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	<title>Débora Simões, Autor em Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
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		<title>A força que nunca calou: o que não nos ensinaram sobre o 20 de Novembro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Simões]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Nov 2025 19:25:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[20 de novembro]]></category>
		<category><![CDATA[Dia da Consciência Negra]]></category>
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<p>Se você, como eu, cresceu nos anos 1990, deve lembrar das comemorações do <strong>13 de Maio</strong> na escola. A <strong>Princesa Isabel </strong>brilhava sozinha nessa história: nos livros didáticos, nas redações, nos cartazes coloridos. Tudo reforçava a ideia de que ela era a responsável direta — e praticamente única — pela libertação dos negros escravizados. Eu não aprendi, quando criança, sobre <strong>Luiz Gama</strong>, advogado e intelectual negro, que atuou decisivamente para libertar centenas de pessoas; nem sobre José do Patrocínio, jornalista e liderança negra do movimento abolicionista; nem sobre os irmãos <strong>André e Antônio Rebouças</strong>, engenheiros e pensadores negros cuja atuação política foi central naquele período. Muito menos sobre a resistência negra nos quilombos e nas revoltas que enfrentaram o sistema escravista.</p>



<p>No pós-Abolição, essa narrativa centrada na futura imperatriz não surgiu por acaso. A princesa foi transformada em símbolo de bondade e redenção nacional. Recebeu do <strong>Papa Leão XIII </strong>a condecoração Rosa de Ouro, gesto que a aproximava de uma imagem quase santa; teve seu rosto estampado na moeda comemorativa no primeiro aniversário da Abolição; e foi celebrada como a mulher branca que “deu” a liberdade. Essa construção ajudou a reforçar a ideia de um Brasil cordial e harmonioso, ao mesmo tempo em que deixava de lado as lutas negras — dos abolicionistas aos quilombos — e apagava o fato de que a liberdade foi resultado de um processo coletivo de resistência, organização e enfrentamento ao sistema escravista.</p>



<p>A partir da década de 1970, em plena ditadura militar, diferentes entidades do movimento negro se articularam e rearticularam politicamente para enfrentar o silenciamento das histórias de resistência negra que o Estado insistia em ignorar. E é importante dizer: esse silenciamento não foi um acidente — foi um projeto político muito bem-sucedido ao longo do século XX. Esses grupos denunciaram o mito da democracia racial e chamaram atenção para a situação da população negra no pós-Abolição — e para como seus efeitos seguiam (e seguem) presentes no cotidiano brasileiro. Ao fazer isso, trouxeram para o debate público algo que sempre esteve vivo nas comunidades negras, mas que raramente aparecia nos livros ou nas versões oficiais da história: o apagamento das lutas e das resistências negras ao longo dos séculos.</p>



<p>É dentro desse movimento maior que o 20 de Novembro começa a ganhar força. Em 1971, o <strong>Grupo Palmares</strong>, em Porto Alegre, propôs a data como um marco simbólico da resistência negra, conectando-a à memória de <strong>Zumbi</strong>, como lembra <strong>Lélia Gonzalez </strong>no livro <em>Lugar de Negro</em>. Em 1978, o <strong>Movimento Negro Unificado</strong> dá um passo fundamental nesse processo ao lançar o manifesto <strong><a href="https://mundonegro.inf.br/presidente-sanciona-lei-que-torna-20-de-novembro-dia-de-zumbi-e-da-consciencia-negra-feriado-nacional/">“A Zumbi. 20 de novembro — Dia Nacional da Consciência Negra”</a></strong>, documento que afirmava explicitamente a importância da data como marco político e histórico. A partir dali, o que antes era uma iniciativa localizada ganha projeção nacional e se transforma em símbolo coletivo de enfrentamento ao racismo e de afirmação da consciência negra no Brasil.</p>



<p>O 20 de Novembro carrega a força de muitas nações africanas e de histórias que nunca aceitaram o silêncio. Ele expõe o que esconderam de nós quando éramos crianças: a liberdade foi luta, não concessão. E lembra, como na canção de<strong> Jorge Ben Jor</strong>, que há momentos em que a memória chega com a força de Zumbi — senhor das demandas, capaz de desafiar a ordem. É isso que a data afirma hoje: a história é campo de disputa. E quando a memória negra se movimenta, ela não apenas revisa o passado — ela redefine o futuro.</p>
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		<title>8 casos de racismo por dia: crianças negras seguem sem segurança nas escolas</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/8-casos-de-racismo-por-dia-criancas-negras-seguem-sem-seguranca-nas-escolas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Débora Simões]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Aug 2025 08:43:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As crian&#231;as negras precisam da nossa aten&#231;&#227;o. A escola deveria ser um espa&#231;o seguro para todas, mas os dados mostram o contr&#225;rio. Entre janeiro de 2024 e julho de 2025, as escolas estaduais de S&#227;o Paulo registraram 4.554 casos de inj&#250;ria racial &#8212; uma m&#233;dia de oito por dia. Os n&#250;meros fazem parte de um [&#8230;]</p>
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<p>As crianças negras precisam da nossa atenção. A escola deveria ser um espaço seguro para todas, mas os dados mostram o contrário. Entre janeiro de 2024 e julho de 2025, as escolas estaduais de São Paulo registraram<a href="https://mundonegro.inf.br/dia-do-estudante-escolas-falham-em-proteger-alunos-negros-do-racismo-apontam-especialistas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> <strong>4.554 casos de injúria racial — uma média de oito por dia.</strong> </a>Os números fazem parte de um levantamento da Seduc-SP, publicado pelo Metrópoles a partir de dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). A maior parte das ocorrências aconteceu no interior (55,9%), seguida da capital (24,3%), região metropolitana (18%) e litoral (1,8%). Especialistas, no entanto, alertam para a subnotificação: a realidade pode ser ainda mais grave.</p>



<p>Esses números apenas confirmam o que muitas famílias negras já sabem. <strong>O racismo não espera a vida adulta para se manifestar.</strong> Ele atravessa a infância, se mostra no recreio, nas salas de aula, nos grupos de WhatsApp e, muitas vezes, até nas relações com professores. E sabemos que esse cenário não é exclusivo de São Paulo. Ele se repete em todo o país.</p>



<p>Falo também da minha experiência. Quando criança, ouvi “piadas” sobre meu cabelo. Minha mãe, sem letramento racial, tentava me proteger. Penteava meus cachos com escova até alisar a frente e prendia em rabo de cavalo. Eu nunca ia para a escola de cabelo solto. Era a forma dela de evitar as micro — que na verdade são macroviolências — do cotidiano escolar.</p>



