<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Marina Martins, Autor em Mundo Negro</title>
	<atom:link href="https://mundonegro.inf.br/author/marinamartins/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://mundonegro.inf.br/author/marinamartins/</link>
	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
	<lastBuildDate>Sat, 03 Oct 2020 00:21:26 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	
	<item>
		<title>Se estamos em constante mudança, como poderia a negritude, ser estática?</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/se-estamos-em-constante-mudanca-como-poderia-a-negritude-ser-estatica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Oct 2020 00:21:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>
		<category><![CDATA[negritude]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mundonegro.inf.br/?p=25398</guid>

					<description><![CDATA[<p>Dizia Neuza Santos Souza que &#8220;ser negro &#233; tornar-se negro&#8221;. Ent&#227;o, se a negritude &#233; fazer a jornada at&#233; o transformar-se, &#160;por que muitas vezes acreditamos que ser negro &#233; algo r&#237;gido e inato? Se pararmos para refletir sobre nossas vidas cotidianas: n&#227;o estamos sempre adquirindo novas experi&#234;ncias e nos adaptando diante das demandas que [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://mundonegro.inf.br/se-estamos-em-constante-mudanca-como-poderia-a-negritude-ser-estatica/">Se estamos em constante mudança, como poderia a negritude, ser estática?</a> apareceu primeiro em <a href="https://mundonegro.inf.br">Mundo Negro</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Dizia <strong>Neuza Santos Souza </strong>que “ser negro é tornar-se negro”. Então, se a negritude é fazer a jornada até o transformar-se,  por que muitas vezes acreditamos que ser negro é algo rígido e inato?</p>



<p>Se pararmos para refletir sobre nossas vidas cotidianas: não estamos sempre adquirindo novas experiências e nos adaptando diante das demandas que o dia a dia nos apresenta?</p>



<p>Se estamos em constante mudança, como poderia a negritude, ser estática?</p>



<p>Me aprofundando nesta inquietação, descobri a teoria Nigrescence que sugere que ninguém nasce com conhecimento de sua raça, e que a identidade racial se desenvolve a partir da movimentação do indivíduo em uma sociedade racista.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Teoria Nigrescence divide a formação da identidade racial em 5 estágios principais, começando pelo <em>o pré-encontro</em>, que é um lugar mais turbulento, passando depois pelo <em>encontro</em>, <em>imersão-emersão</em>, <em>internalização</em> e chegando até a <em>internalização-comprometimento</em> que reflete um estado mental mais equilibrado.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na fase do <strong>pré-encontro</strong> a pessoa não compreende a sua condição enquanto corpo racializado ou simplesmente não se importa com isso. Esse fenômeno é bem marcado em indivíduos com experiências de bolhas que não valorizam os aspectos da sua negritude. Essas pessoas são ensinadas a rejeitar a sua ascendência, e assim iniciam um processo de auto-ódio e super valorização da cultura, arte, produção e estilo de vida eurocentrados.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na segunda fase, o <strong>encontro</strong>, é quando um evento ou uma série de eventos forçam o indivíduo a se confrontar com a sua identidade, como situações onde a pessoa sofre agressões racistas e se vê obrigada a reiventar a sua persepção sobre si mesma.</p>



