydney, na Austrália. Em entrevista à rede australiana SBS, ela contou que, no início da carreira, servia mesas em que clientes pediam que ela levasse elogios à “Chef Ieda” sem perceber que falavam com a própria cozinheira, episódio que associou ao fato de ser uma mulher negra vinda de uma família humilde. “Transformei minhas lágrimas em atitude”, disse na ocasião.
A relação com a cultura afro-brasileira se estende também aos livros. Em 2020, Ieda assinou o volume “Iemanjá: Aves e Pescados”, da coleção organizada pelo chef Carlos Ribeiro e publicada pela editora Arole Cultural, com 21 receitas autorais de carnes brancas e frutos do mar inspiradas nos ingredientes associados ao orixá.
Estreia com menu para 100 convidados
No MasterChef Profissionais, Ieda divide a cozinha com nomes que já passaram pelo programa, como Irina Cordeiro, terceira colocada da segunda temporada da versão profissional, Marcelo Zaidan, vice-campeão da primeira, e Léo Salles, campeão do MasterChef Confeitaria em 2025, além de outros estreantes com passagens por restaurantes premiados no Brasil e no exterior. Ao longo de 16 episódios, os competidores serão avaliados pelos jurados Erick Jacquin, Helena Rizzo e Henrique Fogaça.
O diretor do programa, Eduardo Accioly, afirma que a temporada foi pensada para tirar os participantes da zona de conforto. “O nível técnico atingiu um patamar nunca visto antes, porém, no MasterChef, não basta saber cozinhar bem, é preciso coragem para arriscar, ser estratégico e ter sangue frio para lidar com as situações”, diz.
O primeiro episódio coloca os cozinheiros para reproduzir dois menus criados pelo júri e servir 100 convidados acostumados a frequentar restaurantes de alto padrão. Quem tiver o pior desempenho segue para a prova de eliminação, que exige a montagem de uma torre de éclairs e religieuse, doce clássico da confeitaria francesa. Ao longo da temporada, chefs convidados do Brasil e do exterior participam das provas, entre eles Luana Sabino, Onildo Rocha, Bel Coelho e Tsuyoshi Murakami, com desafios que vão da confeitaria aos pratos regionais.
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