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	<title>Priscilla Arantes, Autor em Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
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		<title>Enquanto o racismo educa em silêncio, a Bahia grita por transformação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Priscilla Arantes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Oct 2025 19:55:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[bahia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Priscilla Arantes Educa&#231;&#227;o infantil baiana protagoniza experi&#234;ncias pioneiras de repara&#231;&#227;o e pertencimento Chegamos ao m&#234;s da crian&#231;a, e confesso: este ano carrega um significado especial pra mim. Sou m&#227;e de uma menina negra de seis anos, e juntas, encerramos um ciclo fundamental da vida dela: a primeira inf&#226;ncia. Um ciclo que, para muitas fam&#237;lias, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por: Priscilla Arantes</em></strong></p>



<p><em>Educação infantil baiana protagoniza experiências pioneiras de reparação e pertencimento</em></p>



<p>Chegamos ao mês da criança, e confesso: este ano carrega um significado especial pra mim. Sou mãe de uma menina negra de seis anos, e juntas, encerramos um ciclo fundamental da vida dela: a primeira infância. Um ciclo que, para muitas famílias, é sinônimo de descobertas, alegrias e aprendizados; mas que, para famílias negras, também é atravessado pela urgência da proteção.</p>



<p>Porque sim, a infância negra ainda precisa ser protegida.</p>



<p>E não falo de proteção física apenas, mas da proteção simbólica, emocional, daquelas que moldam o que uma criança vai acreditar sobre si. De acordo com uma pesquisa Datafolha encomendada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (2025),<strong> <a href="https://mundonegro.inf.br/uma-em-cada-seis-criancas-de-ate-6-anos-foi-vitima-de-racismo-no-brasil-maioria-dos-casos-ocorre-em-creches-e-pre-escolas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">uma em cada seis crianças de até seis anos no Brasil já foi vítima de racismo</a></strong>. O levantamento mostra que 10% dos cuidadores de crianças até 3 anos afirmam que elas sofreram discriminação racial, e esse número sobe para 21% entre crianças de 4 a 6 anos. Esses números não são apenas dados, são feridas abertas. E elas começam cedo.</p>



<p>O racismo na primeira infância não chega com gritos ou agressões. Ele se infiltra de forma sutil: nos elogios enviesados, nos silêncios, nas ausências, nas narrativas que ainda romantizam o padrão eurocêntrico de beleza e comportamento. Ele aparece quando a boneca preferida nunca tem o cabelo crespo, quando o livro da escola traz apenas uma cor de pele como protagonista, ou quando a criança aprende — mesmo sem palavras — que o bonito é sempre o outro.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A infância negra sob vigilância</strong></h3>



<p>Na minha casa, a vigilância é constante. Os brinquedos são escolhidos com cuidado, as referências negras estão espalhadas por todos os cômodos. Poderia dizer que vivemos em um pequeno quilombo de bonecas e livros. Na TV, evito conteúdos que reforcem padrões coloniais de beleza, preferindo animações neutras, onde ao menos a ausência de estereótipos já é um respiro. Os livros são as minhas maiores aliadas. É ali, entre histórias e ilustrações, que consigo ativar a imaginação e proteger o que considero o bem mais precioso da minha filha: a autoestima.</p>



<p>Mas, como toda mãe, há um momento em que o meu olhar não alcança: o tempo que ela passa na escola. E foi exatamente aí que encontrei um dos capítulos mais bonitos e transformadores da nossa jornada.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Quando a escola decide se transformar</strong></h3>



<p>Durante muito tempo, acreditei que o compromisso racial seria uma luta solitária, travada dentro de casa, entre conversas e reforços diários de identidade. Até perceber que não, educar para a equidade é um dever coletivo, e a escola precisa ser parte ativa desse processo.</p>



<p>Foi com esse espírito que encontrei a Escola Villa Criar, localizada em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, a cidade mais negra do Brasil, onde 79,7% da população se autodeclara negra, segundo o Censo de 2022. A Villa Criar é uma instituição construtivista, que segue a abordagem Reggio Emilia, valorizando a escuta, a autonomia e o protagonismo da criança. Um perfil comum para famílias de classe média branca. Mas o que realmente me surpreendeu foi algo mais profundo: a intencionalidade com que a escola decidiu se transformar.</p>



<p>Quando levei minhas inquietações, encontrei uma equipe que já havia desenhado um projeto antirracista robusto. A coordenadora pedagógica, Brisa Marcelino, me disse uma frase que se tornou norteadora:</p>



<p>“Esse é o maior legado que podemos oferecer para as crianças de hoje, que serão os adultos de amanhã. O reconhecimento das raízes africanas presentes na nossa história e o sentimento de pertencimento de quem faz parte direta dela.”</p>



<p>Essa fala resume o que a escola vem colocando em prática: o antirracismo como princípio educativo, não como pauta eventual. Hoje, o projeto da Villa Criar é uma carta de compromisso com a sociedade. A instituição cumpre integralmente as exigências da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e as leis federais 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, e 11.645/2008, que incluiu também a cultura indígena no currículo escolar.</p>



<p>Os educadores passam por formações contínuas, recebem materiais atualizados e participam de trocas com profissionais de referência em educação antirracista. As crianças aprendem sobre o continente africano com a mesma naturalidade com que aprendem sobre Portugal,&nbsp; entendendo o Brasil não como uma “descoberta”, mas como o encontro de povos.</p>



<p>As saídas pedagógicas também são intencionais: a última delas foi uma visita ao Museu Casa do Benin, no Pelourinho, com as turmas de 5 e 6 anos, um mergulho real na ancestralidade e na história viva da nossa cidade.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Quando o antirracismo é o centro e não o tema</strong></h3>



<p>Mas se a Villa Criar representa uma escola que se <strong>reconstrói com intencionalidade</strong>, há em Salvador uma instituição que nasceu com o antirracismo no DNA: a Escola de Educação Infantil Maria Felipa.</p>



<p>Idealizada pela escritora e pesquisadora Dra. Bárbara Carine e pela educadora Maju Passos, ambas especialistas em equidade racial e de gênero, a Maria Felipa <strong>é pioneira no Brasil em educação 100% afrocentrada</strong>.</p>



<p>Seu nome homenageia uma mulher negra marisqueira, estrategista e guerreira do Recôncavo Baiano, símbolo de resistência e liderança feminina.</p>



<p>Lá, cada detalhe do cotidiano escolar, da escolha dos brinquedos ao cardápio, das cores das paredes às metodologias pedagógicas, é pensado a partir da perspectiva afrocentrada.</p>



<p>A Maria Felipa não apenas ensina sobre o continente africano, ela parte dele. É uma escola que propõe uma revolução epistemológica: romper com a ideia de que o conhecimento válido é apenas o produzido sob lentes eurocêntricas. Em vez de adaptar o currículo às pautas raciais, ela faz da cultura afro-brasileira o centro estruturante do aprendizado.</p>



<p>Esse movimento, liderado por educadoras baianas, mostra o poder de transformação que a educação pode exercer quando decide ser agente ativo de mudança e não espectadora do racismo estrutural.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A Bahia ensina</strong></h3>



<p>Essas duas experiências, Villa Criar e Maria Felipa, se encontram em pontos diferentes da mesma estrada: a da transformação. Uma representa a coragem da reconstrução intencional dentro de uma estrutura tradicional de ensino. A outra, a ousadia de recriar o mundo a partir das nossas raízes.</p>