<p>O jurista Adilson Moreira chama isso de <strong><em>racismo recreativo</em></strong>: quando o preconceito vem disfarçado de brincadeira, piada ou comentário “inofensivo”. Ele o define como um tipo de “racismo sem racistas”, porque quem pratica raramente reconhece a violência que causa. Mas, na prática, essas atitudes sustentam desigualdades, reforçam estereótipos e questionam a capacidade de pessoas negras ocuparem espaços de destaque. E Moreira lembra: essas ofensas não atingem só a vítima direta. Elas ferem a coletividade. Ser ridicularizado pela cor da pele não marca apenas uma criança — marca todo um grupo.</p>



<p>A escola, para minha geração, foi uma conquista. A Constituição democrática garantiu o acesso à educação pública, fruto da luta dos movimentos sociais. Esse espaço deveria significar aprendizado, convivência e desenvolvimento social. Mas para muitas crianças negras, ainda é também um lugar de violência e exclusão.</p>



<p>O movimento negro sempre da importância da escolarização. É por isso que lutamos, há décadas, para reduzir as desigualdades raciais na educação. Conquistas como a <strong>Lei 10.639/2003</strong>, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, e a matrícula obrigatória a  artir dos quatro anos de idade são vitórias importantes. Mas sabemos: direito na lei não é sinônimo de justiça no cotidiano.</p>



<p>É doloroso reconhecer que o lugar que deveria proteger e formar também pode ferir. Cada ocorrência de racismo escolar deixa uma cicatriz profunda, que atinge a criança e a comunidade ao seu redor. Por isso, quando falamos em educação antirracista, não estamos tratando de um “tema extra” no currículo. Estamos falando de transformar a escola em um espaço que ensina, protege e valoriza todas as infâncias e adolescências.</p>
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		<title>Como nasceu o Julho das Pretas: da luta à mobilização nacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Simões]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Jul 2025 08:55:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[encontro nacional das mulheres negras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Julho das Pretas tem movimentando as redes sociais. Mas voc&#234; conhece a origem dessa hist&#243;ria? Ou voc&#234; estava achando que foram as redes sociais (quase deuses) que escolheram esse m&#234;s, aleatoriamente? N&#227;o. N&#227;o foi assim. O nascimento e batizado do m&#234;s de julho para marcar os movimentos de luta das mulheres negras no Brasil [&#8230;]</p>
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<p>O <strong><a href="https://mundonegro.inf.br/julho-das-pretas-pelo-fortalecimento-das-mulheres-negras-nos-negocios/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Julho das Pretas</a></strong> tem movimentando as redes sociais. Mas você conhece a origem dessa história? Ou você estava achando que foram as redes sociais (quase deuses) que escolheram esse mês, aleatoriamente? Não. Não foi assim. O nascimento e batizado do mês de julho para marcar os movimentos de luta das mulheres negras no Brasil foi feito pelas protagonistas do movimento, por meio de articulação e organização social e política. E, falando nas protagonistas, estavam entre o elenco <strong>Lélia Gonzalez</strong>, <strong>Sueli Carneiro</strong> e tantas outras. Pois, como nos lembra <strong>Jurema Werneck</strong>: <em>nossos passos vêm de longe!</em> Se você, cara leitora / caro leitor, não conhece um ou dois desses nomes, não tem problema. Fica aqui, que você vai entender e conhecer essas estrelas (além do tempo). </p>



<p>Para entender o Julho das Pretas, é preciso olhar para além das hashtags. Esse mês nasce da força histórica de articulação política das mulheres negras no Brasil, que transformaram suas vivências e teorias em organizações, comitês, núcleos, redes — enfim, num movimento social fundamental para nossa sociedade. Aqui, vamos revisitar alguns dos marcos dessa história, como o <strong>1º Encontro Nacional de Mulheres Negras</strong>, em 1988, e a criação da <strong>Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras </strong>(AMNB). Cada um desses momentos foi decisivo para que hoje pudéssemos nomear, celebrar e reivindicar essa história.</p>



<p>Mas vamos voltar um pouco no tempo, mais precisamente para as décadas de 1970. Em plena ditadura civil-militar, os movimentos negros e de mulheres, assim como outros movimentos sociais, estavam em pleno vapor. O ato de fundação do<strong> MNU (Movimento Negro Unificado) </strong>foi em 1978 — e as mulheres negras estavam lá. No movimento negro, lado a lado na luta. Mas, muitas vezes, ficavam atrás. Não porque queriam — mas porque o machismo fazia isso. Eram elas que organizavam, cuidavam, puxavam a base. Mas, nas decisões, quem falava eram os homens. No movimento feminista, encontravam outras barreiras. As mulheres negras estavam presentes, mas suas vivências não apareciam. A luta contra o machismo era urgente, sim — mas e o racismo? E a pobreza? E os corpos que nunca couberam no ideal branco de mulher? Ser mulher negra era viver numa interseção que ninguém queria ver. E foi desse apagamento duplo que nasceu a necessidade de construir outro caminho. Por nós. Com a nossa cara.</p>



<p>Um exemplo dessas tensões entre os movimentos aconteceu em março de 1979, no Encontro Nacional de Mulheres, no Rio de Janeiro. Na ocasião, a intelectual e ativista negra Lélia Gonzalez chamou a atenção para a importância da questão racial nas relações entre mulheres negras e brancas, lamentando que, na época, não houvesse o mesmo consenso sobre o racismo que existia em relação a outras pautas femininas. Lélia denunciou que o movimento feminista, ao negar o racismo, buscava esconder a dominação e a exploração que mulheres brancas exerciam sobre mulheres negras. Ela observou que, durante aquele encontro de 1979, as feministas brancas, mesmo alinhadas a ideias progressistas e de esquerda, não reconheceram a urgência de incluir a pauta racial. A unanimidade em torno da luta contra a exploração da mulher e do trabalhador desaparecia quando o tema era o racismo e a influência da raça na vida das mulheres negras.</p>



<p>Foi outra intelectual e ativista negra que tão bem sintetizou essas tensões. Foi Sueli Carneiro quem traduziu, com precisão política, essas tensões. Para ela, a luta antirracista precisava caminhar junto da luta feminista — não como complemento, mas como parte indissociável. E vice-versa. Era urgente enegrecer o feminismo e feminilizar o movimento negro. Sueli nos ensinou que enfrentar só uma parte da opressão era insuficiente.</p>