<p>               Talvez o recente caso do<strong> Neymar </strong>seja um bom exemplar desse acontecimento.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Logo após esse confronto, a pessoa começa a ter uma percepção mais positiva da sua negritude, mas, em contrapartida, &nbsp;pode apresentar disconforto pisicológico, sentir-se incomodada pelo conformismo das pessoas ao seu redor e se afligir pela passividade dos demais diante de situações de injustiça.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O encontro leva a pessoa para a fase da <strong>imersão-emersão</strong>, onde ela percebe que foi “enaganada” o tempo todo e por isso, propositalmente incia um processo de repúdio a branquitude, fazendo um mergulho no universo que percebe como negro.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pessoa se educa sobre a história e cultura de seu povo e tende a entrar em discussões mais calorosas sobre assunto (ainda que improdutivas). &nbsp;Aqui a identidade anterior é destruída e uma nova se incia. Se encerra então o ciclo da imersão e a emersão começa acontecer.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na emersão, a pessoa inicia a internalização e entende a negritude mais racionalmente. Isso pode também causar uma sensação de solidão, de que ninguém mais é capaz de entendê-la e de que ela está isolada.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pela falta de uma visão mais ampla, a pessoa pode acreditar que até mesmo a comunidade negra está contra ela, e por isso, existe um grande risco de que ela pare nesta etapa e não prossiga com o desenvolvimento.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aqui, ela também pode se sentir muito culpada e revoltada por ter deixado passar situações onde ela “deveria” ter se posicionado.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quarta etapa é a <strong>internalização</strong>, onde a pessoa internaliza a sua negritude de fato, ela já se movimenta pelo mundo como um ser negro mas não carrega mais isso como um peso. Ela deixa de discutir por tudo e com todos e gerencia bem os insultos e críticas que recebe. Se posiciona apenas quando vale a pena e faz sentido para ela.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;É também capaz de proteger os membros de seu povo que não são representados por motivos economicos e o interesse é focado em contribuir porque se mostrar correta o tempo todo deixa de ser uma necessidade.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Durante esse ciclo, a teoria aponta quatro caminhos mais comuns a serem percorridos para a continuidade do desenvolvimento:</p>



<p>1 &#8211; Identidade de cluster</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pessoa está interessada apenas em seu povo, tem pensamentos próximos ao nacionalismo pan-africanista e não está interessada em interagir com outras culturas. Ela entende a sua ancestralidade e opta por continuar mergulhada nela ao invés de explorar outras.</p>



<p>2 – Bi-Cultural</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pessoa faz um mix entre a cultura de onde nasceu com a cultura Africana.</p>



<p>3 &#8211; Multi-Culturalista Racial</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pessoa acredita que povos de diferentes lugares e raças (não-brancas) podem se unir e criar pontes. Ela se interessa por entender diversas outras culturas e identidades.</p>



<p>4 &#8211; Multi-culturalista Inclusiva</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acredita que a comunidade LGBTQIA+ e individuos brancos podem ser aliados na luta contra o sistema dominante.</p>



<p>É importante termos em mente que esta é uma teoria bem antiga e por isso, precisamos deixála aberta para reformulações e mudanças que já aconteceram na sociedade.</p>



<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </strong>Por fim, acontece a <strong>internalização-comprometimento</strong>, a quinta e última etapa, aqui a pessoa passa a&nbsp; maior parte do tempo ajudando a própria comunidade, não porque ele acredita que outras raças sejam inferiores mas porque ela entende que pode criar laços mais construtivos com pessoas com que ela divide uma experiencia em comum.&nbsp; Não é uma atitude baseada em raiva e odio e, por isso, o indivíduo é&nbsp; capaz de lidar bem com pressão e criticismo de dentro ou de fora da comunidade.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O que você achou desta terioria? Faz sentido para você? Eu acredito que o processo não encerre no quinto estágio e que após a nossaq internalização e comprometimento, ainda experimentamos outras diversas maneiras de vivenciar a nossa negritude.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desejo que a produção sobre a descoberta da beleza de ser negra seja um caminho de escrita que ainda encontrará muitos papéis em branco e olhares interessados. Seguimos junt@s explorando os nossos poderes ascentrais que recebemos como herança divina.</p>



<p>Referências:</p>



<p><a href="https://digitalcommons.georgiasouthern.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1066&amp;context=etd">https://digitalcommons.georgiasouthern.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1066&amp;context=etd</a></p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="youtube-embed" data-video_id="2wlS8uoo09c"><iframe title="Ethnic Identity Development (Nigrescence)" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/2wlS8uoo09c?feature=oembed&#038;enablejsapi=1&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></div>
</div></figure>