<p>E o que ambas provam é que a Bahia não é apenas um território de resistência, é um laboratório vivo de uma nova educação, onde o antirracismo não é conceito, é prática.</p>



<p>A educação é, por essência, um caminho sem volta. E quando uma criança negra cresce em um ambiente onde é valorizada, onde se vê representada e respeitada, não há retorno possível para o apagamento. Ela carrega em si o espelho da mudança que o país precisa ver.</p>



<p>A infância é o alicerce da sociedade que desejamos construir. E se o racismo começa cedo, a revolução também precisa começar cedo, nas escolas, nos livros, nos currículos e nas consciências.</p>



<p>Porque, no fim das contas, educar antirracista não é um favor: é uma responsabilidade civilizatória.<em><br><br></em></p>
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		<title>Afeto, carreira e poder: a roda de mulheres negras que está mudando o jogo em Salvador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Priscilla Arantes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Aug 2025 22:00:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[mulher negra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na &#250;ltima semana, Salvador testemunhou mais do que um encontro profissional, presenciou um movimento. A segunda edi&#231;&#227;o da Ciranda Preta, realizada no charmoso restaurante Solar Gastronomia, no Rio Vermelho, reuniu cerca de 80 mulheres negras de diferentes &#225;reas de atua&#231;&#227;o como comunica&#231;&#227;o, direito, economia, eventos, sa&#250;de e poder p&#250;blico. Criada por Danielle Pires e Najara [&#8230;]</p>
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<p>Na última semana, Salvador testemunhou mais do que um encontro profissional, presenciou um movimento. A segunda edição da <strong>Ciranda Preta</strong>, realizada no charmoso restaurante Solar Gastronomia, no Rio Vermelho, reuniu cerca de 80 mulheres negras de diferentes áreas de atuação como comunicação, direito, economia, eventos, saúde e poder público.</p>



<p>Criada por Danielle Pires e Najara Black, a Ciranda Preta nasceu do desejo de unir mulheres negras em espaços de prestígio, muitas vezes pouco ocupados por elas, e transformar jantares em pontes para o futuro. Mais que networking, trata-se de reivindicar presença e ocupar mesas que antes pareciam reservadas a poucos.</p>



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<p>Se a proposta inicial era criar conexões estratégicas para impulsionar carreiras e gerar negócios, o que se viu foi um mergulho coletivo em afeto, autoconfiança e pertencimento. Entre taças erguendo brindes e sorrisos soltos, a alegria,&nbsp; tão característica da cultura baiana, costurou novas histórias e aproximou profissionais que, até então, nunca haviam se encontrado.</p>



<p>“Foi um espaço seguro para ser quem somos e dizer sem medo: ‘eu quero crescer e quero levar outras comigo’”, resumiu Josi Querino, sócia-diretora da Pau Viola Entretenimento. E os resultados falam por si: segundo a organização, 85,7% das presentes vislumbram novas oportunidades de negócios, saíram mais confiantes e acreditam que a rede seguirá rendendo parcerias concretas.</p>



<p>Essa movimentação não é isolada. Segundo o Sebrae, empreendedoras negras já representam mais de 35% das donas de negócios no Brasil, mas ainda enfrentam barreiras para acessar crédito, clientes e redes de influência. Iniciativas como a Ciranda Preta atuam exatamente nesse gargalo: conectar talento e oportunidade.</p>



<p>Além disso, estudos do McKinsey &amp; Company mostram que empresas com diversidade étnico-racial em cargos de liderança têm 36% mais chances de alcançar desempenho financeiro acima da média. Quando se cria um ecossistema onde mulheres negras se fortalecem mutuamente, o ganho não é só individual, é econômico, social e cultural.</p>



<p>Esta iniciativa ser em Salvador é simbólica. A cidade, marcada pela força da ancestralidade negra, oferece o cenário perfeito para um movimento que une identidade, excelência e leveza. A alegria, presente do primeiro ao último brinde, foi catalisadora da sensação de pertencimento. Mesmo para quem chegou sozinha, era impossível não sair com novos contatos e novas amigas.</p>



<p>A Ciranda Preta prova que, quando mulheres negras se encontram com intenção, o impacto ultrapassa as paredes de um restaurante. É sobre carreira, mas também sobre saúde emocional. É sobre negócios, mas também sobre afeto. É sobre agora, mas sobretudo sobre o futuro.</p>



<p>E para Salvador, a mensagem é clara: a cidade não será a mesma depois dessas rodas de conversa e afeto. Porque, no fundo, cada gargalhada ecoada no Solar Gastronomia era também um ato político.</p>



<p>Vida longa à Ciranda Preta!</p>
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		<item>
		<title>Licenciamento aprovado: o Brasil legaliza o racismo ambiental</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/licenciamento-aprovado-o-brasil-legaliza-o-racismo-ambiental/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Priscilla Arantes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jul 2025 10:00:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[ÚLTIMAS NOTÍCIAS]]></category>
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		<category><![CDATA[racismo ambiental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Agência Pública</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A aprovação do novo marco do Licenciamento Ambiental pela Câmara dos Deputados representa um dos maiores retrocessos socioambientais da década — e seus impactos não serão distribuídos de forma igualitária. Esse projeto de lei, travestido de modernização, abre brechas graves para a dispensa de avaliação de impacto ambiental em empreendimentos de alto risco. Em um país marcado por desigualdades estruturais, é urgente nomear: trata-se também da oficialização do racismo ambiental como política de Estado.</p>



<p>Racismo ambiental é quando populações negras, indígenas e periféricas são as mais afetadas pelas decisões que destroem o meio ambiente, mas as menos ouvidas nos processos de decisão. É quando o desenvolvimento é autorizado em territórios onde o Estado historicamente só chega com abandono, ausência de serviços públicos ou repressão. É quando a floresta cai, o rio seca e a conta recai, mais uma vez, sobre quem tem menos recursos para se proteger.</p>



<p>O novo texto aprovado flexibiliza o licenciamento a ponto de permitir que empresas façam autodeclarações em vez de estudos técnicos. Dispensa audiências públicas em determinados casos. E classifica como “baixo impacto” atividades que, na prática, podem causar desmatamentos, poluição e expulsão de comunidades inteiras de seus territórios.</p>



<p>Não é só sobre burocracia. É sobre justiça.</p>



<p>Quando o Estado abre mão de sua responsabilidade de fiscalizar, quem perde não são os grandes empreendedores — são os animais silvestres, que perdem seu habitat, são os povos tradicionais, empurrados à margem, e são as periferias urbanas, que verão os efeitos da degradação ambiental no preço dos alimentos, na escassez de água potável, no aumento das zoonoses e da insegurança climática.</p>



<p>Não há como defender os animais sem defender os territórios onde eles vivem. E não há como falar em defesa ambiental sem enfrentar o racismo estrutural que orienta as prioridades políticas e econômicas do país.</p>



<p>A aprovação desse projeto revela também a urgência de mais diversidade e representatividade nos espaços de decisão. Onde estavam as vozes negras e indígenas quando se decidiu o futuro das florestas e dos rios? Quando a política ignora quem mais sofre os impactos de suas decisões, ela se torna cúmplice da injustiça.</p>