<p>Um marco fundamental para o movimento de mulheres negras foi a realização do I Encontro Nacional de Mulheres Negras, que aconteceu em dezembro de 1988, em Valença (Rio de Janeiro). Mas, para a concretização em nível nacional, foram meses de articulações municipais, estaduais e regionais. Em julho de 1988, Salvador sediou um dos marcos mais importantes da mobilização de mulheres negras no Brasil: o seminário <strong>“Mulher Negra Cem Anos Depois”</strong>, que reuniu cerca de 750 participantes. Organizado pela <strong>União de Mulheres do Nordeste de Amaralina</strong>, o evento abordou temas como mercado de trabalho, sexualidade, educação e trajetória histórica da mulher negra — desde a escravidão até o fim dos cem anos da abolição. Sueli Carneiro e <strong>Sonia Ribeiro</strong> contribuíram com análises fundamentais nesse processo. O seminário foi um dos principais impulsos para o I Encontro Nacional de Mulheres Negras, e suas participantes — vindas de entidades do movimento negro, feminista, sindicatos e associações — foram escolhidas em eventos preparatórios regionais.</p>



<p>Há quase 40 anos, o I Encontro Nacional de Mulheres Negras foi um passo fundamental para a luta pelos direitos diante das diversas formas de opressão. Passos coletivos — porque, para nós, o individual é coletivo e o coletivo é individual. Nas redes, nas ruas, nos sindicatos, no parlamento, nas novelas — juntas, de diferentes formas, construímos o movimento de mulheres negras com nossas vidas, militâncias e existências resistentes.</p>
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		<title>21 de janeiro &#8211; Dia de Combate à Intolerância Religiosa: a resistência e o orgulho do povo negro</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/21-de-janeiro-dia-de-combate-a-intolerancia-religiosa-a-resistencia-e-o-orgulho-do-povo-negro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Débora Simões]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jan 2025 19:47:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje, 21 de janeiro, celebra-se o Dia Nacional de Combate &#224; Intoler&#226;ncia Religiosa. Criado em 2007, por meio da lei 11.635, o dia &#233; um marco para conscientizar a sociedade sobre a gravidade e a urg&#234;ncia das agress&#245;es motivadas por cren&#231;as religiosas. Enquanto sociedade &#233; importante lembrarmos as vulnerabilidades enfrentadas historicamente pelos adeptos das religi&#245;es [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Hoje, 21 de janeiro, celebra-se o <a href="https://mundonegro.inf.br/grupo-de-pesquisa-da-uff-lanca-novo-site-com-mapeamento-inedito-sobre-racismo-religioso-no-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa</strong>.</a> Criado em 2007, por meio da lei 11.635, o dia é um marco para conscientizar a sociedade sobre a gravidade e a urgência das agressões motivadas por crenças religiosas. Enquanto sociedade é importante lembrarmos as vulnerabilidades enfrentadas historicamente pelos adeptos das religiões de matrizes africanas. O dia 21 de janeiro é conhecido pelo combate à intolerância religiosa em homenagem à ativista social e <strong>ialorixá Mãe Gilda de Ogum</strong>, que liderava o terreiro <strong>Ilê Axé Abassá de Ogum</strong>, em Salvador, na Bahia. Em 2000, a família e o terreiro de Mãe Gilda foram alvos de violência e vandalismo, que ocasionaram a morte de infarto dessa mulher negra, símbolo da luta contra o racismo religioso. </p>



<p>No Brasil, o candomblé e a umbanda são as religiões mais atacadas e os crimes são realizados, principalmente por fieis ligados às igrejas evangélicas neopentecostais. De acordo com dados do <strong>Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania</strong>, o número de violações motivadas por intolerância religiosa cresceu 80% entre 2022 e 2023 registrados pelo<strong> Disque 100</strong> (Disque Direitos Humanos). Ainda segundo o órgão, as religiões de matriz africana seguem como as mais afetadas por esse tipo de violência, onde seus corpos, crenças e templos são atacados simbólica e/ou fisicamente. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia chamam atenção pelo número elevado de casos .</p>



<p>Dos diversos direitos constitucionais que ao povo negro é negado configura também a falta de expressão e liberdade de crenças e cultos, pois somos sistematicamente atacados. Assim, o movimento negro contemporâneo luta para garantia de direitos (à educação, à moradia, à comida, à vida, às crenças) já oficialmente conquistados na legislação, mas nem sempre atendidos pelo Estado. </p>



<p>O candomblé já nasceu no século XIX, como resistência, lá na Bahia (a mesma de Mãe Gilda) e assim seguirá ocupando as ruas, como o <em>Sabejé </em>(ritual em celebração a Omolu) na Avenida Paulista organizado pelo<strong> babalorixá Rodney William</strong> do terreiro<strong> O Ilê Obá Ilê Oba Ketu Axé Omi Nlá </strong>que ocupa a mais importante via do centro da capital de São Paulo. Com os ojás na cabeça, fios de contas no pescoço, seguimos como existência potentes protegidas pelas forças dos orixás, celebrando livremente nos templos, casas e ruas.  </p>
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		<title>Debate histórico: audiência pública decide futuro do nome do Hospital Nina Rodrigues, em São Luís (MA)</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/debate-historico-audiencia-publica-decide-futuro-do-nome-do-hospital-nina-rodrigues-em-sao-luis-ma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Débora Simões]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Nov 2024 15:27:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[maranhão]]></category>
		<category><![CDATA[Nina Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[racismo científico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No dia 21 de novembro de 2024, &#224;s 9h da manh&#227;, haver&#225; uma audi&#234;ncia p&#250;blica para decidir sobre o futuro do nome do hoje Hospital Nina Rodrigues, em S&#227;o Lu&#237;s, no Maranh&#227;o. Nesse ato aberto e p&#250;blico, todos os cidad&#227;os poder&#227;o participar do julgamento, o &#8220;r&#233;u&#8221; &#233; o m&#233;dico legista Raimundo Nina Rodrigues, um dos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>No dia 21 de novembro de 2024, às 9h da manhã, haverá uma audiência pública para decidir sobre o futuro do nome do hoje <strong>Hospital Nina Rodrigues</strong>, em São Luís, no Maranhão. Nesse ato aberto e público, todos os cidadãos poderão participar do julgamento, o “réu” é o médico legista <strong>Raimundo Nina Rodrigues</strong>, um dos principais nomes responsáveis por difundir teorias eugenistas, que colocam o negro como ser não evoluído, no país. Nasceu em 4 de dezembro de 1862, no mesmo estado do julgamento, na cidade de Vargem Grande. Seria só parcialmente verdade afirmar que o acusado é <strong>Nina Rodrigues</strong>, pois de fato, o que está em questão é o nome do hospital que atualmente leva o seu nome. </p>