<p></p>
<p>O post <a href="https://mundonegro.inf.br/se-estamos-em-constante-mudanca-como-poderia-a-negritude-ser-estatica/">Se estamos em constante mudança, como poderia a negritude, ser estática?</a> apareceu primeiro em <a href="https://mundonegro.inf.br">Mundo Negro</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Entenda a diferença entre autoestima e estima racial</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/entenda-a-diferenca-entre-autoestima-e-estima-racial/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Aug 2020 09:59:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mundonegro.inf.br/?p=23957</guid>

					<description><![CDATA[<p>Voc&#234; j&#225; ouviu falar em estima racial? A primeira vez que escutei esse termo foi em um v&#237;deo do historiador Robin Walker para o canal&#160;&#8216;Centre of Pan African Thought, onde ele explica a diferen&#231;a entre estima pessoal e estima grupal/racial, contextualizando o processo de apagamento da hist&#243;ria Africana. Robin conta que para o processo de [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://mundonegro.inf.br/entenda-a-diferenca-entre-autoestima-e-estima-racial/">Entenda a diferença entre autoestima e estima racial</a> apareceu primeiro em <a href="https://mundonegro.inf.br">Mundo Negro</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Você já ouviu falar em estima racial? A primeira vez que escutei esse termo foi em um vídeo do historiador Robin Walker para o canal&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://www.youtube.com/watch?v=m1VtnOrcC80" target="_blank">‘Centre of Pan African Thought</a>, onde ele explica a diferença entre estima pessoal e estima grupal/racial, contextualizando o processo de apagamento da história Africana.</p>



<p>Robin conta que para o processo de colonização ser bem-sucedido, os colonos precisaram fazer parecer que a dominação estava sendo feita a ‘ninguém’. Ou seja, era fundamental – para os conquistadores – que os corpos negros fossem percebidos como ‘coisas’ e isentos de qualquer importância. Isso evitava qualquer impulso contrário a escravidão e eliminava a culpa cristã.</p>



<p>Se pensarmos bem, é meio óbvio que não é possível escravizar ‘alguém’, afinal de contas, uma pessoa que você acredita ter sentimentos e alma não pode ser tratada como mercadoria, certo?</p>



<p>Por isso, a ‘coisificação’ foi – entre diversas outras – uma estratégia utilizada para naturalizar a escravidão, para fazer com que os povos africanos fossem lidos pelos brancos como propriedade, como peças, bens-materiais ou algo que o valha. Porque assim, lendo os corpos africanos como mercadoria, eles se isentavam da condição de pecadores, por exemplo, já que Deus não ficaria nada feliz com a tortura de seus filhos, eles também se autorizavam a cometer as mais bárbaras violências já que corpos negros não possuíam almas, etc, etc, etc…</p>



<p>Vou parar por aqui porque sei que começa a dar enjoo! Mas podemos nos aprofundar mais em um próximo post.</p>



<p>Essa foi uma explicação bem curta e sem muitos detalhes. Apenas para dar um pincelada no contexto e entendermos melhor a teoria de Robin.</p>



<p>Inevitavelmente a pergunta que fica no ar é: Mas como os europeus conseguiram animalizar os povos africanos e perpetuar essa dominação até os dias de hoje? Um povo que conhece a sua história (como os africanos conheciam) e que vive a sua cultura (como os povos originários vivem), não pode ser resumido a nada!</p>



<p>Pois é, mas não foi de repente que o massacre se instalou e não é do nada que ele se perpetua até os dias atuais. Entre diversas outras ferramentas (como a violência física que falamos mais acima) a estratégia de apagamento foi a estratégia que mais corroborou e ainda corrobora para a manutenção do sistema colonial até os dias de hoje.</p>



<p>Para não sairmos muito do tema, vou recapitular e seguimos. Até aqui falamos que saímos de África como seres humanos mas chegamos aqui como objetos, fomos ‘coisificados’ durante a escravização e a perpetuação da colonização só foi possível por conta do apagamento da história do nosso povo.</p>



<p>Vou explicar melhor:</p>



<p>Todo registro sobre a história africana foi queimado e apagado pelos colonizadores. E isso não se resume apenas a materiais físicos, como livros e impressos, o apagamento se estende também aos conteúdos simbólicos e imateriais. No processo de colonização, éramos impedidos de falar nosso idioma natal e forçados a aprender português, por exemplo. E se falássemos nossas próprias línguas, éramos torturadas.</p>



