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	<title>Paula Batista, Autor em Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
	<lastBuildDate>Tue, 25 May 2021 16:14:35 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Na fila da adoção, crianças negras são maioria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paula Batista]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 May 2021 16:14:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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<p>Em uma palestra realizada para pais que pleiteiam a adoção, Paulo Sergio P. dos Santos, filho adotivo e pai adotivo, falou sobre a importância de pais de adoção compreenderem que crianças adotadas têm uma identidade, uma origem, um passado. Ou seja, em uma adoção inter-racial, tentar apagar ou fingir não existir a identidade negra dessa criança apaga parte de quem ela é.</p>



<p>Dia 25 de maio é o Dia da Adoção, e quando falamos em adoção estamos falando de famílias negras e crianças negras, principalmente. As condições do negro pós-escravidão geraram efeitos desastrosos na família negra, empurrando milhares de crianças para a fila da adoção em busca de um lar. No Cadastro Nacional de Adoção do Conselho Nacional de Justiça, das 8.476 crianças cadastradas para adoção, 65,93% são negras e pardas, um total de 5.588 crianças no Brasil.</p>



<p>Cada vez mais aumenta o número de pretendentes que não têm preferência pela cor das crianças, em 2015 eram 15.594 e hoje, a CNJ contabiliza que dos 46.390 cadastrados, 24.047 aceitam crianças de todas as raças. Apesar de parecer que há um excedente de famílias que aceitariam crianças negras e pardas, há outros impeditivos que dificultam essa adoção como idade, doenças e gênero dessas crianças, itens de critério que constam na ficha cadastral dos adotantes.</p>



<p>Estar na fila de adoção, para muitas famílias, tem como foco encontrar crianças que se adaptem ao “perfil do filho imaginado”. Com essa mentalidade, optam por crianças que se pareçam com elas, principalmente na estética, para assim, essa criança, completar a família. A regra é: quanto mais nova melhor e quanto mais parecida com a gente melhor. Essa cultura da adoção no Brasil, enxerga a criança como mercadoria – um objeto a ser desejado – e ignora, muitas vezes, a necessidade que essas crianças têm de um lar, independentemente de sua idade, gênero, doença ou raça. Somado a isso o racismo que cria uma hierarquia racial entre as crianças, onde as negras são descartas, tudo acaba por empurrar as crianças negras para o final da fila, tirando a possibilidade de terem um lar.</p>



<p>Quando a adoção inter-racial<strong> acontece</strong></p>



<p>O ideal seria que todas as famílias em processo de adoção, não fizessem distinção de raça, assumindo uma mentalidade antirracista de compreender que a cor da criança não vai interferir em quem ela, humanizando assim esse processo e compreendendo que ali há apenas uma criança.</p>



<p>Quando pais na fila de adoção optam por adotar, independentemente da raça, há uma chance maior dessa criança ser negra, haja visto que são maioria na fila da adoção. Nesses casos, quando a família é branca e adota uma criança negra ou vice-versa, como fica a questão do pertencimento racial e do racismo para essas pessoas? Perguntamos para três pessoas que vivem essa realidade e elas deram seus depoimentos, veja a seguir:</p>



<p><strong>Carolina de Biagi Pereira, 38 anos, negra adotada por uma família branca.</strong> “Acho que as questões de racismo levaram mais tempo pra serem entendidas, eu sofri muito bullying e por muitos anos levei como um ataque pessoal e não como algo estrutural. Minha mãe é cabeleireira e sempre se esforçou pra que eu amasse meu cabelo natural, o mais difícil era a falta de referências (mesmo as mulheres negras que eu conhecia alisavam o cabelo). A melhor parte é que meus pais sempre me incentivaram a ir atrás do que me interessasse culturalmente. Acho que a dificuldade era uma coisa da época, de falta de acesso mesmo. Hoje eles entendem melhor questões raciais e eu também, acho que fomos aprendendo juntos.”</p>



<p><strong>Luana Paulino Mariano, 30 anos, branca adotada por uma família negra.</strong> “Pra mim, nunca houve diferença alguma em fazer parte de uma família com pessoas negras. Sempre houveram questionamentos das pessoas comigo, de o por que eu era branca e minha mãe negra? Minha resposta sempre foi, porque vivemos no Brasil, onde existem diversas misturas de cores de pele. Confesso que sou apaixonada pela cultura negra. Amo um bom samba, samba-rock, black. Tranças, cabelos cacheados, blacks power. Minhas referências sempre foram voltadas para a cultura negra. Minha melhor amiga é negra. Confesso que nunca me atentei ao preconceito, acredito, por estar muito inserida, não tenha percebido algo explicito para com a minha mãe ou família. Mas me lembro da minha mãe indo para cabeleireiros, passando, as vezes, o dia todo para alisar seus cabelos e me dizendo sempre que se ela tivesse os cabelos iguais aos meus estaria no céu! E agora, depois de praticamente 28 anos, ela conseguiu finalmente aceitar os cabelos da forma que são. A luta é grande! Contudo, tenho fé que pelo menos na geração dos meus filhos que são negros, fruto de um casamento inter-racial, eles possam ter a liberdade de serem como são e acima de tudo respeitados, não pela cor da pele e sim como seres humanos.”</p>



<p>Paulo Sergio P. dos Santos, negro adotado por uma família branca. “Minha experiência de adoção, traz um traço particular de ter sido feita no início dos anos 60 e na condição inter-racial com a família adotante, o que era raríssimo. A origem da situação não foi muito diferente do cenário atual, uma família negra de recursos limitados e, em situação de dificuldades de sustento dos filhos, a genitora surpreendida pela condição de viuvez fez a entrega dos filhos ao Estado na esperança que teriam melhores cuidados. Numa época em que não havia sequer base de sustentação jurídica para garantia dos direitos aos adotados e regido pelo antigo Código de Menores, o processo foi longo e somente aos dez anos de idade foi concluído com a certidão definitiva e sobrenome da família adotiva. Apesar de ter recebido total suporte afetivo, fundamental na construção dos vínculos e estabilidade emocional nas relações familiares e sociais, houve a ausência do elemento étnico de origem como base de sustentação do ser humano. Em momento algum, isto foi motivo de condenação aos meus pais, visto que eles não possuíam elementos e nem recursos culturais de entendimento desta necessidade. No entanto, o suprimento afetivo familiar foi suficiente para o desenvolvimento do meu projeto de vida e o reencontro com a realidade da identidade negra, veio a partir da universidade, na formação da minha família e na militância junto aos grupos de apoio à adoção. A temática da adoção inter-racial, tem sido muito frequente nos fóruns de discussão da Adoção e, por parte dos interlocutores, quase sempre abordada considerando a importância de as famílias estarem atentas com o valor étnico de origem dos seus filhos, na implementação de uma cultura antirracista e o empoderamento dos filhos aos enfrentamentos que surgirão.” Paulo também é pai adotivo,<em> ex-presidente da ANGAAD-Associação Nacional de Grupos de Apoio à Adoção, atual diretor financeiro e conselheiro. Palestrante e incentivador de diversos grupos de apoio à adoção no Brasil, nos últimos 30 anos).</em></p>