<p>Mas este não é um ponto final. É um chamado.</p>



<p>Precisamos fortalecer as redes de mobilização, ocupar espaços de poder, articular movimentos e transformar indignação em ação política. Porque proteger o meio ambiente também é lutar contra o racismo. Porque defender os animais também é defender os povos e comunidades tradicionais e seu modo de vida. E porque a vida, em todas as suas formas, precisa estar no centro das decisões.</p>



<p><strong>Priscilla Arantes</strong> é jornalista, especialista em comunicação de impacto, colunista do site Mundo Negro e coordenadora de projetos de advocacy voltados para justiça racial, ambiental e direitos humanos.<br><strong>Natalia Figueiredo</strong> é gerente de políticas públicas da Proteção Animal Mundial Brasil. Atua com advocacy socioambiental, políticas públicas para o bem-estar animal e integração entre justiça climática e direitos das comunidades tradicionais.</p>
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		<title>O “Adestramento” da mulher negra: quando o racismo e a misoginia são institucionalizados</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/o-adestramento-da-mulher-negra-quando-o-racismo-e-a-misoginia-sao-institucionalizados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Priscilla Arantes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Jul 2025 13:39:34 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[marina silva]]></category>
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<p>O que aconteceu na Câmara dos Deputados no dia 2 de julho de 2025 não foi um simples embate político. Foi um ataque público e coordenado contra a <strong><a href="https://mundonegro.inf.br/marina-silva-critica-violencia-politica-de-genero-apos-fala-sobre-enforca-la-psicopatas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ministra Marina Silva</a></strong>, que é, além de Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, deputada federal eleita pelo povo brasileiro, ou seja, ela faz parte daquela Casa. Mesmo assim, ou justamente por isso, foi alvo de insultos, distorções, ironias, desrespeito e misoginia, num espetáculo que mais parecia um linchamento institucional do que uma audiência pública.</p>



<p>Deputados como <strong>Rodolfo Nogueira (PL-MS)</strong>, que presidia a sessão e fez piada com o uso de avião oficial pela Ministra; <strong>Evair Vieira de Melo (PP-ES)</strong>, que liderou os ataques com discurso inflamado e recheado de desinformação; além de <strong>Gustavo Gayer (PL-GO), Zé Trovão (PL-SC), Delegado Caveira (PL-PA), Silvia Waiãpi (PL-AP), Pastor Marco Feliciano (PL-SP), Rodrigo da Zaeli (PL-MT) e Coronel Chrisóstomo (PL-RO)</strong>, todos atuaram como se estivessem acima da Constituição, do regimento interno e do mínimo de decência parlamentar.</p>



<p>Utilizaram o microfone e a imunidade parlamentar, que deveria proteger o debate democrático como escudo para seus preconceitos individuais, escancarando o racismo, o machismo e a intolerância religiosa com ares de normalidade. Essa imunidade não foi feita para isso. O que vimos foi a distorção de um privilégio constitucional sendo usado para tentar silenciar e humilhar uma das figuras públicas mais respeitadas do Brasil e do mundo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A violência política tem cor e gênero</strong></h3>



<p>É impossível assistir ao que aconteceu com Marina Silva e não reconhecer o padrão: a violência institucional contra mulheres negras no Brasil é muito mais brutal do que contra qualquer homem branco sob as mesmas condições. O que Marina enfrentou naquela audiência não seria tolerado se fosse dirigido a um ministro branco, de elite, ligado aos mesmos interesses que ela enfrenta diariamente com coragem.</p>



<p>A necessidade de mais mulheres no Congresso é inquestionável. Mas o que também é inquestionável, e revoltante, é que todas que chegam estão submetidas a um tratamento inconstitucional, violento, deslegitimador e, muitas vezes, impune. Isso não é democracia, é barbárie travestida de debate.</p>



<p>E que fique claro: Marina não estava ali como convidada, como alguém de fora. Ela é deputada federal eleita, com a legitimidade que muitos ali parecem querer esquecer. Seu lugar é naquela Casa, e sua voz incomoda exatamente porque representa um Brasil que eles se recusam a aceitar: plural, diverso, popular, negro, amazônico, resistente.</p>



<p>Os ataques não foram apenas pessoais, foram estratégicos. Acusaram a Ministra de “perseguir o agro”, de “confiscar gado”, de “culpar São Pedro” pelas queimadas, e de liderar um ministério “inoperante”. Tudo isso enquanto ignoram deliberadamente os dados que mostram uma queda de 46% no desmatamento da Amazônia e um investimento recorde em fiscalização e combate a incêndios.</p>



<p>Ao distorcer os fatos, esses parlamentares tentam sabotar políticas públicas que buscam proteger o meio ambiente, conter o colapso climático e enfrentar crimes ambientais. Fazem isso em nome de uma suposta “defesa do produtor rural”, mas, na prática, defendem interesses ilegais e predatórios que avançam sobre terras públicas, indígenas e de conservação.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Silenciar Marina é silenciar tudo o que ela representa ela, que hoje, um dos principais símbolos vivos da luta por justiça socioambiental. E é justamente isso que a torna alvo. Atacam Marina porque ela ousa dizer não à devastação. Porque ela diz sim à floresta, aos povos originários, à ciência e à democracia. Porque sua trajetória — uma mulher negra, evangélica, vinda do seringal — é uma ameaça à lógica racista e elitista que ainda domina o poder político brasileiro.</h3>



<p>Quando a Deputada Juliana Cardoso (PT-SP) denuncia que Marina é atacada “por não se curvar e não se vender”, ela está dizendo o óbvio que muitos insistem em ignorar. E quando a Deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) afirma que “o que precisa ser adestrado nesta Casa é o racismo e a misoginia”, ela aponta o cerne do problema: o racismo político está institucionalizado, e ninguém faz nada.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A democracia está em risco e o silêncio é cúmplice</strong></h3>



<p>Essa audiência foi mais do que um episódio vergonhoso. Ela é um alerta sobre o que está em jogo. A tentativa de calar Marina é também uma tentativa de desacreditar os dados, atacar as instituições ambientais, relativizar o papel do Parlamento e transformar a arena política em um ringue de ódio.</p>



<p>E não podemos esquecer: muitos dos que hoje atacam Marina são os mesmos que flertaram com os atos antidemocráticos. São os mesmos que defendem a liberação total de agrotóxicos, o garimpo ilegal e o desmonte das leis ambientais. Eles não têm compromisso com o futuro, têm compromisso com a destruição.</p>



<h5 class="wp-block-heading">Nossa resposta precisa ser coletiva, defender Marina Silva é defender a legitimidade das mulheres negras na política, a integridade das políticas ambientais, a ciência, o direito à verdade e o Estado Democrático de Direito. Não é apenas sobre uma pessoa. É sobre o Brasil que queremos construir e o Brasil que precisamos proteger.</h5>



<p>Não basta mais dizer “repudiamos”. É hora de exigir responsabilização pública e política. É hora de cobrar dos partidos, das lideranças e da sociedade civil que digam: não aceitaremos mais esse tipo de violência.</p>