<p>Éramos proibidos de praticar a nossa religião, separadas de nossas famílias, nossos filhos e filhas eram vendidos, o estupro era comum, etc…existiam tantas formas de punição, violência, tortura e manipulação que não é possível abordar todas em apenas um texto. Mas todas tinham como objetivo nos manter animalizadas, escravizadas, presas e distantes de quem realmente somos.&nbsp;</p>



<p>E sobre a continuação dessa opressão, Walker fala:&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right"><em>&#8220;INFELIZMENTE QUANDO A NOSSA HISTÓRIA É APAGADA, EM ALGUM MOMENTO ELA REALMENTE DEIXA DE EXISTIR NO NOSSO IMAGINÁRIO PORQUE JÁ NÃO EXISTEM NEM MESMO AS LEMBRANÇAS PARA SE LAMENTAR A PERDA. JÁ NÃO SE SENTE MAIS FALTA, É COMO SE ELA NUNCA HOUVESSE EXISTIDO&#8221;.</em></p>



<p>E se você chegou até aqui, pode estar se perguntando: Mas o que isso tudo tem a ver com estima pessoal e racial? Vamos amarrar tudo agora.</p>



<p>Robin fala que a relação com a imagem de uma pessoa negra se divide em dois conceitos: a estima individual, que é imagem que ela faz sobre si mesma e a estima grupal(ou racial) que é a imagem que ela faz sobre seu povo e sobre a sua história.</p>



<p>A estima individual já conhecemos bem né? é a avaliação subjetiva que o indivíduo faz de si mesmo, comumente chamado de auto-estima. Já a estima grupal, de acordo com o historiador, se refere a avaliação que o indivíduo faz do seu grupo, é a admiração e o respeito que a pessoa tem por outros indivíduos de sua etnia.</p>



<p>Ele reforça que esses dois tipos de estima são totalmente diferentes, uma pessoa pode, por exemplo, ter sua auto-estima elevada, pensar muito bem a respeito de si mesma e ao mesmo tempo, desacreditar de outras pessoas que se parecem com ela.</p>



<p>E por isso é importante entendermos como aconteceu todo esse processo de queima da nossa história, Robin acredita que não conhecermos quem somos e de onde viemos é o grande motivador da falta de estima racial. Como vamos valorizar nosso próprio povo se não conhecemos a nossa história? como vamos formar um elo poderoso entre nós se o que nos apresentam era a passividade dos nossos antepassados escravizados quando na verdade existiram incontáveis revoltas? Como saber sobre nossa nobreza se os arquivos foram queimados? como entender a nossa força e união que nos mantiveram vivas?</p>



<p>Os poucos registros que ainda existem não são apresentados a nós durante a nossa formação, não nos ensinam história africana nas escolas (e nem nas universidades). A primeira vez que descobri que existiam livros escritos por ex-escravos, por exemplo, e que existiam livros de filosofia africana, eu estava mais perto dos 30 do que dos 20.&nbsp;</p>



<p>Walker afirma que, justamente este, pode ser um dos motivos que mais promovem o ódio entre pessoas negras, brigas constantes, discussões e a inabilidade de manter relacionamentos saudáveis. Por conta da ausência de equilíbrio de alguns indivíduos que ainda que possam ter altíssima admiração por si mesmo, nutrem baixíssima ou nenhuma admiração pelo seu povo.&nbsp;</p>



<p>Neste momento, me lembrei da tese da&nbsp;<a href="https://digitalcommons.georgiasouthern.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1066&amp;context=etd" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gwyneira Ledford</a>, professora americana que escreve sobre as nuances de viver sua interseccionalidade sendo uma mulher negra moradora do sul dos Estados Unidos. Ela diz:</p>