<p>Homenagear, segundo o dicionário online <em>Dicio</em>, significa “demonstrar publicamente admiração e respeito por alguém”. Diante desta definição surgem algumas questões: será que pessoas com um passado controverso deveriam dar nome a ruas, avenidas, pontes, praças e edifícios? Quais sujeitos históricos merecem tal demonstração pública de admiração? Quem são os homens (maioria massiva) homenageados com estátuas que marcam a paisagem das grandes, médias e pequenas cidades pelo Brasil?</p>



<p>O assunto não é novo e nem pouco debatido. Mas você já parou para pensar qual é o nome da maior ou mais conhecida avenida da cidade que você mora? Você sabe quem foi essa pessoa? Quem estamos honrando ao colocar certo nome num espaço? Este texto tem mais perguntas do que respostas. Porém, juntos e juntas chegaremos a algumas respostas e com sorte produziremos novas indagações.&nbsp;</p>



<p>Nos últimos anos, o debate sobre monumentos e suas homenagens controversas ganhou destaque na mídia e nos debates acadêmicos, sobretudo entre os historiadores. </p>



<p>O ponto inicial da retomado do assunto, ocorreu em 2020, com a mobilização internacional gerada pelo assassinato de <strong>George Floyd</strong>, das inúmeras manifestações populares em resposta ao ato racista, uma terminou com a derrubada da estátua de <strong>Edward Colston</strong>, na cidade de Bristol, na Inglaterra. Edward Colston foi um alto funcionário da empresa <em>Royal African Company,</em> que no século XVII traficou milhares de escravizados africanos para trabalharem nas colônias inglesas, no Caribe e nas Treze Colônias, conforme apresenta o historiador <strong>Jorge Amilcar Santana</strong> no livro <em>Galeria de Racistas</em>. Em 2021, no Brasil, na zona sul de São Paulo, a estátua do bandeirante <strong>Borba Gato</strong> foi incendiada. Nos dois casos citados os homenageados participaram da escravização de pessoas.&nbsp;</p>



<p>No caso de <strong>Nina Rodrigues</strong>, o autor do processo, o advogado <strong>Thiago Cruz</strong>, defende a “incompatibilidade da homenagem prestada a uma figura histórica que sustentava ideias racistas e eugenistas” como apresentada na ata da audiência inicial. Para que você, leitor e leitora formule sua acusação ou defesa, apresento alguns dados sobre a trajetória de <strong>Nina Rodrigues</strong>. Em 1882, ele começou o curso de Medicina na Bahia e fez parte dos seus estudos no Rio de Janeiro. Anos depois retornou para Salvador e em 1889 tornou-se professor na Faculdade de Medicina da Bahia, conforme consta no livro <em>As Ilusões da Liberdade</em> de Mariza Corrêa. </p>



<p><strong>Nina Rodrigues </strong>fez parte de um grupo de cientistas que no final do século XIX e início do século XX formulava acerca das teorias raciais, sobretudo o darwinismo social e a eugenia no Brasil. Um dos livros mais famosos de Nina Rodrigues é O <em>animismo fetichista dos negros baianos,</em> de 1896 onde o autor descreveu práticas religiosas de candomblés de Salvador, algumas de suas frases fica explicita a adesão as ideias eugenistas, como, “incapacidade psíquica das raças inferiores para as elevadas abstrações do monoteísmo” (p.27); o dualismo dos negros é, pois, ainda o dualismo rudimentar dos selvagens (p.41); dos espíritos simples, incultos e supersticiosos como os dos  negros (p.72); do fraco desenvolvimento intelectual dos negros africanos (p.90), são alguns exemplos. </p>



<p>Sabe aqueles estudos de medição de crânios? <strong>Nina Rodrigues</strong> também os fazia. Uma das teses defendidas por ele, dizia que a partir da análise da simetria dos crânios de brancos e negros era possível constatar que os “não brancos”, para usar as palavras dele, eram mais propícios as degenerações sociais, aos vícios e aos crimes. Por isso, era necessário criar o código penal brasileiro levando em consideração essas diferenças, tudo isso publicado em outro livro, <em>As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasil,</em> de 1935.   </p>



<p>Meu dever aqui foi apresentar o “réu” para que você possa tirar suas próprias conclusões. Talvez eu tenha mais um objetivo, questionar: quem realmente merece homenagem com seus nomes estampados em prédios, ruas e estátuas quando se fala da história do Brasil?</p>



<p></p>
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		<title>O Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+ também nos lembra a força e coragem de Marsha P. Johnson</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Simões]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jun 2024 17:51:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[Marsha P Johnson]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Voc&#234; sabe o que se comemora em 28 de junho? Marca a&#237; na sua agenda: 28 de junho &#233; o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+. Sem fazer mist&#233;rio vou te contar, a motiva&#231;&#227;o que levou a defini&#231;&#227;o dessa data como um marco da luta mundial do orgulho LGBTQIAPN+ e de quebra, como um extra, mas [&#8230;]</p>
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<p>Você sabe o que se comemora em 28 de junho? Marca aí na sua agenda: 28 de junho é o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+. Sem fazer mistério vou te contar, a motivação que levou a definição dessa data como um marco da luta mundial do orgulho LGBTQIAPN+ e de quebra, como um extra, mas que na verdade é a alma desse texto, vou te apresentar a <strong>Marsha P. Johnson</strong>. </p>