<p>Marina não está sozinha. Ela representa milhões de brasileiras e brasileiros que lutam todos os dias para existir com dignidade. E enquanto houver uma floresta em pé e uma mulher negra resistindo no poder, haverá esperança.<br><em>Por </em><strong><em>Priscilla Arantes</em></strong><em>, comunicadora de impacto com ênfase em Políticas Públicas, fundadora do Instituto Afroella e </em><strong><em>Natália Figueiredo</em></strong><em>, gerente de Políticas Públicas da Proteção Animal Mundial.</em></p>
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		<title>O cansaço seletivo da internet e a pressa em esquecer Juliana Marins</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/o-cansaco-seletivo-da-internet-e-a-pressa-em-esquecer-juliana-marins/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Priscilla Arantes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 18:55:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Priscilla Lopes Arantes Nos &#250;ltimos dias, acompanhamos com tristeza, indigna&#231;&#227;o e uma avalanche de informa&#231;&#245;es contradit&#243;rias a not&#237;cia da morte de Juliana Marins, jovem niteroiense que caiu durante uma trilha em um vulc&#227;o na Indon&#233;sia. O caso rapidamente mobilizou a imprensa, as redes sociais e gerou uma onda de solidariedade &#8211; que durou pouco. [&#8230;]</p>
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<p><a href="https://www.instagram.com/priscillarantesss/"><em>Por Priscilla Lopes Arantes</em><br></a></p>



<p>Nos últimos dias, acompanhamos com tristeza, indignação e uma avalanche de informações contraditórias a notícia da morte de Juliana Marins, jovem niteroiense que caiu durante uma trilha em um vulcão na Indonésia. O caso rapidamente mobilizou a imprensa, as redes sociais e gerou uma onda de solidariedade – que durou pouco. Desde então, o que se vê é um sentimento crescente de saturação, como se houvesse um tempo determinado para a dor alheia ser considerada relevante.</p>



<p>Juliana ainda não voltou para casa. Seu corpo ainda está em trânsito. A família, em um processo de luto interrompido, segue lutando por respostas e por um desfecho digno. Mesmo assim, já há quem diga: “chega desse assunto”, “isso não vai trazê-la de volta”, “deixem ela descansar”. Mas como descansar se não houve sequer o direito ao luto completo? Como virar a página de uma história que sequer foi lida por inteiro?</p>



<p>Esse tipo de “cansaço seletivo” tem se tornado uma marca cruel da era digital. A comoção pública é intensa e performática, mas também descartável. O algoritmo exige novidade. A empatia, por sua vez, parece ter prazo de validade. A dor precisa ser rápida, contida e silenciosa. O luto só é aceito quando não exige demais.</p>



<p>É impossível não notar como esse padrão se repete especialmente quando a vítima é uma mulher negra. Juliana era uma mulher negra, e embora isso não devesse determinar a forma como sua morte é tratada, sabemos que determina. A indignação coletiva parece ter um filtro racial, e a empatia, um limite de cor e classe. A insistência da família por uma nova autópsia, os relatos de demora no resgate e as falhas de comunicação das autoridades indonésias são vistos, por muitos, como “exagero” ou “vitimização”. Se não for para virar notícia de consumo imediato, então que se esqueça. A pressa em silenciar sua história é um espelho desconfortável do quanto ainda naturalizamos a desumanização de determinadas vidas.</p>



<p>E como se não bastasse o abandono narrativo, agora começa também a tentativa de responsabilizar Juliana por sua própria morte. Em vez de solidariedade, surgem as críticas disfarçadas de bom senso: “ela era adulta”, “sabia dos riscos”, “por que não contratou seguro?”, “quem mandou se aventurar?” Como se o desejo de viver intensamente fosse um privilégio reservado a alguns corpos. A tentativa de culpabilizá-la é cruel – e comum quando a vítima não se encaixa no ideal social de inocência ou merecimento. Juliana não morreu porque foi imprudente. Morreu porque algo deu errado. E mesmo que tivesse sido uma fatalidade – o que, até agora, segue sem confirmação técnica – culpar quem partiu é uma violência dupla. Quando a vítima é uma mulher negra, essa violência raramente encontra freios.</p>



<p>O que se espera, ao menos, é dignidade. Dignidade para a memória de Juliana. Dignidade para a dor da sua família. Dignidade para que seu nome não seja tratado como um “assunto superado” antes mesmo que o avião que traz seu corpo tenha pousado. O Brasil precisa aprender a lidar com a morte para além do espetáculo, e com o luto para além do clique.</p>



<p>A internet tem o poder de amplificar vozes e gerar mobilização. Mas também carrega o vício de reduzir tragédias a entretenimento, de tratar vidas como virais, e dores como “notícias velhas”. Precisamos nos perguntar: quem tem direito à comoção contínua? Quem pode viver – e até morrer – sem ser culpado por isso?</p>



<p>Juliana merece mais do que o silêncio apressado das redes. Ela merece justiça. E sua família, respeito.</p>
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		<title>ERRO 404: IA sem mulheres negras é só mais um código de exclusão</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/erro-404-ia-sem-mulheres-negras-e-so-mais-um-codigo-de-exclusao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Priscilla Arantes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Jun 2025 08:55:03 +0000</pubDate>
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<p>A inteligência artificial avança como um foguete. Mas a pergunta que precisamos fazer é: quem está na cabine de comando? E mais ainda — quem nem sequer foi convidada para o embarque? Enquanto o mundo celebra algoritmos que “pensam” por nós, <strong>mulheres negras seguem sendo ignoradas nos espaços que decidem o futuro da tecnologia.</strong> Estamos diante de uma revolução que corre o risco de repetir, em altíssima velocidade, as mesmas exclusões do passado.</p>



<p>Nas últimas semanas, dois estudos acenderam um alerta importante. Um deles, publicado em 2025 pelo Brookings Institute, revelou que <strong>sistemas de IA usados em processos seletivos nos Estados Unidos penalizam candidatos com nomes racializados — especialmente mulheres negras — </strong>favorecendo aqueles com nomes brancos e masculinos. Do outro lado do hemisfério, o relatório da <strong>PretaLab</strong>, iniciativa brasileira comandada por <strong>Sil Bahia</strong>, revelou que<strong> 35% dos profissionais de tecnologia entrevistados disseram não ter nenhuma pessoa negra em suas equipes</strong>; 65% relataram que menos de 20% do time é composto por mulheres. Traduzindo: o que está sendo vendido como inovação, muitas vezes, está sendo produzido num laboratório de exclusão.</p>



<p>E quando a gente fala que o racismo é estrutural, não é figura de linguagem: ele agora também está no código. Está nas plataformas que não reconhecem nossos rostos, nas ferramentas que filtram nossos currículos, nas inteligências artificiais que insistem em não nos ver. A tecnologia, dizem, é neutra. Mas a história já nos ensinou: neutralidade, num mundo desigual, é conivência.</p>



<p>A boa notícia é que estamos longe de sermos apenas vítimas dessa engrenagem. Iniciativas como a PretaLab e a <strong>PrograMaria</strong> mostram que é possível — e urgente — reprogramar esse sistema a partir de outras lógicas. Não basta ensinar a programar. É preciso também hackear os imaginários, ocupar os bastidores, os conselhos, os editais, os algoritmos. É preciso que a presença de mulheres negras deixe de ser exceção para se tornar regra. Porque quando somos parte da criação, a tecnologia ganha outro ritmo, outro sotaque, outra visão de mundo.</p>