<p><strong>Antirracismo na adoção</strong></p>



<p>No que podemos observar no relato desses hoje adultos adotados, enquanto que para a Luana, branca, adotada por negros, a cultura negra tem forte influência em seu gosto, para os negros adotados por famílias brancas, Carolina e Paulo, a compreensão da negritude não foi algo dado pela família, mas sim uma construção ao longo da vida, assim com diz Neusa Santos Souza em seu livro Tornar-se negro “Ser negro não é uma condição dada a priori. É um vir a ser. Ser negro é tornar-se negro.</p>



<p>É unânime que todos eles são imensamente gratos pela família que os acolheram e os ajudaram em seu desenvolvimento humano, econômico e social e no seu pertencimento enquanto seres humanos, crianças que eram. Nesse dia adoção o desejo é que mais crianças possam encontrar um lar. Para as famílias que adotam crianças negras é essencial iniciar, para ontem, uma luta antirracista conscientizando familiares e amigos para que essas crianças não sofram violências racistas no núcleo familiar e sejam ensinadas sobre a beleza e a potência de sua origem negra.</p>



<p>Fonte dos dados: https://www.cnj.jus.br/cnanovo/pages/publico/index.jsf</p>
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		<title>Aprendi com a minha mãe a beijar meu braço</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/aprendi-com-a-minha-mae-a-beijar-meu-braco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paula Batista]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 08:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[famílias negras]]></category>
		<category><![CDATA[mãe preta]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Certo dia, em uma palestra para profissionais de educação, eu falava da importância e responsabilidade da escola em trazer em seu conteúdo a valorização das crianças negras, de sua cultura e povo para dentro da sala de aula, assim como rege a lei 10.639/03.&nbsp;</p>



<p>Em meio à uma sala repleta de educadores e profissionais de educação brancos, um homem negro pediu a palavra e disse:&nbsp;</p>



<p>-Desde criança eu aprendi a valorizar e amar quem eu sou e a minha cor, através dos ensinamentos e exemplo da minha mãe. Ela fazia o seguinte gesto: beijava o seu braço e falava em seguida “eu amo e honro a minha pele negra”. Logo em seguida, pedia para eu repetir a ação, e assim eu fazia.&nbsp;</p>



<p>O homem sentado na plateia é funcionário da zeladoria de uma das escolas públicas de uma cidade do interior Paulista. Ele afirmou que esse gesto de sua mãe fez com que ele sempre tivesse orgulho de sua negritude. Ele&nbsp;contínuo&nbsp;seu relato:&nbsp;</p>



<p>&#8211; Eu já passei por diversas situações e episódios racistas, sempre que isso aconteceu, eu me lembrava dos ensinamentos da minha mãe e repetia seu gesto. Hoje, mesmo adulto, ainda faço essa prática de beijar meus braços e dizer eu amo e honro a minha cor negra. Sinto que isso me enche de alegria para enfrentar as adversidades do meu dia.&nbsp;</p>



<p>Quero alertar, com esse exemplo, que identidade e pertencimento racial é algo que construímos desde pequeninos e a família tem papel fundamental nessa construção, já que alguns padrões de comportamento, apreendidos pelas crianças, introduz características da cultura e do meio em que ela se encontra, ao passo que outros são peculiares à própria família.&nbsp;</p>



<p>Como a gente muito sabe, a nossa luta é imensa no combate ao racismo, porém, por ainda não ser uma luta aderida por toda a sociedade, infelizmente não podemos garantir que nossas crianças não sofrerão episódios racista, na verdade, temos certo é que sofrerão. Por isso está em nossas mãos trabalhar para quando o racismo as atingir, elas tenham conhecimento para identificar e força interna suficiente para lidar com isso. Esse é o papel da família.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A criança aprende valores, sentimentos e expectativas de posição, por intermédio de cada membro de sua família e de outras pessoas com que convive. É preciso considerar que a família exerce, desde muito cedo, grande influência na transmissão de valores e crenças a respeito dos grupos raciais.&nbsp;</p>



<p>Ou seja, por mais que há uma lei que obrigue as escolas a ensinarem a cultura africana e afro-brasileira, além da importância do protagonismo negro para a construção da nossa sociedade, é dever da família introduzir na educação das crianças um aprendizado sobre essa cultura e o pertencimento racial.&nbsp;</p>



<p>A mãe do&nbsp;funcionário da escola, de forma simples e muito afetuosa, ensinou para ele esse pertencimento e com isso, transmitiu valores que estão presentes na vida dele até hoje.&nbsp;</p>



<p>Desde dezembro do ano passado, eu venho fazendo um trabalho de conexão ancestral com mulheres negras, o objetivo é trazer algo para a vida delas que deveríamos ter aprendido desde a infância: a valorização de quem somos e o reconhecimento da luta de nossos ancestrais.&nbsp;</p>



<p>Acredito que não é necessário chegarmos à vida adulta para fazermos essa conexão, podemos proporcionar hoje às crianças essa educação que valoriza: quem somos nossas lutas, a cor da nossa pele, a textura de nossos cabelos, etc. Então, convido você, que faz parte da família de uma criança negra, a introduzir na educação dessa criança esse amor e honra por quem nós somos.&nbsp;</p>



<p>Eu amo e honro a minha cor presta e eu conto com você!&nbsp;</p>
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		<title>Sacolé, gelinho ou geladinho: respeito ao regionalismo se aprende na infância</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/sacole-gelinho-ou-geladinho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paula Batista]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Feb 2021 13:15:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crianças negras]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Educando as crian&#231;as para compreenderem que elas fazem parte da diversidade Como voc&#234; chamava (ou chama) o suco congelado no saquinho? Onde eu nasci, o nome dessa deliciosa iguaria &#233; gelinho. Eu gostava do sabor de maracuj&#225; e morango. Os que eram vendidos perto de casa, com certeza, eram feitos com aquele suco de pozinho. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Educando as crianças para compreenderem que elas fazem parte da diversidade</p>