<p>Na madrugada de 28 de junho de 1969, no bairro Greenwich Village, em Nova York, estava reunido o bar Stonewall Inn, população LGBT+, como era de costume. Aquele bar simples com bebidas de procedência duvidosa era um local no qual um conjunto de pessoas que viviam à margem da sociedade se encontram, eram clientes assíduos: gays afeminados, travestis, drags, lésbicas, LGBT+ negras, latinas e pobres. O bar era gerenciado pela máfia que mantinha acordo ilegal com a polícia, contudo isso não impedia que a força armada da cidade de Nova York não agia ali com violência. As batidas policiais aconteciam com muita frequência em Stonewall, mas qual diferente ocorreu naquela madrugada de 28 de junho de 1969. Um pequeno grupo de policiais entraram e começaram a pedir os documentos, separar aqueles que estavam de trajes que não eram “apropriados” para seu sexo (na época era crime nos Estados Unidos), algumas pessoas estavam sendo detidas, mas aquela não seria mais uma noite. Reações individuais, pequenas insubordinações foram ganhando força e aos poucos um motim espontâneo e violento cercou os poucos agentes de segurança pública que ali estavam.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Pedras arremessadas, copos atirados contra janelas do bar, barricadas construídas, viaturas destruídas, o gueto nova iorquino estava pegando fogo. Corpos e existências antes submissas naquele dia cansaram de tanta violência e reagiram. A revolta só chegou ao fim na manhã do dia seguinte, após a chegada de um tropa policial especial específica para “resolver” aquela situação tão atípica. A repercussão da revolta ganhou os jornais e circulava nos panfletos propagados pela comunidade LGBT+, essa comoção incentivou novos conflitos. Outras revoltas públicas ganharam força, a luta ganhou as ruas e a comunidade não queria mais se esconder, inaugurou ali um novo tipo de resistência pautada no sentimento de orgulho, não tinha mais como retornou o desejo coletivo de se expressar com valor já estava nas ruas, se esconder não era mais a única solução para a existência da comunidade.  </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="681" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/06/Marsha_P._Johnson_at_Stonewall_Riots-681x1024.jpg" alt="" class="wp-image-80784" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/06/Marsha_P._Johnson_at_Stonewall_Riots-681x1024.jpg 681w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/06/Marsha_P._Johnson_at_Stonewall_Riots-200x300.jpg 200w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/06/Marsha_P._Johnson_at_Stonewall_Riots-100x150.jpg 100w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/06/Marsha_P._Johnson_at_Stonewall_Riots-768x1154.jpg 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/06/Marsha_P._Johnson_at_Stonewall_Riots-150x225.jpg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/06/Marsha_P._Johnson_at_Stonewall_Riots-300x451.jpg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/06/Marsha_P._Johnson_at_Stonewall_Riots-696x1046.jpg 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/06/Marsha_P._Johnson_at_Stonewall_Riots-279x420.jpg 279w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/06/Marsha_P._Johnson_at_Stonewall_Riots.jpg 1000w" sizes="(max-width: 681px) 100vw, 681px" /></figure>



<p>O legado de Stonewall é inegável. Contudo, não foi o único foco de resistência da comunidade LGBT+ que ocorreu na segunda metade do século XX. O historiador e ativista <strong>James N. Green </strong>no artigo <em>Nem todos os caminhos levam a Stonewall, em Nova York</em> não nega a importância da rebelião do gueto nova iorquino como marco mundial para a luta da igualdade das pessoas gays e a difusão mundial da pauta. Contudo antes de Stonewall, em outros lugares já haviam tido conflitos e ativismo cuja pauta era a liberdade das pessoas LGBTs. James N. Green menciona o grupo social  Nuestro Mundo, em Buenos Aires, na Argentina, em 1967 que tinha ações politizadas e auxiliou na criação da Frente de Libertação Homossexual, no ano de 1971. O historiador também mostra que no México, em 1968 já havia um grupo organizado de ativistas gays e lésbicas que surgiram das mobilizações do movimento estudantil. De acordo com Green, “em 1971, uma organização gay de curta duração, a Frente de Liberação Homossexual, foi fundada no México. Um ano depois, a diretora de teatro Nancy Cárdenas organizou o Coletivo de Liberação Homossexual, marcando o estabelecimento definitivo de um movimento naquele país”. </p>



<p>Como já disse, não estou negando a importância do marco de Stonewall no difusão do ativismo LGBT+, pois como já é unânime entre os pesquisadores do tema, ali em gueto de Nova York nasceu um tipo específico de militância que não admitia mais apenas a tolerância, mas lutavam pelo orgulho de pertencer ao grupo LGBT+, surgia ali um engajamento a partir do combate à sociedade patriarcal e heteronormativa e do orgulho LGBT+.&nbsp;</p>



<p>O levante de Stonewall contou com a participação de algumas ativistas trans (na época esse termo não era usado) e que, de alguma forma, foram excluídas do protagonismo do movimento que veio após a rebelião. Principalmente, “excluídas” da organização das paradas do orgulho gay que começaram um ano depois da revolta. Do conjunto de ativistas excluídas gostaria de falar de <strong>Marsha P. Johnson</strong>, que na madrugada do dia 28 de junho de 1969 chegou para contribuir com as manifestações contra a ação violenta da polícia. Marsha P. Johnson nasceu em Malcolm Michaels, em 1945, era negra, drag queen e uma ativista muito potente nos primeiros anos das lutas por direitos da população LGBT+. Em 6 de julho de 1992, no rio Hudson, em Nova York, Marsha foi encontrada morta. Conheci a potência da existência de Marsha junto com o conhecimento sobre sua morte. Lembrou-me bem das primeiras cenas da obra a qual me apresentou a militante, foi por meio da tela da televisão no documentário<em> A Morte e Vida de Marsha P. Johnson</em>, dirigido por David France e lançado em 2017 pela Netflix. Sua morte foi rapidamente definida pela polícia nova-iorquina como suícidio, porém, amigos e ativistas discordam desse laudo oficial. Victoria Cruz, trans e ativista protagoniza o documentário, pois é ela que reabre o caso da morte de Marsha e luta por respostas junto à polícia. A partir da narrativa de Victoria Cruz podemos compreender cada ação revolucionária de Marsha P. Johnson que criou a <em>Gay Liberation Front </em>que lutava pelo fim da perseguição da população LGBT+. Marsha em parceria com sua amiga Sylvia Rivera fundaram a <em>Street Transvestite Action Revolutionaries</em> (S.T.A.R), que oferecia moradia e alimentação a jovens LGBTs. </p>