<p>Um exemplo potente dessa virada é o projeto <strong>Faces Negras Importam</strong>, do Banco do Brasil. Usando inteligência artificial, o projeto reconstrói visualmente personagens negras da nossa história — como <strong>Maria Felipa </strong>e <strong>Tereza de Benguela</strong> — que foram sistematicamente apagadas pela narrativa oficial. É IA sendo usada não para vigiar, excluir ou filtrar, mas para lembrar, recuperar e valorizar. Isso também é futuro. E é o tipo de inovação que queremos ver pulsando nos grandes centros de decisão.</p>



<p>Mas nenhuma iniciativa isolada dá conta se não houver mudança sistêmica. Políticas públicas precisam garantir acesso e permanência de mulheres negras nas áreas de ciência, tecnologia e engenharia. Empresas privadas precisam ir além da foto da diversidade no LinkedIn. Precisam revisar seus critérios, seus algoritmos, seus processos de promoção. Precisam entender que inovação sem interseccionalidade é apenas um salto tecnológico com o pé fincado na desigualdade.</p>



<p>Inteligência artificial não pode ser sinônimo de apagamento programado. O futuro não pode ser escrito em código binário, mas em pluralidade. E nisso, nós, mulheres negras, temos muito a ensinar — sobre memória, justiça, reinvenção e sobrevivência. Não queremos apenas que a IA nos veja. Queremos que ela nos reconheça. E, sobretudo, que nos respeite.<strong> O futuro da tecnologia precisa ser coletivo, plural e antirracista. </strong>Não queremos apenas consumir o que vem da inteligência artificial — queremos programar, regular, auditar e decidir. Queremos que o código reflita nossas histórias, nossos corpos e nossas narrativas. Porque inteligência de verdade só existe quando considera a dignidade de todos os sujeitos.</p>
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		<title>Por que eles têm medo de crianças pretas felizes?</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/por-que-eles-tem-medo-de-criancas-pretas-felizes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Priscilla Arantes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Mar 2025 08:55:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sou m&#227;e de uma menina preta de 5 anos, e cada dia &#233; um ato de resist&#234;ncia. Criar uma crian&#231;a negra nesta sociedade n&#227;o &#233; tarefa para os fracos. N&#227;o somos passivos expectadores de uma hist&#243;ria que nos foi imposta; somos seus protagonistas reescritos, linha por linha, respiro por respiro. Sei que criar uma crian&#231;a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sou mãe de uma menina preta de 5 anos, e <strong>cada dia é um ato de resistência.</strong> Criar uma criança negra nesta sociedade não é tarefa para os fracos. Não somos passivos expectadores de uma história que nos foi imposta; somos seus protagonistas reescritos, linha por linha, respiro por respiro.</p>



<p>Sei que criar uma criança não é responsabilidade de apenas duas pessoas. Como nos ensina a sabedoria africana, <strong><a href="https://mundonegro.inf.br/7-em-cada-10-meninos-negros-querem-aprender-como-tratar-meninas-e-mulheres-com-respeito-diz-pesquisa/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&#8220;é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança&#8221;</a></strong>. Nossa aldeia é construída com consciência, com escolhas políticas que desafiam a cada segundo a estrutura racista que tenta nos reduzir.</p>



<p>Escolhemos uma escola que não é apenas um espaço educacional, mas um território de acolhimento e transformação. Um lugar onde minha filha não precisa &#8220;se adequar&#8221;, mas onde ela simplesmente existe em sua potência plena. Onde educadores compreendem que sua presença não é uma concessão, mas um direito.</p>



<p><strong>Educação positiva não é romantismo, é revolução.</strong> Recusamos veementemente qualquer método que traduza disciplina como violência. Nossos &#8220;não&#8221; são explicados, nossos limites são construídos com diálogo. Não esperamos milagres sentados em um engradado de cerveja. Construímos futuro com as próprias mãos, com intencionalidade.</p>



<p>E adivinhem? Esse posicionamento incomoda. E muito.</p>



<p>Incomoda porque quebramos o ciclo de violências institucionais. Incomoda porque nossa filha não será mais um número estatístico de evasão escolar, de violência racial, de sub-representação. Incomoda porque estamos criando uma geração que não vai pedir permissão para existir.</p>



<p>Este artigo não é apenas meu. É de todas as mães e pais que escolhem criar seus filhos negros como ato político de resistência. Que se reconhecem no direito de sonhar, de questionar, de existir em plenitude.</p>



<p>Para todas as mães e pais que estão nessa jornada: sintam-se compreendidos, fortalecidos. Nossa revolução não pede licença. Ela simplesmente acontece.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Crianças pretas em modo revolução</strong></h2>



<p>Quando uma criança negra tem acesso a educação de qualidade, alimentação adequada, prática esportiva, desenvolvimento de pensamento crítico e liderança, e cresce em um ambiente de educação positiva sem violência, isso não deveria ser excepcional. No entanto, em nossa sociedade estruturalmente racista, tal realidade é frequentemente vista com estranheza ou como uma ameaça à ordem estabelecida. O lugar socialmente designado para o negro na sociedade brasileira não é o da excelência, do protagonismo ou do sucesso, mas sim o da subalternidade. Quando nos recusamos a ocupar esse lugar, o sistema reage.</p>



<p>Educar crianças negras para o pensamento crítico e a autoconfiança transcende o ambiente familiar; é um posicionamento político que desafia estruturas seculares de subordinação. <strong>bell hooks, Lélia Gonzalez e Conceição Evaristo</strong> nos ensinam que essa educação representa uma ruptura direta com os ciclos de opressão.</p>



<p>Quando uma criança negra ocupa espaços tradicionalmente reservados à população branca — seja em escolas de qualidade, cursos de idiomas ou atividades esportivas — ela não está &#8220;tirando&#8221; lugar de ninguém. Simplesmente está exercendo um direito que sempre lhe foi negado.</p>



<p>Estudos indicam que a presença de alunos negros em escolas particulares no Brasil é significativamente baixa. <strong>O Censo Escolar de 2020 revelou que, em média, alunos negros correspondem a apenas 10% do corpo estudantil nas instituições privadas de ensino. </strong>Além disso, constatou-se que, quanto mais alta a mensalidade e melhor a colocação da escola no <strong>Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)</strong>, menor é o percentual de estudantes pretos e pardos matriculados. Em São Paulo, escolas de elite apresentam entre 0,3% e 6% de alunos negros, abaixo da média nacional de 12% em escolas privadas.</p>



<p>Quando educamos crianças negras para questionarem as estruturas sociais, reconhecerem a própria história para além das narrativas eurocêntricas e desenvolverem autoestima elevada, estamos criando indivíduos capazes de romper com ciclos de opressão. Essa ruptura provoca ressentimento em uma sociedade estruturada sobre a premissa da subordinação negra.</p>



<p>Por que dividir privilégios é tão difícil? Porque o privilégio branco se sustenta na invisibilidade de suas vantagens. Quando essa estrutura é questionada pela presença de crianças negras bem-educadas, articuladas e seguras, a reação social é de estranhamento e resistência.</p>



<p>O mito da meritocracia serve como escudo para defender desigualdades históricas. As famílias negras que criam seus filhos com consciência racial, autoestima elevada e ferramentas para enfrentar o racismo realizam um trabalho revolucionário. A presença de crianças negras ocupando espaços com naturalidade, liderando, expressando-se artisticamente e desenvolvendo pensamento crítico representa uma contestação viva às narrativas de inferioridade racial.</p>