<p>Como você chamava (ou chama) o suco congelado no saquinho? Onde eu nasci, o nome dessa deliciosa iguaria é gelinho. Eu gostava do sabor de maracujá e morango.</p>



<p>Os que eram vendidos perto de casa, com certeza, eram feitos com aquele suco de pozinho. Quando eles eram feitos de frutas naturais, eram mais caros, então eu fazia as contas e optava por comprar 2 mais baratinhos do que apenas 1, do mais caro.</p>



<p>A encrenca foi quando eu fui passar as férias na casa da minha avó e meus amigos da capital paulista cismavam em chamar o gelinho de geladinho. Eles riam da minha cara quando eu, na opinião deles, trocava o nome.</p>



<p>Nessa época, eu nem fazia ideia do que eram diferenças linguísticas, regionalismo e sotaque, mas já sofria com o preconceito que eles geram. A pronúncia do meu r e do meu t eram característicos da cidade onde eu nasci, no interior de São Paulo, e essa pequena diferença na minha fala, de apenas duas letras, já gerava grande constrangimento para mim, a ponto de, aos 7 anos, me esforçar muito para aprender a falar o r e o t “da forma correta”.</p>



<p>Antes de aprender eu fui muito ridicularizada pelos colegas nas brincadeiras de rua. O que para eles era engraçado, para mim era dolorido. Houve um período que eu me fingia de muda, só para não sofrer com o preconceito.</p>



<p>Trago esse episódio da minha infância para falar sobre a campanha da Unicef chamada: <strong>as 10 maneiras para contribuir com uma infância sem racismo.</strong> A campanha faz um alerta sobre os impactos do racismo na vida de milhões de crianças e adolescentes brasileiros e convida cada um a fazer uma ação por uma infância e adolescência sem racismo.</p>



<p>O primeiro item da campanha diz: <em>Eduque as crianças para o respeito à diferença. Ela está nos tipos de brinquedos, nas línguas faladas, nos vários costumes entre os amigos e pessoas de diferentes culturas, raças e etnias. As diferenças enriquecem nosso conhecimento.</em></p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="youtube-embed" data-video_id="G87QTe7CzW4"><iframe title="Campanha Por uma Infância sem Racismo!" width="696" height="522" src="https://www.youtube.com/embed/G87QTe7CzW4?feature=oembed&#038;enablejsapi=1&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p>Nossas crianças são as grandes afetadas quando o assunto é racismo, preconceito e discriminação. Nossa pele, desde muito cedo, é alvo daqueles que aprendem a ter prazer em reproduzir o racismo.</p>



<p>Conviver com a diversidade e ensinar que há beleza nisso são boas formas de ensinar as crianças a não serem preconceituosas com as outras. Mas este ensinamento também promove outras mudanças&#8230;</p>



<p>Eu fiquei feliz quando descobri, ainda na infância, que as pessoas têm sotaques e são milhares; que eu escolher falar gelinho, no lugar de geladinho ou sacolé, faz parte do regionalismo e que há outras palavras que também sofrem mudanças de acordo com o estado ou cidade.</p>



<p>Assim como minha família precisou conversar comigo sobre essas diferenças para eu poder voltar a falar e me expressar, é importante mantermos um diálogo cotidiano com as crianças sobre a diversidade que existe no mundo e que nós fazemos parte disso.</p>



<p>Conviver e falar sobre diversidade ajuda as crianças negras a compreenderem que todos são diferentes e que isso é normal. Essa conversa, com certeza, vai acalmar o coração da criança quando apontarem a singularidade dela.</p>