<p>No documentário e em outras fontes podemos notar a marginalização das pessoas trans e travestis no início do movimento LGBT+. Marsha e Sylvia Rivera sentiram na pele essa tentativa sistemática de silenciamento, mas isso não as parou. Através do ativismo de Masha P. Johson aprendemos que a liberdade não pode ser parcial, ou limitada a certos grupos em detrimento de outros. Parece óbvio, mas ainda vale a pena lembrar que: só seremos livres quando todos forem livres.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
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		<title>O caso Cláudia Ferreira: mais uma vez, vemos o processo de aniquilação de quem somos ou poderíamos ser</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Simões]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Mar 2024 15:23:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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<p>Dez anos nos separa de um dos acontecimentos mais brutais da história da violência policial do Rio de Janeiro. Em 16 de março de 2014, <strong>Cláudia Silva Ferreira</strong> foi arrastada por 350 metros num carro da <strong>Polícia Militar</strong>, pelas ruas do bairro de Madureira, na Zona Norte carioca. Cláudia, mulher negra, tinha 38 anos, era auxiliar de serviços gerais, tinha filhos e um marido. Num domingo, ao sair de casa para comprar pão, foi atingida por dois tiros, por causa de confronto entre policiais e traficantes no Morro da Congonha. Após ter sido baleada ela foi colocada, pelos próprios policiais no carro oficial para ser socorrida no Hospital Estadual Carlos Chagas, contudo durante o percurso o compartimento da viatura abriu, Cláudia ficou pendurada por um tecido e foi arrastada, tendo sua pele dilacerada no asfalto. Mesmo sob o grito de alerta daqueles que viram a situação, os policiais não pararam. Essa brutalidade foi filmada por um cinegrafista amador e amplamente divulgada na mídia. Ela perdeu sua vida pelo Estado. </p>



<p>Uma década após o crime teve um desfecho: a Justiça inocentou os policiais acusados, que respondiam por homicídio e por remover o corpo do local. O <strong>juiz Alexandre Abrahão Teixeira, do 3º Tribunal do Júri</strong>, concluiu que eles eram inocentes das acusações citadas. “Erro de execução” concluiu o juiz. Esta frase está ecoando na minha cabeça, assim como outros trechos de narrativas proferidas durante o julgamento. Voltaremos nelas daqui a pouco.  Antes disso vou levantar outras questões. </p>



<p>Quantos metros e por quanto tempo um corpo de uma mulher negra pode ser arrastado? Porque alguns corpos são cuidados e acolhidos, enquanto outros são alvo das mais brutais violências? O que afinal é a Justiça? A Justiça tem uma cor? Não pretendo aqui responder sistematicamente essas questões, mas sim expor uma breve reflexão que passa por essas questões. </p>



<p>Uma das provas usadas no processo criminal que trata este texto foi o laudo do <strong>Instituto Médico Legal</strong>, o documento conclui que a causa da morte foram os tiros e desse fato, o juiz Alexandre Abrahão afirmou que os agentes de segurança pública (os PMs) agiram em legítima defesa, uma vez que estavam em confronto com traficantes. O argumento supremo e muito antigo da guerra às drogas. “Diante do conjunto probatório existente nos autos, infere-se que os acusados agiram em legítima defesa” , conclui o juiz. </p>



<p>Já sobre a retirada de Cláudia do local do crime, a Justiça entendeu que os policiais tiveram a intenção de socorrer. A<em> Agência Brasil </em>reproduziu algumas falas dos PMs, vou me concentrar numa, pois já será suficiente (e acredito que você irá concordar comigo). “No banco traseiro da viatura havia alguns armamentos. A população estava revoltada e tentou tomar para si as armas, bem como agredir os policiais. Como os agentes tinham que socorrer Cláudia, não houve tempo hábil para retirar as armas do banco. Em razão disso, eles a colocaram, dentro da caçapa da viatura”, afirmou <strong>Wagner Cristiano Moretzohn, o comandante do 9° Batalhão da Polícia Militar</strong> à época. No instante em que li este trecho do depoimento do comandante, meus olhos lacrimejaram e minha garganta doeu, eram os sinais do meu corpo ao imaginar e recriar a cena na minha mente.  </p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="640" height="772" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-23-at-15.21.58-1.jpeg" alt="" class="wp-image-77542" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-23-at-15.21.58-1.jpeg 640w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-23-at-15.21.58-1-249x300.jpeg 249w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-23-at-15.21.58-1-124x150.jpeg 124w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-23-at-15.21.58-1-150x181.jpeg 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-23-at-15.21.58-1-300x362.jpeg 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-23-at-15.21.58-1-348x420.jpeg 348w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" /><figcaption class="wp-element-caption">Crédito: Kilomba Collective</figcaption></figure>



<p>Acredito que você esteja desconfiado sobre o real motivo que guiou os vizinhos de Cláudia tentarem impedir que os policiais a levassem. O desespero sólido. A dor e a angústia dos filhos, que esperavam a sua mãe com os pães, no instante no qual souberam que ela poderia estar morta.&nbsp;</p>



<p>Os representantes da Segurança Pùblica não cumprem com suas funções quando o sujeito é negro. Ao invés de proteger, promove a morte de certos grupos. Como argumenta o <strong>filósofo camaronês Achille Mbembe</strong>, existe uma estrutura de dominação muito atual que se fortalece e se renova cada vez mais e ela está disfarçada de soberania e da preservação da ordem social vigente, fornecendo ao Estado “autorização” para operar o direito de matar. Assim, o conceito de <em>necropolític</em>a de Mbembe explica os modos de dominação do Estado, e de que forma esse Estado promove a vida ou a morte a depender do grupo social. </p>



<p>Não é exagero afirmar que o Brasil mata sistematicamente corpos negros. Promover segurança pública é um conjunto de ações de controle da criminalidade e da violência por meio do sistema da justiça, esse sistema é composto de entidades ligadas ao Poder Executivo e ao Judiciário, que trabalham em etapas relacionadas e contínuas de controle social que especificam o papel do Estado no cumprimento da ordem pública. Sendo representante do Estado nas ruas, o policial deve, de acordo com a lei, tratar os indivíduos sem distinção de classe, cor, gênero etc. Contudo, isso é só um sonho. No recorte racial, os negros são as maiores vítimas de violência policial.&nbsp;</p>



<p>Para escrever este texto, precisei ler diversas matérias publicadas tanto em 2014 quanto aquelas que eram publicadas a partir das mudanças no processo criminal, como por exemplo, quando foi realizada a reconstituição do crime, ou mesmo nos momentos em que novas testemunhas eram ouvidas e por fim a divulgação da sentença de absolvição dos policiais envolvidos. No conjunto de notícias que li, notei novas mortes, pelo silenciamento do indivíduo enquanto sujeito ativo. O nome da vítima era substituído por “mulher arrastada”, ou em lugar do nome dela a utilização da palavra “corpo”. Não. Não foi um corpo colocado na viatura da polícia, mas sim a Cláudia com seu corpo negro e sua história. Mais uma vez, vemos o processo de aniquilação de quem somos ou poderíamos ser.&nbsp;</p>