<p>O caminho para a equidade racial passa pelo desconforto de quem sempre teve privilégios e agora precisa aprender a dividir. Cada criança negra que cresce com direitos plenos, sem traumas de rejeição, é uma semente de transformação.</p>



<p>Nosso desafio é não recuar. Garantir que crianças negras tenham infâncias livres, saudáveis e potentes é uma revolução silenciosa que ressignifica o futuro. E essa revolução não pede permissão.</p>
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		<title>“Mulheres negras sambam para que mulheres brancas lucrem”</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/mulheres-negras-sambam-para-que-mulheres-brancas-lucrem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Priscilla Arantes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Mar 2025 18:27:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Li essa frase em algum momento, durante o carnaval, rolando o feed numa rede social e me inquietou. E, apesar de eu j&#225; ter mencionado as lacunas da festa mais democr&#225;tica do Brasil na minha &#250;ltima publica&#231;&#227;o, n&#227;o consegui ignorar essa &#8220;provoca&#231;&#227;o&#8221;. O carnaval brasileiro &#233; uma celebra&#231;&#227;o profundamente enraizada na cultura negra, com figuras [&#8230;]</p>
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<p>Li essa frase em algum momento, durante o carnaval, rolando o feed numa rede social e me inquietou. E, apesar de eu já ter mencionado as lacunas da festa mais democrática do Brasil na minha última publicação, não consegui ignorar essa “provocação”. O carnaval brasileiro é uma celebração profundamente enraizada na cultura negra, com figuras históricas como Tia Ciata, Chiquinha Gonzaga, Dona Ivone Lara e Mãe Menininha do Gantois e vem desempenhando papéis fundamentais na democratização e diversidade da nossa maior manifestação cultural. No entanto, apesar dessa base cultural, a ascensão e representação das mulheres negras nos espaços de liderança e destaque do carnaval ainda são limitadas.</p>



<p>Reconhecido mundialmente como manifestação cultural de raiz predominantemente negra, a celebração popular movimenta bilhões na economia nacional através do turismo, geração de empregos e produção cultural. No entanto, quando analisamos as estruturas de poder e liderança por trás desta grande celebração, emerge um paradoxo inquietante: as mulheres negras, principais protagonistas na preservação das tradições que dão forma ao carnaval, continuam sub-representadas nos espaços de decisão e poder econômico.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O paradoxo da representatividade</strong></h2>



<p>Enquanto a presença feminina em posições de liderança dentro do setor carnavalesco vem crescendo, a representatividade de mulheres negras não acompanha este avanço na mesma proporção. Observamos um fenômeno no qual a cultura de origem negra é celebrada, comercializada e lucrativa, mas as descendentes diretas desta herança cultural permanecem à margem das principais estruturas de poder.</p>



<p>Segundo dados do IBGE, 56% da população brasileira se autodeclara negra (preta ou parda), com as mulheres negras representando cerca de 28% dos brasileiros. No entanto, quando observamos o cenário de lideranças nos grandes eventos carnavalescos, este percentual cai drasticamente.</p>



<p>De acordo com o levantamento realizado pelo Instituto Ethos em seu relatório &#8220;Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas&#8221;, apenas 0,4% dos cargos executivos são ocupados por mulheres negras. No setor de entretenimento e eventos, a situação não é diferente.</p>



<p>Um estudo do Observatório da Diversidade na Mídia demonstrou que, apesar de o carnaval movimentar aproximadamente R$ 8 bilhões na economia brasileira (dados da CNC &#8211; Confederação Nacional do Comércio), as mulheres negras comandam menos de 10% dos grandes projetos carnavalescos, sejam blocos, camarotes ou escolas de samba.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Lideranças femininas: um avanço com lacunas</strong></h2>



<p>Apesar do destaque ao crescimento da liderança feminina em grandes camarotes e eventos, uma análise mais aprofundada revela que estas posições são majoritariamente ocupadas por mulheres brancas de classe média-alta. Enquanto isso, mulheres negras continuam concentradas em funções operacionais, criativas ou como atrações, raramente alcançando as posições estratégicas ou de propriedade dos empreendimentos.</p>



<p>As exceções existem e merecem destaque: Danielle Pires, é responsável pela implantação das áreas de Sustentabilidade Corporativa e DE&amp;I da Premium Entretenimento, realizadora do Camarote Salvador, que se destaca como uma das maiores festas privadas de carnaval no Brasil. A intencionalidade e o compromisso tornou o empreendimento uma plataforma de transformação por meio da sustentabilidade com propósito socioambiental, inevitavelmente perpassando pela pauta racial, ela e outras lideranças têm quebrado barreiras, no entanto, são casos isolados em um universo onde a regra continua sendo a exclusão.</p>



<p>Um setor que se alimenta tão profundamente da cultura negra deveria ter como prioridade a reparação histórica através da inclusão efetiva de mulheres negras em todas as camadas de sua estrutura. Não se trata apenas de justiça social, mas também de coerência estratégica &#8211; um carnaval que valoriza suas raízes e representantes originais tende a ser mais autêntico, inovador e sustentável a longo prazo.</p>



<p>Algumas iniciativas apontam caminhos possíveis:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Programas de incubação para empreendimentos carnavalescos liderados por mulheres negras</li>



<li>Políticas de contratação inclusivas para posições estratégicas em produtoras e organizadoras de eventos</li>



<li>Linhas de crédito e investimento específicas para projetos com liderança feminina negra</li>



<li>Campanhas de conscientização sobre a importância da representatividade autêntica</li>
</ul>



<p>O carnaval brasileiro tem o potencial de ser um laboratório de transformação social e econômica, desde que enfrente seus próprios paradoxos. A responsabilidade social do setor passa necessariamente por rever suas estruturas de poder e abrir espaço para que as mulheres negras ocupem não apenas o centro do desfile, mas também as mesas de decisão.</p>



<p>A verdadeira democratização da festa mais popular do Brasil só acontecerá quando aquelas que sempre estiveram na linha de frente da preservação cultural &#8211; as mulheres negras &#8211; puderem também estar na liderança dos negócios que movimentam bilhões durante o período carnavalesco.<br>O setor tem demonstrado capacidade de adaptação e inovação ao longo dos anos. Agora, é preciso direcionar esta capacidade para a construção de um carnaval economicamente próspero e socialmente justo, onde a representatividade não seja apenas um elemento decorativo, mas estrutural.</p>
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		<title>Carnaval e desigualdade: da “passarela do apartheid” aos compromissos socioambientais da folia baiana</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/carnaval-e-desigualdade-da-passarela-do-apartheid-aos-compromissos-socioambientais-da-folia-baiana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Priscilla Arantes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Feb 2025 17:42:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Que o carnaval de Salvador &#233; dominado pela elite branca, apesar do contexto hist&#243;rico cultural da cidade, n&#227;o &#233; exatamente uma novidade, por&#233;m, em pleno s&#233;culo XXI, em que as discuss&#245;es sobre neg&#243;cios de impacto, sustentabilidade e diversidade est&#227;o afloradas e em fase de transforma&#231;&#227;o e educa&#231;&#227;o, assistimos a um epis&#243;dio que escancarou as contradi&#231;&#245;es [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Que o <a href="https://mundonegro.inf.br/paulo-barros-e-a-falacia-da-repeticao-quando-a-ignorancia-tenta-silenciar-o-protagonismo-negro-no-carnaval/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>carnaval de Salvador</strong> </a>é dominado pela elite branca, apesar do contexto histórico cultural da cidade, não é exatamente uma novidade, porém, em pleno século XXI, em que as discussões sobre negócios de impacto, sustentabilidade e diversidade estão afloradas e em fase de transformação e educação, assistimos a um episódio que escancarou as contradições sociais do carnaval de Salvador. A construção de <strong>uma passarela ligando o Morro do Ipiranga a camarotes de luxo</strong> – obra financiada por empresários ligados ao setor – expõe a face mais perversa dessa festa: <strong>a segregação social disfarçada de infraestrutura.</strong> Apelidada de<strong> &#8220;passarela do apartheid&#8221;</strong> pela população local, <strong>a estrutura foi embargada hoje (27) pela justiça após intensa reação popular,</strong> e levanta questões importantes sobre o verdadeiro espírito do carnaval brasileiro.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A segregação que veio do alto</strong></h2>



