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	<title>Carolina Viana, Autor em Mundo Negro</title>
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	<lastBuildDate>Mon, 22 Jun 2026 15:03:28 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Foi uma dançarina americana que forçou o Brasil a criar sua primeira lei contra o racismo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 11:32:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em 1950, a dan&#231;arina afro-americana Katherine Dunham foi barrada em um hotel de SP e desencadeou a cria&#231;&#227;o da primeira lei antirracismo do Brasil. Entenda. Na noite de 11 de julho de 1950, durante o intervalo de sua estreia no Theatro Municipal de S&#227;o Paulo, a dan&#231;arina e antrop&#243;loga afro-americana Katherine Dunham chamou os rep&#243;rteres [&#8230;]</p>
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<p><em>Em 1950, a dançarina afro-americana Katherine Dunham foi barrada em um hotel de SP e desencadeou a criação da primeira lei antirracismo do Brasil. Entenda.</em></p>



<p>Na noite de 11 de julho de 1950, durante o intervalo de sua estreia no Theatro Municipal de São Paulo, a dançarina e antropóloga afro-americana Katherine Dunham chamou os repórteres que cobriam o espetáculo e relatou que o gerente do Hotel Esplanada, hotel cinco estrelas vizinho ao teatro, havia se recusado a hospedá-la dias antes por descobrir que era, nas palavras da época, &#8220;uma mulher de cor&#8221;. O episódio desencadeou uma crise política e moral que resultou, menos de um ano depois, na aprovação da primeira lei brasileira contra o racismo.</p>



<p><strong>Quem era Katherine Dunham</strong></p>



<p>Katherine Mary Dunham nasceu em 22 de junho de 1909, em Chicago, filha de pai afro-americano e mãe franco-canadense. Formada em antropologia pela Universidade de Chicago, onde foi uma das primeiras mulheres negras a estudar, ela recebeu em 1935 uma bolsa da Fundação Rosenwald para realizar pesquisa de campo no Caribe, estudando as raízes africanas da dança no Haiti, Jamaica, Trinidad e Martinica. Dessa imersão nasceu a Técnica Dunham, método que combinava balé clássico com danças de raiz africana e afro-caribenha e se tornou referência mundial na dança moderna. A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos a descreve como &#8220;a matriarca e rainha-mãe da dança negra&#8221;.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="810" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-54-810x1024.png" alt="" class="wp-image-96322" style="aspect-ratio:0.791266800180591;width:679px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-54-810x1024.png 810w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-54-237x300.png 237w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-54-119x150.png 119w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-54-768x971.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-54-1215x1536.png 1215w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-54-332x420.png 332w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-54-150x190.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-54-300x379.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-54-696x880.png 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-54-1068x1350.png 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-54.png 1266w" sizes="(max-width: 810px) 100vw, 810px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Getty Images</figcaption></figure>



<p>Aos 30 anos, Dunham mudou-se para Nova York e fundou a Katherine Dunham Dance Company, a primeira companhia de dança negra autossustentada dos Estados Unidos, que ao longo de duas décadas percorreu 57 países em seis continentes e formou nomes como Eartha Kitt e Marlon Brando. Em 1963, tornou-se a primeira pessoa negra a coreografar para a Metropolitan Opera de Nova York, com a ópera Aida, protagonizada por Leontyne Price. Recebeu o Kennedy Center Honor em 1983 e a National Medal of Arts em 1989, as mais altas honrarias culturais dos Estados Unidos.</p>



<p>Ao longo de toda a carreira, Dunham utilizou sua projeção para contestar o racismo de forma direta. Recusou-se a se apresentar em teatros segregados nos Estados Unidos e, em 1944, comunicou a uma plateia completamente branca em Kentucky que sua companhia não voltaria àquele teatro enquanto negros não pudessem sentar ao lado de brancos. Em 1992, aos 82 anos, fez uma greve de fome de 47 dias para protestar contra a política do governo norte-americano de repatriar refugiados haitianos.</p>