<p>A cada nova leitura ou finalização de um parágrafo eu lembrava do trabalho de mestrado da <strong>pesquisadora Amanda Quaresma</strong> de título <em><strong>Os corpos gritam para ninguém</strong>. </em>O ponto inicial da autora foi o grupo documental de laudos produzidos pelo Instituto Médico Legal <strong>Nina Rodrigues</strong>, em Salvador, na Bahia. Sua pergunta central foi questionar: os laudos elaborados pelo Instituto Médico “permitem a construção de verdades que abranjam outras narrativas, que não as produzidas pelo Estado?” A pesquisa da Amanda Quaresma centrada no processo criminal da “chacina do Cabula” e seu resultado têm grandes contribuições para inúmeras reflexões, mas a que queria trazer aqui é uma das conclusões que ela chega: “todo o processo de produção de laudos periciais é permeado por um racismo antinegro, que valida narrativas e ficções de uma polícia que mata, enquanto apaga histórias de comunidades inteiras”.  </p>



<p>Por fim, gostaria de apontar uma última ideia: se a Cláudia fosse uma mulher branca, será que seria tratada da mesma forma pelo Estado?&nbsp; Em março, mês marcado pela constituição do Dia Internacional das Mulheres, nós mulheres negras brasileiras, vimos e sentimos o desfecho cruel do crime que Cláudia foi vítima. Precisaria de mais um texto, ou talvez, muitos outros para continuar esta ideia. Mas como prometi que iria terminar, deixo a reflexão sobre os feminismos e suas histórias como movimentos políticos, para o outro momento.&nbsp;</p>
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		<title>O que você pode aprender com o livro &#8216;Pequeno Manual Antirracista&#8221;, da escritora Djamila Ribeiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Simões]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Mar 2024 21:00:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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		<category><![CDATA[djamila ribeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Pequeno Manual Antirracista foi publicado em 2019, pela escritora, professora e coordenadora da iniciativa Feminismos Plurais, Djamila Ribeiro. Em 2020, liderou o ranking dos livros mais vendidos pela Amazon no Brasil. A obra come&#231;a lembrando que o racismo estrutura a sociedade brasileira, por isso para trat&#225;-lo &#233; necess&#225;rio apresentar uma perspectiva hist&#243;rica e um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O<em> Pequeno Manual Antirracista</em> foi publicado em 2019, pela escritora, professora e coordenadora da iniciativa Feminismos Plurais, <strong>Djamila Ribeiro</strong>. Em 2020, liderou o ranking dos livros mais vendidos pela Amazon no Brasil. A obra começa lembrando que o racismo estrutura a sociedade brasileira, por isso para tratá-lo é necessário apresentar uma perspectiva histórica e um ponto de partida importante é a relação entre escravidão e racismo, examinando suas consequências. É exatamente a partir desse ponto que todas as indicações, instruções, ensinamentos e sugestões na trilha do combate ao racismo são dadas. </p>



<p>Logo no início<strong> Djamila Ribeiro</strong> chama atenção para a importância de brancos e negros estudarem sobre as relações étnicos raciais. Aponta o sucesso do mito da democracia racial difundido por intelectuais brasileiros, sobretudo pelos escritos do sociólogo <strong>Gilberto Freyre</strong>. O Brasil seria, nessa perspectiva analítica, um paraíso das raças onde portugueses, indígenas e negros conviviam de maneira harmoniosa, desse modo romantizava as violências sofridas pelos oprimidos. </p>



<p>Para combater o racismo precisamos admitir que ele existe. É urgente nomear as opressões.. Não devemos ter medo das palavras “branco ”, “negro”, “raça”, “racista”. Para combater é preciso falar. É urgente encaramos o racismo de frente</p>



<p>Alguns passos são fundamentais para se tornar um antirracista. Ler e prestigiar autores e autoras negros e negras. Votar e apoiar candidaturas de sujeitos negros. Incentivar empreendedores negros. Apoiar candidatos que busquem políticas públicas transformadoras. Responsáveis por crianças e adolescentes procurem saber e cobrem se a escola que eles frequentam coloca em prática a lei 10.639 que desde 2003 tornou obrigatório a história e cultura dos africanos e afro brasileiros nos currículos. De forma geral, o conteúdo ensinado nas escolas é branco e eurocêntrico. É possível e urgente que os estudantes vejam para além do ponto de vista do vencedor. Seria interessante parar de enfatizar o sofrimento da escravidão e falarmos também sobre a resistência do povo negro ao sistema escravista.&nbsp;</p>



<p>Cristalizamos, no dias atuais, os locais em que os negros podem e devem estar. A mídia, ano após anos, tem nos mostrado os papéis que os negros desempenham na nossa sociedade. Ninguém estranha uma empregada doméstica negra, mas não imaginam ela como presidente de uma multinacional. Dizem por aí que basta se esforçar, aquela velha história do mérito, mas enquanto o jovem branco rico está estudando idioma ou lendo depois da aula do cursinho caro, o jovem negro da periferia urbana está trabalhando como atendente de lanchonete em dois turnos e estuda a noite em casa. Quem tem mais chance de passar para uma vaga numa universidade pública, no curso de&nbsp; Medicina, por exemplo?&nbsp;</p>



<p>A população negra é maioria da população, mas os locais de poder estão lotados de brancos. Você já pensou quantas pessoas negras têm na sua equipe de trabalho? Quais cargos as pessoas negras ocupam? Mas você pode me responder, minha empresa não é racista, temos um gerente negro. Isso é racismo. O negro único é produto do racismo. Representatividade é diferente e proporcionalidade. Enquanto antirracista que nos pretendemos, busquemos proporcionalidade.&nbsp;</p>



<p>No <em>Pequeno Manual Antirracista </em>conhecemos intelectuais negros e negras que estão há muito tempo teorizando sobre as relações raciais nos diferentes espaços sociais. Assim, o livro menciona, por exemplo, o feminismo negro brasileiro com Lélia Gonzalez, o conceito de racismo recreativo com Adilson José Moreira, o epistemicídio com Sueli Caneiro, a cor dos afetos com reflexões de Carla Akotirene, a perpetuação do pacto da branquitude no mercado de trabalho com a psicóloga Cida Bento, a problemática da apropriação cultural com Rodney William.&nbsp;</p>