<p class="has-text-align-right"><em>“Nós (pessoas negras) estamos traumatizadas por atos de violência, mortes inesperadas ou por uma imprevista experiência de ruptura social. Nós estamos traumatizados individualmente por experiências diretas onde um evento abruptamente impacta nossa psique. Em outros casos, os traumas ocorrem indiretamente, lentamente penetrando a consciência daqueles que o sofrem. Isso impacta negativamente os vínculos que, antes, criavam um senso de comunidade. Independentemente da forma do trauma (seja individual ou em grupo), ele resulta na remoção ou desparecimento de aspectos saudáveis das pessoas e geralmente apresentam ainda mais componentes destrutivos na psique do indivíduo.”</em></p>



<p>Neste trecho, a gente percebe a força com que as experiências de violências (diretas e indiretas) impactam nossa consciência, nossa mente ou usando o mesmo termo, nossa pisque. O entendimento de quem somos e do lugar o qual pertencemos é atravessado pelas inúmeras vivências traumáticas que experimentamos ao longo de nossas vidas.&nbsp;</p>



<p>Ainda quando crianças, a grande maioria de nós, experimentou crueldades físicas ou simbólicas ou ambas, e essas agressões nos acompanham por toda a nossa vida, dificultando o exercício de nossa plena humanidade, comunicação e relacionamento social saudável.</p>



<p>Gwyneira completa:</p>



<p class="has-text-align-right"><em>“As emoções tumultuadas que cercam as circunstâncias são geralmente caóticas demais para serem mentalmente processadas, mais ainda para serem articuladas. Além deste obstáculo, barreiras raciais dificultam a articulação dos sentimentos associados a nossa experiência racial”</em></p>



<p>Ou seja, o ambiente externo não é saudável e nós estamos em constante movimentação com esse exterior, que nos apresenta uma estrutura gigantesca com seus pilares fincados em opressões acumulativas, como o racismo e o patriarcado. Nesse diálogo com o mundo a nossa volta, negociamos a nossa identidade em tempo integral e lutamos pela sobrevivência e pela vida do nossos corpos emocional, sentimental e físico a cada novo dia. Quanto nos resta de energia para cuidarmos de nós mesmas? Como podemos entender e articular tudo isso que nos atravessa brutalmente?</p>



<p>Nos últimos tempos, aprendi a diminuir a expectativa e fé nessa barganha, eliminá-la me parece impossível agora mas tento reduzi-la a ponto de poder formar a minha própria ideia sobre mim mesma, decidir quem eu sou e quero ser e caminhar em direção a uma identidade positiva.</p>



<p>A solução que Walker propõe para elevar a estima racial é através do conhecimento e da reconexão com a nossa história. Ele acredita que quando estudamos a história contada pelos nossos ancestrais, é possível se orgulhar de quem somos e éramos, e assim, transformar o olhar pelas demais pessoas que pertencem ao nosso mesmo grupo.</p>



<p>Ledford tem uma pensamento parecido para resolução do problema, ela acredita que:</p>



<p class="has-text-align-right"><em>“Quando nós levamos em consideração o contexto racial e cultural, somos capazes de entender melhor nossas identidades, auto imagem e percepções pessoais que continuam definindo quem somos e sustentam os vieses predominantes na sociedade”</em></p>



<p>Nesta tese, ela também se lembra das palavras de Bell Hooks que nos dá um caminho:</p>



<p>“É importante que os indivíduos transformem suas consciências para acabar com o sistema estrutural da supremacia branca, e essas lutas individuais devem estar ligadas a um esforço coletivo.&nbsp;</p>



<p>É um caminho individual mas que é abraçado e apoiado pelo coletivo, Se não fizermos esse esforço juntas, não moveremos. Ela continua:</p>



<p class="has-text-align-right">&#8220;<em>Ao transformar as minhas experiências, pensamentos, leituras e reflexões em uma dissertação, outros podem ser informados e/ou inspirados. Então esse trabalho não só me afetará, mas também se estenderá aos membros da minha família, meus alunos e colegas educadores”</em></p>