<p>Não espere a sua criança negra se anular, se calar ou se machucar para então iniciar o diálogo sobre racismo, preconceito e discriminação. Não podemos controlar a forma como vão tratar nossas crianças, mas podemos tentar diminuir o impacto que o racismo causa nelas.</p>
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		<title>Crianças pretas e o cyber racismo na escola</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/criancas-pretas-e-o-cyber-racismo-na-escola/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paula Batista]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2020 01:44:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Família]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Imagem: Pexels &#201; mais comum do que a gente imagina, o caso de Ndeye Fatou Ndiaye, que foi v&#237;tima de agress&#245;es racistas, feitas pelos alunos do Col&#233;gio Franco-Brasileiro, onde estuda, n&#227;o foi o primeiro que tive not&#237;cia e, infelizmente, acredito que n&#227;o ser&#225; o &#250;ltimo. Em todos eles h&#225; a semelhan&#231;as nas pr&#225;ticas: alunos de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Imagem: Pexels</p>
<p>É mais comum do que a gente imagina, o caso de Ndeye Fatou Ndiaye, que foi vítima de agressões racistas, feitas pelos alunos do Colégio Franco-Brasileiro, onde estuda, não foi o primeiro que tive notícia e, infelizmente, acredito que não será o último. Em todos eles há a semelhanças nas práticas: alunos de uma determinada escola criam grupos de conversa dentro de aplicativos de mensagens e iniciam, à partir dali, diversas agressões racistas contra alunos negros que não fazem parte do grupo.</p>
<p>Essa prática tem um componente muito particular que é a sensação de privacidade que as crianças adquirem dentro desses espaços. Ali dentro, eles se expressam da forma mais perversa possível porque acreditam que nunca serão descobertos.</p>
<p>As práticas, muitas vezes extrapolam o que acontece dentro do grupo e vão para o cotidiano. Como também, atividades do cotidiano alimentam as conversas dentro do grupo, fazendo crescer as ações e conversas via mensagens. Eu acredito que o mais triste dentro dessa dinâmica é a cumplicidade entre os jovens, é comum que todos participem e contribuam com os comentários, e quando não o fazem, colaboram rindo, para que aquele processo de agressão racista continue.</p>
<p><strong>Desastres desses processos  </strong></p>
<p>A criança negra, em alguns casos desconfia que está sendo alvo de racismo pelos colegas e comunica aos professores, coordenadores e diretores; mas como não tem provas, a crianças é desacreditada. Aqui começa o meu alerta para as escolas: não minimizem uma denúncia de racismo vinda de uma criança negra. Se ela está verbalizando um incômodo, ela precisou passar por várias camadas de constrangimento para expor a situação.</p>
<p>O caso, muitas vezes vem à tona quando uma das crianças do grupo, começa a ficar incomodada com a proporção que a “brincadeira” tem tomado e resolve parar de participar daquilo. Os principais agressores vão coagi-lo para continuar, mas ao tomar consciência de que aquilo está errado, e em uma tentativa desesperada de não levar a culpa, essa criança pode ter algumas atitudes:</p>
<p>Relatar aos pais o ocorrido;</p>
<p>Relatar à escola o que está acontecendo;</p>
<p>Mas, na maioria das vezes, a criança envia por meio do mesmo aplicativo de mensagem TODAS  as agressões para a vítima, prevendo uma possibilidade de se desculpar e se livrar daquilo.</p>
<p>Agora, imaginem como fica a vítima, a criança – que esse tempo todo estava desconfiada das agressões – ao receber TODOS os comentários, fotos, vídeos, áudios, desenhos. É devastador.</p>
<p><strong>Desdobramentos</strong></p>
<p>Como o racismo se trata de crime, todo mundo passa a querer se livrar das acusações. Os alunos dizem que só riram no grupo e não agrediram. Os que produziram o conteúdo, dizem que não sabiam que era grave. Os pais das crianças dizem que foi só brincadeira de crianças. Os professores dizem que não ocorreu na aula deles e a escola, por sua vez, diz que não foi algo de responsabilidade da escola, já que aconteceu no aplicativo de mensagens, que ela não tem controle, ou seja, não foi dentro das dependências da escola, a escola não tem controle sobre isso&#8230;</p>
<p>Em todas essas omissões, NINGUÉM PENSA NA VÍTIMA, todos agem para se livrarem da culpa.</p>
<p>Isso tudo o que eu estou relatando, eu não imaginei, aconteceu, eu vivenciei com uma de minhas crianças pretas, e não foi só uma vez.</p>
<p><strong>Para os pais pretos</strong></p>
<p>A maior parte da comunicação que eu faço para pais pretos é para que quando cheguem nesse momento eles tenham forças para agir, porque, tudo isso é muito desgastante e você vai ter vontade de chorar muito, com medo de tudo que está por vir, e essa dor é por saber que nada será feito de efetivo para curar aquela ferida imensa que abriram no coração da sua criança preta. Esse conteúdo, (clique aqui) pode ajudar nas ações para evitar que esse tipo de situação aconteça.</p>
<p>Vamos lá, respira fundo. Primeiro, se isso acontecer com as crianças, saiba que estou de braços abertos para você. Conte comigo. Segundo, você vai ter que se indispor com muita gente. Acredite, todo mundo que quer se omitir tem culpa.</p>
<p>As crianças que cometeram as agressões são AGRESSORES, são criminosos, cometeram um crime.</p>
<p>Os pais são cumplices, pois não ensinaram educação antirracista para as crianças. Por isso, o meu esforço para incentivar os pais brancos a terem consciência e promoverem ações.</p>
<p>A escola tem total culpa, pois permitiu que isso acontecesse, não promoveu ações de conscientização sobre o racismo, já que esse é um problema social e que pode vir a acontecer dentro da escola. Além de não ter um protocola para tratativa desses casos.</p>
<p>Os pais da vítima precisarão, fazer boletim de ocorrência culpabilizando as crianças e os pais. Denunciar o ocorrido ao conselho tutelar e a diretoria de ensino do município ou região. Caso o emocional da criança permita, escancarar isso na mídia e cobrar punições para os criminosos.</p>
<p>Quando isso acontece, fica insustentável que a vítima continue convivendo com os agressores. Qualquer risada em sala de aula, ela vai achar que é com ela. É preciso cobrar da escola ações eficazes de educação, conscientização que envolve toda a escola, não só o grupo envolvido, ou a sala. Todos professores, coordenadores, diretores, funcionários e pais precisam agir para erradicar o problema.</p>
<p>A criança preta precisa entender que ela é a vítima e que todas os desdobramentos do caso, não são culpa dela. Ela precisa enxergar que foi feito justiça, que houve consequência, para que ela não naturalize essas agressões.</p>
<p><strong>Para os demais </strong></p>
<p>Pais brancos, se unam à essa família para poder dar encaminhamento à questão, cobrar ações e punir os envolvidos.</p>
<p>Escola, se responsabilize, crie ações de conscientização, de preferência, antes do problema acontecer. Puna os responsáveis. No caso do Colégio Franco-Brasileiro, os alunos foram afastados.</p>