<p>O caso é emblemático: <strong>enquanto o carnaval de rua teoricamente representa a celebração da cultura popular, da diversidade e da inclusão, a passarela serviria justamente para o propósito oposto. </strong>Ao permitir que os frequentadores dos camarotes de luxo atravessassem por cima da multidão que curte a festa na rua, criou-se uma metáfora visual perfeita da desigualdade social brasileira.</p>



<p>A justificativa de &#8220;segurança&#8221; para os clientes VIP não consegue mascarar o simbolismo segregacionista da estrutura. Afinal, se o carnaval é democrático, por que alguns precisam estar literalmente acima dos outros? <strong>O embargo judicial, motivado por irregularidades no licenciamento, veio respaldar o que a indignação popular já havia denunciado</strong>: não há espaço para o apartheid social em uma festa que se pretende democrática.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Iniciativas que apontam caminhos: sustentabilidade além do discurso</strong></h2>



<p>Enquanto isso, o próprio <strong>Camarote Salvador</strong>, um dos mais tradicionais da folia baiana, anunciou medidas de sustentabilidade para a edição de 2024. Segundo suas divulgações, o evento teria adotado práticas como gestão adequada de resíduos, redução do uso de plásticos e uso de materiais de menor impacto ambiental. Iniciativas louváveis, sem dúvida, mas que perdem força quando confrontadas com o contexto maior do carnaval: um evento que gera toneladas de lixo e se sustenta, muitas vezes, em estruturas de exclusão social.</p>



<p>A contradição é evidente: <strong>como conciliar o discurso sustentável com a realidade de camarotes que custam milhares de reais, inacessíveis para a maioria da população que constitui a verdadeira alma do carnaval? </strong>A sustentabilidade genuína não pode se limitar ao gerenciamento de resíduos ou à economia de energia – deve incluir também o aspecto social e a redução de desigualdades.</p>



<p>Isto posto, para 2025,<strong> o camarote adotou o compromisso de se tornar um evento lixo zero</strong>, implementando a reutilização de materiais, reciclagem e estratégias para minimizar o desperdício durante os períodos de montagem e desmontagem.</p>



<p>Além disso, a iniciativa prevê a destinação adequada dos resíduos e a compensação da pegada de carbono do evento, fortalecendo parcerias com organizações ambientais e priorizando fornecedores que compartilham dos mesmos valores sustentáveis. Esse tipo de ação demonstra que <strong>há um esforço em alinhar práticas de grande porte com a responsabilidade socioambiental</strong>, algo que pode servir de inspiração para outras estruturas do carnaval.</p>



<p>Neste cenário, ganham destaque propostas que integram verdadeiramente os pilares da sustentabilidade, como o exemplo da Loygus. A empresa, no mercado há 30 anos, fortemente conhecida no carnaval de Salvador, se renovou, agora não apenas utiliza tecidos reciclados na confecção de abadás, entregues em sacolas feitas de resíduos da própria produção, mas também incorpora uma dimensão social ao empregar mulheres trans indicadas pelo <strong>Instituto Pérolas de Cristo</strong>, organização que acolhe mulheres em situação de vulnerabilidade.</p>



<p><strong>A iniciativa demonstra que é possível alinhar inovação, sustentabilidade ambiental e inclusão social</strong>, criando um modelo de negócio que contribui para a transformação da sociedade em vez de reproduzir suas desigualdades. O impacto positivo estende-se além do produto final, alcançando pessoas historicamente marginalizadas e oferecendo-lhes oportunidades de trabalho digno.</p>



<p>O contraste entre a &#8220;passarela do apartheid&#8221; e iniciativas como a da Loygus e do Camarote Salvador nos convida a repensar o carnaval que queremos. <strong>Será que a maior festa popular do Brasil continuará reproduzindo e até ampliando as desigualdades sociais do país, ou poderá se transformar em um espaço genuíno de celebração da diversidade, inclusão e sustentabilidade?</strong></p>



<p><strong>O embargo da passarela sinaliza que há limites para a segregação, mesmo em um país acostumado com abismos sociais. </strong>Mas além da rejeição ao que nos separa, precisamos fortalecer o que nos une – e nesse sentido, iniciativas que combinam responsabilidade ambiental com inclusão social apontam caminhos promissores.</p>



<p><strong>O verdadeiro carnaval sustentável será aquele que, para além do gerenciamento de resíduos e economia de recursos, promova a inclusão, a diversidade e a redução das desigualdades.</strong> Que a polêmica da passarela nos sirva como lembrete de que a festa mais popular do Brasil deve ser construída não sobre estruturas que separam, mas sobre pontes que unem diferentes realidades em um mesmo espaço de celebração.</p>
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		<title>Conheça o festival de Salvador que hackeou o sistema</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/conheca-o-festival-de-salvador-que-hackeou-o-sistema/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Priscilla Arantes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Dec 2024 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Festival Afrofuturismo]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Festival Afrofuturismo se consolidou unindo ancestralidade, resist&#234;ncia e a constru&#231;&#227;o do futuro negro Sigo reverberando toda a experi&#234;ncia que fui exposta no Festival Afrofuturismo &#8211; Ano VI, que, agora em 2024, se ergueu como um marco de resist&#234;ncia e celebra&#231;&#227;o da cultura negra. Nos dias 29 e 30 de novembro, Salvador testemunhou a sexta edi&#231;&#227;o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Festival Afrofuturismo se consolidou unindo ancestralidade, resistência e a construção do futuro negro</em></p>



<p>Sigo reverberando toda a experiência que fui exposta no Festival Afrofuturismo &#8211; Ano VI, que, agora em 2024, se ergueu como um marco de resistência e celebração da cultura negra. Nos dias 29 e 30 de novembro, Salvador testemunhou a sexta edição do festival, que trouxe como tema central &#8220;Adinkras – O Código Fonte da Liberdade&#8221;, uma homenagem aos símbolos originários do povo Asante, em Gana.</p>



<p>Em um ano marcado por desafios para a realização de eventos afrocentrados por falta de patrocínio, fez&nbsp; acender um alerta para quem trabalha na área, e com a pauta racial, mas o FAF reafirmou sua relevância ao promover uma celebração transformadora da cultura negra, como um espaço essencial para a valorização da ancestralidade africana, discutindo caminhos para um futuro mais inclusivo e representativo.</p>