<p>E trazendo esse ensinamento da Bell para a vida de cada uma de nós, podemos usar todo espaço que ocupamos para informar e inspirar através de quaisquer atividades que estejamos fazendo, online ou offline, no corporativo, nas artes, na educação (e dentro das infinitas possibilidades) . Primeiro transformamos a nós mesmas e damos as mãos, para juntas, transformarmos o mundo.</p>
<p>O post <a href="https://mundonegro.inf.br/entenda-a-diferenca-entre-autoestima-e-estima-racial/">Entenda a diferença entre autoestima e estima racial</a> apareceu primeiro em <a href="https://mundonegro.inf.br">Mundo Negro</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O discurso de autoaceitação pode ser cruel e violento</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/o-discurso-de-autoaceitacao-pode-ser-cruel-e-violento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2020 21:58:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mulher Negra Hoje]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mundonegro.inf.br/?p=23797</guid>

					<description><![CDATA[<p>Conte&#250;do sobre aceita&#231;&#227;o e autoamor que ignora as opress&#245;es estruturais &#233; igual ao discurso de mindset meritocr&#225;tico. A pessoa acredita e prega que todes no mundo precisam apenas mudar o &#8220;mindset&#8221; para se amar porque n&#227;o entende que as estruturas de opress&#227;o s&#227;o uma for&#231;a que est&#225; sempre nos pressionando a fazer justamente o contr&#225;rio, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://mundonegro.inf.br/o-discurso-de-autoaceitacao-pode-ser-cruel-e-violento/">O discurso de autoaceitação pode ser cruel e violento</a> apareceu primeiro em <a href="https://mundonegro.inf.br">Mundo Negro</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Conteúdo sobre aceitação e autoamor que ignora as opressões estruturais é igual ao discurso de <em>mindset </em>meritocrático.</p>



<p>A pessoa acredita e prega que todes no mundo precisam apenas mudar o &#8220;<em>mindset</em>&#8221; para se amar porque não entende que as estruturas de opressão são uma força que está sempre nos pressionando a fazer justamente o contrário, a nos odiar.</p>



<p>Geralmente são pessoas que não tem a sua própria existência questionada pela sua cor de pele e acabam trazendo nos seus discursos online a sensação de que quem não se ama, não se ama porque não quer. E não percebe o mecanismo social que nos entrega rejeição o tempo todo.</p>



<p>Eu concordo sim que precisamos parar de pensar sobre nós mesmas da maneira como querem que pensemos, precisamos parar de olhar-nos para como o sistema nos olha, precisamos libertar o nosso corpo, mente e espírito. Dá para fazer isso sim, mas é trabalho para uma vida.</p>



<p>Não é fácil ter auto estima sem renda para se manter, ficar bem na solidão total, estar numa boa quando ninguém te apoia, se sentir segura quando você não tem ouvido para desabafar, se curar emocionalmente sem sistema de saúde , nada disso é moleza, não se resume a foto no espelho.</p>



<p>O que eu venho tentando fazer é estar bem apesar de tudo isso, estar bem enquanto enfrento as opressões, criar caminhos onde essas coisas não me matem e onde enfrentamento também não me adoeça. NÃO DÁ PARA IGNORAR TUDO.</p>



<p>É sobre: como podemos ir nos libertando e ir sentindo o máximo de prazer possível? Como podemos, apesar de tudo isso, nos sentir bem? Como podemos não enlouquecer lutando pela nossa existência? Como podemos também celebrar pelas nossas vidas e não apenas lutar e lutar?</p>



<p>Temos sim, muitas vezes que mudar como pensamos como sobre nós mesmas. Mas esse pensamento não nasce com a gente, esse pensamento é uma estratégia de dominação e opressão que mata pessoas diariamente. Não adianta culpar o indivíduo como se o sistema não tivesse nada a ver com isso.</p>
<p>O post <a href="https://mundonegro.inf.br/o-discurso-de-autoaceitacao-pode-ser-cruel-e-violento/">O discurso de autoaceitação pode ser cruel e violento</a> apareceu primeiro em <a href="https://mundonegro.inf.br">Mundo Negro</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