<p>Autoridades responsáveis, cobrem ações das escolas.</p>
<p>As sequelas que ficam desse tipo de trauma são inimagináveis para quem os viveu. Trabalhem para que isso não aconteça.</p>
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		<item>
		<title>As crianças estão em casa, e agora? Dicas preciosas para famílias em quarentena</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/as-criancas-estao-em-casa-e-agora/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paula Batista]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2020 00:41:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Família]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eu acredito que quando eu era crian&#231;a, se tiv&#233;ssemos passado por uma situa&#231;&#227;o como a que estamos vivendo com essa Pandemia, eu me recordaria, com muito afeto e alegria, dos dias que passei junto com a minha m&#227;e e meu pai dentro de casa, e tudo que fizemos juntos. Meus pais trabalhavam muito quando eu [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu acredito que quando eu era criança, se tivéssemos passado por uma situação como a que estamos vivendo com essa Pandemia, eu me recordaria, com muito afeto e alegria, dos dias que passei junto com a minha mãe e meu pai dentro de casa, e tudo que fizemos juntos.</p>
<p>Meus pais trabalhavam muito quando eu era pequena. Minha mãe era auxiliar de enfermagem e trabalhava numa jornada de 12&#215;36 horas, ou seja, ela estava em casa um dia sim e outro não (incluindo os finais de semana). Meu pai era gráfico, na cidade do interior paulista, onde morávamos, ele não conseguia trabalho, então, por boa parte dos anos, ele trabalhava na capital e só voltava para casa aos finais de semana.</p>
<p>Acho que não ficou nenhum trauma grave, por causa dessa ausência, mas ficaram boas lembranças de quando estávamos todos em casa e podíamos fazer as refeições juntos, brincar, assistir televisão ou passear. Ficou na memória também, quando meu pai tomava a tabuada, ou pedia para ver meus cadernos, eu me sentia cuidada e amada.</p>
<p>A realidade de muitas famílias é igual à da minha infância: pais ausentes por muitas horas e a alegria das crianças em vê-los voltar para casa. Mas tudo mudou bruscamente: pais e filhos o dia todo dentro de casa, o dia todo (eu já disse, o dia todo?).</p>
<p><strong>Será que dá para olhar o lado positivo?</strong></p>
<p>Boa parte das crianças que estudam em escolas públicas estão sem aulas. Essa ausência do ensino, do aprendizado pode estar deixando as crianças angustiadas, com medo de não aprender, ficar para trás e perder oportunidades.</p>
<p>Eu sei que a rotina está complexa, são muitas demandas para os adultos, mas sugiro um exercício para acalmarmos o coração dos pequenos e a angústia pela falta das aulas, ou mesmo com aulas EAD. Faça uma educação antirracista.</p>
<p>Muitas vezes a gente reclama do que é ensinado na escola, principalmente se estamos falando sobre cultura africana e afro-brasileira. Então, a minha proposta é que vocês, pais e criadores de crianças pretas, realizem uma nova educação para os pequenos. Não precisa necessariamente ser conhecedor da cultura africana e afro-brasileira para isso. Resgate o que você sabe, resgate a sua ancestralidade presente. Como? Assim:</p>
<ul>
<li>Conte sobre as histórias da sua família, as histórias de quem veio antes.</li>
<li>Resgate a música favorita e apresente para as crianças, vejam a letra e os significados. Sambas-enredos renderão boas conversas</li>
<li>Sabe aqueles passinhos que dançamos tanto nos bailes de charme? Será a aula de hoje aqui em casa!</li>
<li>Pegue o álbum de família e conte uma história curiosa sobre aquele momento ou aquelas pessoas.</li>
<li>Relembre aquela receita deliciosa e faça junto com as crianças.</li>
<li>Façam bonecas Abayomi juntos.</li>
<li>Façam turbantes e amarrações de tecidos africanos e estudem (brinquem também) sobre os reinos da África.</li>
<li>Busque na internet provérbios africanos e reflitam sobre eles.</li>
<li>Descubra inventores, cientistas, escritores, pesquisadores negros e relembrem as histórias deles.</li>
<li>Tem tantos contos e histórias da mitologia Africana, dos Orixás, espalhados por aí, vale à pena procurar.</li>
</ul>
<p>Vivenciar isso juntos é resgatar e manter a ancestralidade presente, manter a essência de quem são!</p>
<p>Você também pode se aprofundar mais nessa proposta. Lei ou assista vídeos no Youtube sobre temas importantes para a formação de uma consciência antirracista e converse com as crianças sobre o assunto, torne-se o professor de assuntos essências para a vida e formação dessas crianças.</p>
<p>Uma mãe, seguidora do Criando Crianças Pretas, pela passagem do dia 13 de maio, me pediu conteúdo para crianças do ensino infantil, que falasse sobre a data. Ela estava aborrecida com os vídeos que a escola havia mandado. Como não encontrei na internet materiais que pudessem atender à demanda, sugeri que ela assistisse vídeos e lesse textos para produzir, ela mesma, um conteúdo para a filha.</p>
<p>Esse período ficará guardado para sempre na cabeça das crianças. Sei muito bem, e na pele, que para nós adultos, está sendo, com muita frequência, um verdadeiro caos, mas um provérbio Africano diz: Se você pode andar, você pode dançar. Se você pode falar, você pode cantar. Dance e cante para tornarmos esses dias mais leves. Eu estou tentando.</p>
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		<title>Criando Crianças Pretas:&#8221; Você tem que ser duas vezes melhor!&#8221;</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/criando-criancas-pretas-voce-tem-que-ser-duas-vezes-melhor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paula Batista]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2020 17:16:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Família]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era in&#237;cio de 1992, eu tinha 7 anos, e estava animada para come&#231;ar o ensino b&#225;sico, na primeira s&#233;rie. Eu estava nervosa e com medo de n&#227;o dar conta de tudo, de n&#227;o conseguir aprender. Eu sempre gostei de estudar e, mesmo com pouca idade, sabia que aquela seria uma etapa importante que estava come&#231;ando. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Era início de 1992, eu tinha 7 anos, e estava animada para começar o ensino básico, na primeira série. Eu estava nervosa e com medo de não dar conta de tudo, de não conseguir aprender. Eu sempre gostei de estudar e, mesmo com pouca idade, sabia que aquela seria uma etapa importante que estava começando.</p>
<p>Era domingo à noite, minha mãe tinha acabado de refazer as minhas tranças. Eu pedi para ela fazer as “trancinhas caídas”, bem fininhas, para o meu cabelo ganhar movimento, isso demorou o dia todo, mas ela fez, uma a uma, e só terminou a noitinha. Meu pai estava passando o uniforme de estreia – o uniforme da escola tinha a camiseta branca e um shorts vermelho. Foi nesse momento, que meu pai, como numa conversa informal disse: “Agora filha, você tem que ser duas vezes melhor do que os outros, e se esforçar duas vezes mais, porque, mesmo assim, vão duvidar da sua capacidade e da sua inteligência”</p>
