Mundo Negro

Campanha #DearBlackGirl promove auto-valorização para jovens negras no mundo

O vídeo viral do policial branco Ben Fields arrastando uma aluna negra de 16 anos a traves da sala de um colegial americano chocou o mundo com mais uma ilustração das medidas disciplinares violentas que parecem ser reservadas exclusivamente para a juventude negra. “Ela foi culpada de ser negra,” declararam as manchetes nas redes sociais.

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Face aos ataques constantes e depreciativos ao negro, uma maior discussão está rolando sobre a preservação da dignidade e amor-próprio dessa geração de jovens negros e negras.

 “Não tenha medo da sua força,” escreve blogueira Alexis Ditaway em uma carta para uma jovem negra, parte da campanha “Dear Black Girl…” de recolher cartas de mulheres negras para jovens negras refletindo sobre essas mensagens de sonhos, coragem, desafios, história e futuro enquanto negra. “Ainda nos dias que você sente o peso do mundo nos seus ombros, lembra-se que se você continuar lutando, o mundo estará um dia nas suas mãos.”

 A campanha “Dear Black Girl…” foi lançada pelo projeto americano The Beautiful Project que “acredita que as palavras mais significativas que uma menina negra precisa ouvir não são as que o mundo fala de nós, mas as palavras que temos para falar entre nós.” Todas as cartas são publicadas no site do projeto.

“Eu te vejo. Você, meu amor, carrega estórias na sua pele.Você, meu amor, é poderosa e preciosa. Você, meu amor, e tão adorada e tão amada”.

 Maneo Mohale, um estudante de Johannesburg, África do Sul, escreve na sua carta:

 “Você, meu amor, guarda histórias na sua pele.

Você, meu amor, é poderosa e preciosa.

Você, meu amor, é tão amável e amada.

E hoje é o dia que você começa a se dizer isto, até o dia que você finalmente acreditar.”


 Uma outra carta, publicada em Facebook por uma mulher do Quebec que se identifica como branca e indígena, conta sobre uma amizade infantil que resistiu o bullying racista do bairro:

 “Queria cobrir a Wendy e a proteger quando os outros zoaram o seu cabelo ou a sua cor. Mas não podia. Era uma garota só, igual ela… Mas, querida menina negra, você é um presente. Alguém que vale a pena relembrar, sempre. Espero que você aprenda a ser uma valente menina gritando igual a Wendy e espero que as suas amigas sempre tomarão seu lado para gritar juntas.”

 As cartas falam de beleza, força liderança. As suas autoras contam estórias de discriminação e superação.

Alunas negras são mais punidas na escola

No vídeo da sala do colegial, a aluna fica quieta e passiva durante o ataque bruto do policial. Uma outra estudante, que não aparece no video, protestou o tratamento violento do policial e também foi presa por “crime” e “perturbação na escola”. Na sua região sudeste dos EUA, alunos negros constituem 58% da população estudantil, mas só as meninas negras representam 65% de todas as alunas suspensas e expulsas.

Em seu discurso na Convenção Negro Congressional, Presidente Obama destacou o tratamento disciplinar problemático que as mulheres e meninas negras enfrentam, tanto nas escolas quanto nas prisões e nas ruas.

Mas, por mais importante que seja a reforma política, a própria dignidade crescente da jovem negra é a maior ferramenta na luta do povo negro, tanto na história quanto no presente.

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