No Dia Internacional da Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, nesta sexta-feira (21), o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) lançou um edital, no Rio de Janeiro, que busca transformar um dos territórios mais simbólicos da cultura afro-brasileira. O Concurso BNDES Pequena África busca equipes lideradas por arquitetos ou urbanistas negros e as inscrições vão até 15 de maio de 2025.
A iniciativa faz parte do projeto de estruturação do Distrito Cultural Pequena África, coordenado pelo Consórcio Valongo Patrimônio Vivo.
O evento contou com a presença das ministras da Igualdade Racial, Anielle Franco, da Cultura, Margareth Menezes, e dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo. Também participaram a deputada federal Benedita da Silva, a diretora de Pessoas do BNDES, Helena Tenório, e os presidentes da Fundação Palmares, João Jorge Rodrigues dos Santos, e da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), Marcelo Freixo.
Localizada na zona portuária do Rio, a Pequena África tem forte relevância histórica e cultural para a identidade negra no Brasil. O concurso busca soluções inovadoras para valorizar o território, promovendo melhorias urbanísticas e integrando marcos patrimoniais e econômicos de grande importância.
“Fortalecer a Pequena África é resgatar uma parte fundamental da nossa história, que precisa ser valorizada e não mais apagada, como foi por décadas. O Brasil tem uma dívida histórica com a população negra, que foi arrancada escravizada, torturada e trazida à força ao país em condições degradantes. O Cais do Valongo, na região da Pequena África, foi o maior porto de chegada de africanos escravizados no mundo. É uma história que precisa ser lembrada, para que jamais se repita”, ressaltou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
De acordo com Helena Tenório, a elaboração do concurso envolveu uma ampla escuta na região, com mais de 150 horas de oficinas e uma pesquisa de opinião que entrevistou mais de 600 pessoas. “Todo esse material precisa ser levado em consideração pelos arquitetos e urbanistas para propor soluções para a Pequena África. O BNDES assim espera ajudar a transformação e a potencialização dessa região que já é uma das mais visitadas do Rio de Janeiro”, explicou a diretora de Pessoas do Banco.
Sobre o concurso
As propostas para a Pequena África podem envolver desde soluções arquitetônicas e estratégias de mobilidade até ações culturais, educativas e tecnológicas, sempre com foco na valorização do patrimônio, no estímulo à economia criativa e na ampliação do acesso à cultura. Conforme descrito no edital, os projetos devem contribuir para um ambiente urbano integrado e funcional.
Entre os eixos previstos, estão intervenções como comunicação visual, mobiliário urbano e outras soluções de pequeno porte, que dialoguem com a identidade local e consolidem a região como referência cultural e social. A iniciativa busca fortalecer a Pequena África como um museu a céu aberto, conectando passado e presente para projetar um afrofuturo enraizado no território.
O edital incentiva a formação de equipes multidisciplinares, permitindo a participação de profissionais de áreas como arqueologia, comunicação visual, educação, design e história. As inscrições estarão abertas até as 23h59 do dia 15 de maio para propostas individuais ou coletivas que estejam alinhadas à realidade e cultura local.
Os três melhores projetos serão premiados. O primeiro colocado receberá R$ 78 mil, o segundo R$ 39 mil e o terceiro R$ 13 mil.