<p>E esse peso eu carrego até hoje&#8230;</p>
<p>Mas, não foi só meu pai que disse isso, os pais de alguns amigos pretos também os instruíram assim. Na introdução da música do Racionais “A Vida é Desafio” [do álbum &#8211; 1000 Tretas 1000 Trutas] diz a mesma coisa: “Desde cedo a mãe da gente fala assim: ‘Filho! Por você ser preto, você tem que ser duas vezes melhor'&#8221;.</p>
<p>Assistindo uma série norte americana chamada Scandal, em que a protagonista é uma mulher negra, há uma cena  em que o pai dela faz uma pergunta:</p>
<p>&#8211; Eu treinei você para ser o que?</p>
<p>E ela responde:</p>
<p>&#8211; Duas vezes melhor.</p>
<p>Trago esses fatos para dizer que esse discurso NÃO É COINCIDÊNCIA.</p>
<p>Queremos aqui, propor uma nova educação para a próxima geração de pretinhos que estão vindo, mas não podemos deixar de ENALTECER NOSSOS PAIS.</p>
<p>Esse tipo de frase que muitos de nós escutamos dos nossos cuidadores quando éramos crianças, era a expressão mais sincera de uma militância preta que nos permitiu sobreviver, se estamos vivos hoje, esse discurso de nossos pais pode ter feito toda a diferença.</p>
<p>Nossos pais, por terem vivido situações extremas de racismo e terem passado pela violência da ditadura militar, numa tentativa de nos preparar para a “guerra”, nos educavam dessa forma. Muitas vezes, eles não falavam do racismo, na intenção de não causar revoltas. O objetivo era nos preparar para fugirmos o máximo possível de situações que pudessem nos colocar em perigo ou nos expor ao racismo.</p>
<p>“Tira esse boné”, “não anda com a mão no bolso”, “não saia de toca na rua”, “se ver a polícia, não corra”, “ande com boas companhias”, “não faça nada de errado que eu vou descobrir”, “não arrume confusão na escola”, “nunca ande sem documentos” e tantas outras frases, que agora parecem ser traumáticas, eram, na verdade, para proteger nossas vidas.</p>
<p>E agora? Agora, agradeça seus pais por estar vivo. E retribua a educação que eles lhe deram propondo uma educação consciente e combativa para seus filhos.</p>
<p>Sobrevivemos e somos pretos e pretas que crescemos com certa liberdade de vida e de pensamentos, é hora de preparar nossos filhos não apenas para sobreviverem e sim para viverem!</p>
<p>Bora fazer isso juntos?</p>
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		<title>Criando crianças pretas: O carnaval chegou e boas oportunidades também</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/criando-criancas-negras-o-carnaval-chegou-e-boas-oportunidades-tambem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paula Batista]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Feb 2020 22:55:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[ÚLTIMAS NOTÍCIAS]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[crianças negras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Muitas pessoas enviam para o nosso perfil a seguinte pergunta: &#8220;Qual &#233; o melhor momento para falar com a crian&#231;a sobre a quest&#227;o racial?&#8221; A gente sempre responde: N&#227;o h&#225; uma f&#243;rmula certa, j&#225; que cada crian&#231;a tem um perfil e um modo de perceber o mundo. Mas tamb&#233;m falamos que essa conversa precisa acontecer [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Muitas pessoas enviam para o nosso perfil a seguinte pergunta: “Qual é o melhor momento para falar com a criança sobre a questão racial?”</p>
<p>A gente sempre responde: Não há uma fórmula certa, já que cada criança tem um perfil e um modo de perceber o mundo. Mas também falamos que essa conversa precisa acontecer de forma natural, com exemplos do cotidiano.</p>
<p>A gente fala também, que esse assunto pode estar implícito nos brinquedos, nos desenhos, animações, nos passeios, nos livros. Onde der para colocar uma referência negra, coloca!</p>
<p>Outra fala nossa é que essa conversa não precisa e nem deve ser somente sobre dores e escravidão. Enaltecer a beleza, a criatividade, a inteligência e a cultura negra, também é falar sobre questões raciais. Nesses momentos, inclusive, é que acontecem aquelas perguntas importantes para a compreensão da questão.</p>
<p>Enfim, o carnaval chegou e você tem 5 dias de boas oportunidades para envolver as crianças nesse assunto. E como sempre aqui vão alguma dicas:</p>
<p>Que tal pensar numa fantasia que contemple a nossa cultura ou personagens negros de animações e desenhos. Tenho visto muito reis, rainhas, príncipes e princesas de Wakanda desfilando por aí. Aproveite para conversar sobre o que não é fantasia, como, por exemplo, a identidade das pessoas.</p>
<p>Essa festa grandiosa como ela é hoje saiu da cabeça de quem? Você pode lançar um desafio para ver se a criança descobre ou mesmo pesquisar com ela sobre a origem do carnaval no Brasil, o nascimento do samba na Bahia a partir da cultura afro-brasileira, a influência política e econômica do Carnaval, até chegar no modelo atual.</p>
<p>Já que entrou no assunto, já emenda falando sobre as nossas origens, das tradições africanas, da mitologia, folclore, língua, culinária, música, dança, religião e de como o imaginário cultural brasileiro deve reverência aos negros brasileiros. Fale da nossa genialidade, criatividade, inteligência e capacidade de fazer uma grande festa.</p>
<p>São tantos os blocos que a gente fica até com dúvida para escolher, mas que tal, além dos blocos infantis a gente prestigiar blocos da cultura afro-brasileira, blocos negros, blocos tradicionais, blocos de maracatu, blocos que enaltecem e homenageiam personalidades negras e a cultura afro-brasileira? Ah, não vai rolar bloquinho aí onde você está? Que tal assistir, pela televisão mesmo, o desfile de algumas escolas de samba que vão falar sobre a nós?</p>
<p>Com tanta gente diferente nos blocos, desfiles e festas, que tal falar sobre como é chato esse lance de padrão de beleza? Desconstrua a beleza perfeita. O corpo perfeito é aquele que é saudável e ponto final! Somo todos bonitos e bonitas do jeitinho que somos, sem padrões nem regras. Vá para frente do espelho, bota uma música animada e celebrem a beleza de vocês!</p>
<p>E por fim, fale que elas, as nossas crianças pretas são herdeiras diretas de toda essa cultura, de toda essa beleza e grandiosidade, afinal, eles é que vão dar continuidade à nossa resistência enquanto povo, cultura, ancestralidade, história, memória, etc.</p>
<p>Não se esqueça de beber água, passar protetor solar, brincar com responsabilidade sem deixar de lado a alegria.</p>
<p>Texto de Paula Batista e Deh Bastos do @criandocriancaspretas com participação de Táti Fávaro do perfil @criarfilhos<br />
Foto: @ileaye</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Criando Crianças Pretas: Volta às aulas sem dor</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/criando-criancas-negras-volta-as-aulas-sem-dor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paula Batista]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jan 2020 02:45:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[crianças negras]]></category>