<p>Com uma programação diversificada, o festival ocupou o coração da capital baiana, distribuindo suas atividades por locais emblemáticos como a Casa Vale do Dendê, o Museu Eugênio Teixeira, o Teatro Sesc Pelourinho e a Casa do Olodum. Cada espaço simbolizava a fusão entre o passado e o futuro, entre tradição e inovação.</p>



<p>O tema escolhido, &#8220;Adinkras – O Código Fonte da Liberdade&#8221;, trouxe à tona a profundidade filosófica dos símbolos africanos, que carregam significados ligados à espiritualidade, ética e governança. Essa reflexão permeou todas as atividades, conectando a ancestralidade africana às inovações contemporâneas em tecnologia, arte e educação.</p>



<p>Os debates foram o ponto alto do festival, reunindo especialistas, ativistas e lideranças negras em mesas de conversa que abordaram questões como racismo estrutural, representatividade e inovação. Destaques incluíram:</p>



<p>&#8220;Ancestrais do Futuro: Construindo uma Nova Cosmovisão para o Amanhã&#8221;, com Grazi Mendes, reconhecida como uma das 100 futuristas negras mais influentes do mundo.</p>



<p>&#8220;A Influência Digital no Combate ao Racismo&#8221;, explorando a tecnologia como ferramenta de transformação social.</p>



<p>&#8220;Construindo uma Escola de Marketing Antirracista – Unilever Brasil&#8221;, que apresentou estratégias corporativas para transformar práticas de comunicação sob uma ótica inclusiva e diversa.</p>



<p>Esse último debate, promovido pela Unilever, contou com a presença de Vinícius Araújo e Ana Carolina Valentim, destacando iniciativas práticas para a promoção da equidade racial no setor corporativo. Ainda temos muito o que falar sobre isso.</p>



<p>Ainda sobre marcas, novidades deste ano foi a Casa Dove, um espaço que uniu cuidado pessoal, representatividade e autoestima. Localizada no coração do festival, a Casa Dove promoveu oficinas de autocuidado, workshops sobre padrões de beleza e discussões sobre como a estética pode ser um ato de resistência. Mas isso é pauta para um outro artigo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/12/IMG_7136-1024x683.webp" alt="" class="wp-image-86154" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/12/IMG_7136-1024x683.webp 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/12/IMG_7136-300x200.webp 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/12/IMG_7136-150x100.webp 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/12/IMG_7136-768x512.webp 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/12/IMG_7136-1536x1024.webp 1536w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/12/IMG_7136-630x420.webp 630w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/12/IMG_7136-696x464.webp 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/12/IMG_7136-1068x712.webp 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/12/IMG_7136.webp 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Divulgação</figcaption></figure>



<p><strong>Arte e cultura afrocentradas</strong></p>



<p>O festival não apenas educou, mas também encantou com uma programação artística e musical diversa. Performances como o espetáculo &#8220;Koanza no Futuro&#8221;, de Sulivã Bispo, e apresentações de dança do Projeto Marias trouxeram ao público o impacto visceral da cultura afro-brasileira. Cada performance foi uma celebração da história negra, mas também um grito de resistência e orgulho.</p>



<p>O sucesso do Festival Afrofuturismo, por outro lado, evidenciou que, com o apoio adequado, iniciativas afrocentradas podem não apenas sobreviver, mas prosperar. A parceria com instituições como a Unilever, a Prefeitura de Salvador e o SEBRAE foi fundamental para viabilizar o evento, mas também ressaltou a urgência de mais empresas e órgãos públicos apoiarem essas iniciativas.</p>



<p>O evento não é apenas um acontecimento cultural – é um movimento que une inovação, ancestralidade e resistência. Sob o tema “Adinkras”, o festival propôs reflexões profundas sobre liberdade e identidade, usando os símbolos do povo Asante como fio condutor.<br></p>



<p><strong>Prêmio AYA: Uma noite de celebração e homenagens</strong></p>



<p>O Prêmio AYA, realizado na cerimônia de abertura, simbolizou o ponto de partida do Festival Afrofuturismo 2024. Inspirado no símbolo Adinkra que representa independência, resiliência e perseverança, o prêmio destacou personalidades que preservam e fortalecem o legado cultural afro-brasileiro.</p>



<p>A cerimônia, realizada na Casa das Histórias de Salvador, contou com a presença de autoridades, artistas e lideranças culturais. Paulo Rogério Nunes, cofundador da Vale do Dendê e do festival, abriu o evento enfatizando seu crescimento e impacto ao longo dos anos.</p>



<p>Os homenageados da noite foram:</p>



<p><strong>Categoria Griô</strong></p>



<p><strong>Abena Busia:</strong> Embaixadora de Gana no Brasil por sete anos, ovacionada por sua contribuição às relações culturais e diplomáticas.</p>



<p><strong>Tamoase Dantas (Sr. Escurinho):</strong> Líder cultural do Centro Histórico de Salvador.</p>



<p><strong>Mário Nelson:</strong> Pioneiro no afroempreendedorismo.</p>



<p><strong>Categoria Artística</strong></p>



<p><strong>Regina Casé:</strong> Atriz e apresentadora, reconhecida por sua contribuição à valorização da cultura negra no audiovisual.</p>



<p><strong>Categoria Executivo Destaque</strong></p>



<p><strong>Grazi Mendes: </strong>Futurista e autora do livro Ancestrais do Futuro, lançado durante o festival.</p>



<p><strong>Samantha Almeida:</strong> Executiva da Rede Globo, reconhecida por sua liderança no setor criativo.</p>



<p>Regina Casé emocionou o público ao destacar a importância de integrar passado e futuro, afirmando que Salvador é um exemplo vivo dessa conexão. Já Abena Busia, em sua despedida como embaixadora, reforçou o papel de iniciativas que conectam o legado africano às diásporas.</p>



<p><strong>O legado do Festival Afrofuturismo</strong></p>



<p>O Festival Afrofuturismo 2024 não foi apenas um espaço de celebração, mas também um grito de resistência e um chamado à ação. Em tempos de retrocessos e desafios, ele reafirmou a importância de preservar e promover a cultura negra como um motor de inovação e transformação social.</p>



<p>Como disse Pedro Tourinho, Secretário de Cultura de Salvador:</p>



<p>&#8220;Para a cidade, é obrigação apoiar, mas é uma inspiração também. O Festival Afrofuturismo e a Vale do Dendê inspiram muito a nossa cidade.&#8221;</p>



<p>Que o sucesso desta edição seja um lembrete da força da cultura negra e da necessidade de mais apoio a eventos que, como o Festival Afrofuturismo, têm o poder de transformar o presente e projetar um futuro onde a liberdade e a ancestralidade negra sejam celebradas em toda sua plenitude.</p>



<p>Em suas palavras e ações, o Festival Afrofuturismo encarnou o espírito de seus ancestrais: resistência, resiliência e criatividade. Que essa celebração seja também um chamado para que a sociedade brasileira invista mais no presente e no futuro da sua maior riqueza – a cultura negra.<span id="docs-internal-guid-9b976584-7fff-558d-5a0d-ace17dfcffbc"><div><span style="font-size: 11pt; font-family: Arial, sans-serif; background-color: transparent; font-variant-numeric: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-position: normal; font-variant-emoji: normal; vertical-align: baseline;"></span></div></span></p>
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