<p>O livro é uma leitura obrigatória para entender como as hierarquias raciais de opressão se perpetuam historicamente. Os brancos devem ler para se responsabilizar criticamente pelo sistema de opressão que mantém seus próprios privilégios, criando desigualdades e as maneiras complexas pelas quais eles vão se mantendo ao longo do tempo. Os negros precisam ler, pois é uma jornada de autoconhecimento e um alerta para não reproduzir opressões. Essa obra abre caminhos para a construção de uma sociedade antirracista. Para tanto precisamos agir e logo.&nbsp;</p>
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		<title>A necessidade urgente de combater o racismo nas escolas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Débora Simões]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Feb 2024 08:55:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
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<p>A aproximação do início do ano letivo provavelmente causa certa preocupação em mães, pais, avôs, avós e responsáveis por crianças. Quando essas são crianças negras as tensões são ainda mais intensas. As dúvidas, incertezas, medos e desconfortos são algumas das sensações que virão. Elas têm razão de existirem. Já que possivelmente a escola será o primeiro lugar em que a criança negra irá sofrer racismo.</p>



<p>Para termos ideia do tamanho do problema trago um dado importante. O ambiente escolar é o principal local onde os brasileiros sofrem racismo, conforme mostrou uma pesquisa recente. A investigação concluída em julho de 2023, foi realizada pela <strong>Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (IPEC)</strong>, contratada pelo<strong> Projeto SETA</strong> e pelo <strong>Instituto de Referência Negra Peregum</strong>. De acordo com os resultados, a cada 10 pessoas que afirmaram ter sido vítimas de racismo no Brasil, 3,8 sofreram num espaço como escola, faculdade ou universidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Não precisamos ter receio de afirmar que a escola é racista. Ela é uma instituição (uma das mais importantes) da nossa sociedade e essa mesma sociedade se estrutura no racismo. A discriminação racial no ambiente de educação formal tem várias caras, pode aparecer como agressão (verbal ou física), exclusão, tratamento distinto, racismo religioso, negação da história de um grupo, entre outros. A pesquisadora <strong>Eliane Cavalleiro</strong> no seu livro &#8216;<em>Do silêncio do lar ao silêncio escolar</em>&#8216; apresenta dados de uma análise centrada na socialização de crianças na pré-escola e no ambiente familiar quando o tema são as relações étnico-raciais. Sua pesquisa, que já tem quase vinte anos, ainda é muito atual, pois questiona os não ditos acerca do pertencimento das identidades raciais das crianças.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Pode parecer repetitivo falar, mas vale lembrar que discriminação racial e racismo são diferentes. Então, uma escola pode nunca ter apresentado um caso de agressão verbal a um sujeito negro, ou seja, não ocorreu uma discriminação racial na sua faceta de violência verbal. Mas dizer que essa escola não é racista, não podemos. Visto que ela faz parte de uma sociedade racista.&nbsp;</p>



<p>Nessa volta às aulas, estejamos atentos e atentas e vamos cobrar que as escolas cumpram a lei nacional <strong>10.639, de 2003 </strong>que torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Africana e Afro-Brasileira em todas as escolas, tanto no ensino fundamental, quanto no médio. Que os livros apresentem indivíduos negros e negras como <strong>Luiza Mahin</strong>, <strong>Luiz Gama</strong>, <strong>André Rebouças</strong> e<strong> Maria Felipa</strong> para que nossas crianças negras se vejam como heróis e heroínas de sua própria trajetória e da trajetória do nosso povo.&nbsp;</p>
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		<title>Invisibilidade do trabalho de cuidado: falta de políticas públicas prejudicam mulheres negras</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/invisibilidade-do-trabalho-de-cuidado-falta-de-politicas-publicas-prejudicam-mulheres-negras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Débora Simões]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Nov 2023 13:23:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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<p>Ontem, domingo dia 05 de novembro de 2023, estudantes de todo o país tiveram como tarefa construir um texto dissertativo- argumentativo com o tema:<strong> Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil</strong>. O <strong>Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)</strong> trouxe para o debate público um assunto que a teoria feminista, os estudos de gênero, direito do trabalhador vem, há anos, se preocupando. Cara leitora e caro leitor, preciso te alertar, logo no começo, que este texto não será uma reprodução de uma redação do Enem. Mas posso garantir (ou ao menos tentar) uma reflexão acerca do tema solicitado pelo exame.</p>



<p>Ao pensarmos nos cuidados com as crianças e idosos, ou nas tarefas domésticas, os ligamos, quase que automaticamente, à função das mulheres. Muitas vezes essas mulheres trabalham o dia inteiro fora de casa, possuem diversas profissões e quando finalmente chegam em casa, lhes cabem fazer comida, lavar roupa e louça, dar banho na criança, entre outras atividades, todas relacionadas a manutenção da casa e do cuidado com aqueles que necessitam de suporte. Todo esse trabalho não é nem considerado trabalho. Ele não é remunerado, é desvalorizado e por vezes invisibilizado na nossa sociedade. Não são considerados, por exemplo, pela previdência social.</p>



<p>Além da questão financeira e previdenciária, não podemos esquecer que a sobrecarga leva às doenças, síndromes e sintomas, como, ansiedade, exaustão, pressão alta, depressão e burnout. O argumento que coloca sobre a mulher a responsabilidade do cuidado, o lugar “certo”, lugar fixado para mulheres geralmente gira em torno do instituto, do natural, como se a mulheres nascessem com o dom do cuidado. Esquecem que tudo isso é socialmente aprendido e assim sendo todos, repito, todos podem aprender e reproduzir.</p>



<p>A escritora ligada à segunda onda do feminismo <strong>Margaret Benston</strong> no texto <strong><em>The political economy of women&#8217;s liberation</em></strong> (<em>A economia política da libertação das mulheres</em>, em português) publicado pela primeira vez em 1969, aponta que o trabalho feito por mulheres fora do dito mercado é necessário para a acumulação capitalista, de forma quase que irônica, a não remuneração do trabalho doméstico sustenta a lógica capitalista.</p>



<p>O debate sobre a divisão de gênero do trabalho não pode ser pensado sem levar em consideração a raça. <strong>No Brasil, as mulheres negras são maioria entre as mães solos</strong>, sendo elas as que mais necessitam das creches públicas, por exemplo. Provavelmente, você já deve ter notado que a invisibilidade do trabalho de cuidado é uma problemática que precisa ser enfrentada no âmbito público, privado e que perpassa por inúmeras questões, como a desconstrução de papéis de gênero fixos, que reforçam a superioridade masculina e o patriarcado e consequentemente intensifica a opressão de gênero. O machismo é estrutural e assim sendo, sustentam as relações sejam elas de trabalho, familiares e afetivas. Cabe a todos o enfrentamento desses desafios. Tanto nas nossas relações interpessoais, quanto nos movimentos sociais e cobrando políticas públicas, uma vez que também é responsabilidade do Estado eliminar as desigualdades de gênero.</p>
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