		<category><![CDATA[volta as aulas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O in&#237;cio do ano letivo de 2020 das nossas crian&#231;as est&#225; para iniciar. Os adultos J&#225; compraram o material escolar, o uniforme j&#225; est&#225; organizado para o ano que vai iniciar, mas como est&#225; a crian&#231;a? Entra ano e sai ano, e a gente liga o piloto autom&#225;tico com os pequenos, assim como fazemos no [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O início do ano letivo de 2020 das nossas crianças está para iniciar. Os adultos Já compraram o material escolar, o uniforme já está organizado para o ano que vai iniciar, mas como está a criança?</p>
<p>Entra ano e sai ano, e a gente liga o piloto automático com os pequenos, assim como fazemos no mundo do trabalho. As férias acabaram, hora de voltar à realidade sem titubear, certo? Não sei.</p>
<p>Como já dissemos em outros posts e constantemente dizemos em nossas palestras e falas: é na escola que as crianças negras sofrem seus primeiros episódios de racismo. Um dia, numa conversa com Dona Cristina, mãe da estilista Ana Paula Xongani,  ela confessou. “Eu tive dois principais medos com as minhas crianças, o primeiro dia de aula e o primeiro dia de trabalho”. Acredito que esse medo também ronda seu coração&#8230;</p>
<p>Recentemente, a atriz Erika Januza, deu uma entrevista, em vídeo,  para o jornal Extra, onde ela fala sobre seu corte de cabelo e outras questões. Fiquei impactada por uma das frases que ela disse: “As piores coisas eu ouvi quando era criança. E não era uma coisa que eu chegava em casa e compartilhava com a minha família (&#8230;)”</p>
<p>Nesse texto não estou incentivando os pais a não enviarem as crianças para a escola, mas acredito que uma preparação para esse início ou retomada vale muito a pena. Não dá para ter certeza de que nenhum episódio racista irá acontecer, mas podemos nos prevenir. Então vamos propor aqui a sugestão de conversas que você pode ter com as crianças e com os profissionais da escola, nesse início de ano letivo.</p>
<p><strong>Com as crianças:</strong></p>
<p><strong>Retorno à rotina:</strong> Foram quase 2 meses sem rotina, dormir tarde, acordar tarde, sem compromissos&#8230; Ir retomando algumas práticas da rotina como horários de dormir e refeições, ajuda a não ter uma mudança brusca no cotidiano da criança.</p>
<p><strong>Ouça o que acriança tem a dizer:</strong> Converse com a criança e identifique se há medos e preocupações. Caso haja, converse até que a criança fique mais tranquila, segura e confiante.</p>
<p><strong>Relembre a parte boa:</strong> Demonstre empatia, seja positivo e fale sobre as situações alegres, emocionantes e positivas que poderá vivenciar ao longo do ano letivo. Relembre quem são os amigos e que legal será reencontrá-los.</p>
<p><strong>Atenção aos primeiros dias:</strong> Fique atento principalmente nos primeiros dias de aula. Como a Erika Januza mesmo relatou, as crianças não contam em casa o que estão passando na escola, nós precisamos investigar.</p>
<p><strong>Na escola:</strong></p>
<p><strong>Material didático: </strong>Dê uma revisada nos livros, veja quais assuntos que serão tratados durante o ano e atente-se aos conteúdos sobre a história da África, afro-brasileira e indígena apresentadas nos livros. Por lei, esse conteúdo deve permear a grade curricular de todos os anos escolares de escolas públicas e particulares.</p>
<p><strong>Conheça o corpo docente:</strong> Novo ano, muitas vezes significa professores novos. Converse com os professores no primeiro dia de aula, demonstre interesse e engajamento pela vida escolar do seu filho ou filha. Essa pessoa vai acompanhar a criança durante todo o ano, estabeleça uma relação de confiança desde o início.</p>
<p><strong>Coordenadores pedagógicos:</strong> Com esses profissionais você também pode se mostrar um pai ou uma mãe presente na educação das crianças. Pergunte se há algum protocolo quando ocorrem episódios de racismo, bullying e etc. Questione se a equipe pedagógica está treinada para agir quando algo desse tipo acontece. Você também pode indicar o trabalho de conscientização sobre o racismo que o Criando Crianças Pretas realiza nas escolas com profissionais, pais e alunos.</p>
<p><strong>Primeira reunião do ano:</strong> Normalmente as escolas realizam uma primeira reunião para informar aos pais como será o ano letivo. Utilize essa oportunidade para sugerir uma bibliografia que contemple a diversidade e saber o que está programada para aplicação da lei que obrigada o ensino da história da África, afro-brasileira e indígena.</p>
<p><strong>Entre pais:</strong> Se não houver, sugira um grupo de WhatsApp dos pais. Eu sei, mais um grupo vai acabar nos enlouquecendo, mas ter uma relação estreita com os demais pais também ajuda no combate ao racismo. Ali dentro do grupo você pode alertar os pais sobre o racismo e indicar conteúdos como os que publicamos no perfil do Instagram/Facebook @criandocriancaspretas.</p>
<p>No mais é ter fé para que o ano seja maravilho e a criança cresça feliz, radiante e forte. Última sugestão: não pegue muito pesado&#8230; Uma vez ouvi que o trabalho da criança é a brincadeira e não os estudos! Bom início de ano letivo para nós.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>O perigo de você não contar para o seu filho que ele é negro</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/as-mais-lidas-de-2019-11-o-perigo-de-voce-nao-contar-para-o-seu-filho-que-ele-e-negro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paula Batista]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jan 2020 15:07:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[racismo estrutural]]></category>
		<category><![CDATA[racismo na escola]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No d&#233;cimo primeiro lugar da nossa retrospectiva das not&#237;cias mais lidas de 2019 temos uma reflex&#227;o sobre de racismo estrutural: O 20 de novembro j&#225; passou, mas as reflex&#245;es precisam continuar durante todo o ano. A falta de conscientiza&#231;&#227;o racial pode gerar problemas graves nos ambientes sociais que as crian&#231;as frequentam, por isso, queremos chamar [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No décimo primeiro lugar da nossa retrospectiva das notícias mais lidas de 2019 temos uma reflexão sobre de racismo estrutural: O 20 de novembro já passou, mas as reflexões precisam continuar durante todo o ano. A falta de conscientização racial pode gerar problemas graves nos ambientes sociais que as crianças frequentam, por isso, queremos chamar atenção de todos que convivem com crianças negras para este texto.</p>
<p>Vocês precisam contar para seus filhos que eles são negros, que isso é motivo de orgulho e potência e que existe racismo no Brasil, caso contrário ele pode ser o próximo aluno racista da turma, ou pode estar vivendo agressões racistas e nem se dar conta disso. Veja o caso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Racismo na escola</strong></p>
<p>Recentemente fomos chamadas para dialogar em uma escola particular, do interior paulista, onde ocorreu um grave caso de racismo, em que uma menina negra de pele retinta vinha sendo frequentemente agredida por um grupo de meninos.</p>
<p>Uma das questões mais espantosas do caso é que o principal agressor é um menino negro de pele clara, caraterizado pela escola como pardo. Esse garoto é adotado e sabe que sua mãe biológica é negra.</p>
<p>A cidade em que essas duas crianças estão inseridas, o agressor e a vítima, é marcadamente racista. Há uma espécie de inconsciente coletivo que afirma a todo momento que ali ser negro é ruim, fazendo com que dificilmente as crianças assumam uma identidade negra e tenham consciência racial.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>A omissão que causa dor</strong></p>
<p>O que agrava a situação nesse contexto é que provavelmente nunca disseram para esse menino que ele é negro, porém, ele tem consciência que a cor da sua pele está mais para negro do que para branco. Nesse caso, para negar totalmente a sua negritude e se distanciar o máximo possível da possibilidade de o enxergarem como um garoto negro, ele agride uma criança negra, para deixar bem explícita a diferença entre eles, se colocando em posição oposta e se transformando assim num cruel agressor racista.</p>
<p>A menina agredida tem um núcleo familiar consciente sobre as questões raciais e que valoriza sua negritude. Ela aprendeu, desde muito cedo, a se orgulhar de suas origens, e o mais importante, compreender e denunciar o racismo.</p>
<p>Os desdobramentos desse caso são sempre dolorosos tanto para a vítima quanto para o agressor. Ao longo dos anos, estamos batalhando para a construção de uma sociedade com instituições antirracistas, em que pessoas com comportamentos e práticas racistas não caberão mais. E não desejamos que a criança que convive com você seja apartado dessa sociedade.</p>
<p>&nbsp;</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O racismo não tira férias, mas não deixe isso estragar sua diversão</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/o-racismo-nao-tira-ferias-mas-nao-deixe-isso-estragar-sua-diversao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paula Batista]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Dec 2019 01:42:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[afroturismo]]></category>
		<category><![CDATA[crianças negras]]></category>
		<category><![CDATA[crianças pretas]]></category>
		<category><![CDATA[férias]]></category>
		<category><![CDATA[turismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Finalmente f&#233;rias! As crian&#231;as est&#227;o empolgadas, as malas est&#227;o prontas e o destino est&#225; escolhido, por&#233;m h&#225; algo que n&#227;o nos d&#225; folga, nem nas f&#233;rias&#8230; Os epis&#243;dios de racismo. O per&#237;odo de f&#233;rias nem iniciou pra valer, mas j&#225; estamos protagonizando os primeiros epis&#243;dios de racismo da temporada de f&#233;rias 2019/2020. Esse &#233; o [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://mundonegro.inf.br/o-racismo-nao-tira-ferias-mas-nao-deixe-isso-estragar-sua-diversao/">O racismo não tira férias, mas não deixe isso estragar sua diversão</a> apareceu primeiro em <a href="https://mundonegro.inf.br">Mundo Negro</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Finalmente férias! As crianças estão empolgadas, as malas estão prontas e o destino está escolhido, porém há algo que não nos dá folga, nem nas férias&#8230; Os episódios de racismo.</p>
<p>O período de férias nem iniciou pra valer, mas já estamos protagonizando os primeiros episódios de racismo da temporada de férias 2019/2020. Esse é o período que muitos casos acontecem, já que depois de um ano inteiro de trabalho, muitas famílias negras poderão desfrutar dos espaços que, em boa parte do ano, foi frequentada, muitas vezes, só por pessoas brancas.</p>
<p>Para que o racismo não acabe com a diversão, temos que ficar com o radar ligado! Os episódios são sutis, sofisticados, e nossa atenção deve se voltar para que crianças não tenham aquela sensação de “tem algo errado comigo” ou “estou no lugar errado”.</p>
<p>Para combater o racismo, principalmente o estrutural, é preciso agir. E fica tranquila(o) não estamos falando para arrumarmos um barraco em cada esquina (apesar de as vezes dar vontade rsrsrsrs). O ato de falar, de alertar as pessoas, muitas vezes é educativo, por meio da nossa atitude, da nossa voz, as pessoas começarão a refletir sobre o assunto e se policiarão para não repetirem o erro.</p>
<p>Precisamos falar para conscientizar as pessoas e as empresas sobre o racismo, só assim, só conscientizando as pessoas é que acreditamos que algo pode mudar. Abaixo vão algumas dicas de como perceber e de como se posicionar se algum episódio acontecer:</p>
<ul>
<li>Se as abordagens e comentários partirem dos funcionários do espaço (hotel, restaurante, parques, aeroportos, avião, etc), chame a gerência e informe o ocorrido. Explique que os funcionários estão reproduzindo o racismo estrutural. Nesses espaços, o episódio pode ser aquela conferida no seu ticket de acesso, quando a conferência não ocorre com mais nenhum outro frequentador, o típico, você não deveria estar aqui&#8230;</li>
<li>Algumas pessoas vão querer negar, mas NINGUÉM PODE OPINAR SOBRE O QUE VOCÊ OU A CRIANÇA ESTÃO SENTINDO. Se sentiu que está sofrendo descriminação, sendo tratado de forma diferente das outras pessoas, ou está sendo vítima de racismo, informe prontamente.</li>
<li>Se o episódio partiu dos hospedes ou das crianças, converse com os adultos, explique o ocorrido e fale como se sentiu, como a criança se sentiu e como o episódio te incomodou. Não guarde a chateação com você, distribua para os envolvidos!</li>
<li>Vamos ficar atentas (os) às queixas das crianças, se elas estão informando que algo está acontecendo, sim, algo está acontecendo. Quando a gente age em defesa da criança ela sente que foi feita justiça e se fortalece para não se sentir inferior ou sentir que está tudo bem passar por isso. Outro ponto importante, quando você se posiciona a criança começa a perceber e entender o que é racismo.</li>
<li>Fique de olho também nos espaços de recreação, dar uma espiadinha, sem tirar a privacidade dos pequenos, acalma o nosso coração. Todos nós ficamos apreensivos, com medo das outras crianças estarem se desfazendo das nossas. Podemos espiar, mas só devemos interferir se observamos que a criança não está conseguindo se defender sozinha. Elas precisam ter autonomia para resolverem as questões, mas se ela vier ser queixar, volte ao tópico anterior!</li>
</ul>
<p>A principal regra é curtir as férias sem que ninguém ou estrutura racista nenhuma interrompa a sua curtição! Infelizmente o racismo está aí&#8230; ficar atento é uma boa estratégia para se proteger. Quando ficamos distraídos, os episódios nos pegam de surpresa e os efeitos podem ser traumáticos! Nosso desejo mesmo, é que nada aconteça e vocês possam desfrutar de muita paz e tranquilidade! Boas férias &#x1f60a;</p>
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