<p><strong>O incidente em São Paulo</strong></p>



<p>Foi com esse histórico que Dunham chegou ao Brasil em 1950. Quando o gerente do Hotel Esplanada negou sua hospedagem, ela aproveitou o intervalo de sua estreia no Theatro Municipal para denunciar publicamente o ocorrido aos repórteres presentes. A repercussão foi imediata e devastadora para a imagem do país, que se apresentava ao mundo como modelo de democracia racial. O Correio Paulistano classificou o episódio de &#8220;revoltante incidente&#8221; e o Jornal de Notícias de &#8220;odioso procedimento de discriminação&#8221;. O sociólogo Gilberto Freyre, então deputado federal, discursou na Câmara chamando o caso de um &#8220;ultraje&#8221; que fazia o Brasil &#8220;amesquinhar-se em sub-nação&#8221;. O deputado federal Afonso Arinos (UDN-MG) apresentou um projeto de lei seis dias após o ocorrido, em 17 de julho de 1950, para transformar atos racistas em contravenção penal.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="471" height="424" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-53.png" alt="" class="wp-image-96321" style="aspect-ratio:1.110889994472084;width:693px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-53.png 471w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-53-300x270.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-53-150x135.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-53-467x420.png 467w" sizes="(max-width: 471px) 100vw, 471px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Acervo AHSP</figcaption></figure>



<p>A aprovação na Câmara e no Senado foi por unanimidade. Em 3 de julho de 1951, o presidente Getúlio Vargas assinou a Lei n. 1.390, que ficou conhecida como Lei Afonso Arinos. O texto previa punição de multa e pena de até um ano de prisão para quem recusasse hospedar, servir, atender ou receber cliente por preconceito de raça, além de perda de cargo para agente público flagrado em ato racista. Por enquadrar o racismo como contravenção penal e não como crime, as punições eram brandas e raramente aplicadas. Pesquisas acadêmicas com base em ações judiciais do período indicam que em quase quatro décadas de vigência apenas seis pessoas foram condenadas com base na lei. Somente com a Constituição de 1988 e a posterior Lei n. 7.716/89, conhecida como Lei Caó, o racismo passou a ser tipificado como crime inafiançável e imprescritível no Brasil.</p>



<p>Katherine Dunham morreu em 21 de maio de 2006, em Nova York, aos 96 anos. Sua denúncia no Theatro Municipal de São Paulo permanece como um dos poucos episódios da história brasileira em que a pressão de uma figura internacional forçou o Estado a responder formalmente ao racismo estrutural que o país insistia em negar.</p>
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		<title>Renan Damascena integra júri responsável por avaliar estratégias criativas em Cannes</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/renan-damascena-integra-juri-responsavel-por-avaliar-estrategias-criativas-em-cannes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 10:35:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Carreira e Negócios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cofundador de MUVUKA e AU&#202;, o estrategista e executivo independente leva ao festival uma perspectiva brasileira, negra e latino-americana sobre criatividade, cultura e neg&#243;cios Renan Damascena participa do Cannes Lions como jurado de Creative Strategy, tornando-se um dos representantes brasileiros na &#225;rea de estrat&#233;gia criativa do festival mais relevante da ind&#250;stria publicit&#225;ria global. Estrategista, pesquisador [&#8230;]</p>
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<p>Cofundador de MUVUKA e AUÊ, o estrategista e executivo independente leva ao festival uma perspectiva brasileira, negra e latino-americana sobre criatividade, cultura e negócios<br></p>



<p>Renan Damascena participa do Cannes Lions como jurado de Creative Strategy, tornando-se um dos representantes brasileiros na área de estratégia criativa do festival mais relevante da indústria publicitária global. Estrategista, pesquisador cultural e executivo independente, ele leva ao evento uma perspectiva construída a partir da inteligência negra, periférica e latino-americana, em um espaço historicamente ocupado por perfis distantes dessa origem.</p>



<p>Cofundador e CSO de MUVUKA e AUÊ, Renan atua na interseção entre inteligência cultural, estratégia criativa, tecnologia e prototipação de novos negócios. Reconhecido pela Forbes Under 30 Brazil 2025, ele representa uma geração de executivos independentes que acumula método e linguagem próprios, sem depender das estruturas tradicionais do mercado para ocupar posições de decisão.</p>



<p>Para Renan, a presença em Cannes não é uma conquista individual. &#8220;A cadeira que ocupo não começou em mim. Ela também é resultado de pessoas que abriram caminhos, como Raphaella Martins, Samantha Almeida, Gabriela Rodrigues, Felipe Silva e tantas outras lideranças que provaram que inteligência negra, periférica, brasileira e independente tem lugar em espaços globais de decisão&#8221;, afirma.</p>



<p>O executivo também chama atenção para o papel de iniciativas como Publicitários Negros e Perifa Lions, que vêm funcionando como infraestruturas de formação, visibilidade e circulação de talentos negros na indústria criativa. A avaliação, porém, vem acompanhada de uma crítica direta ao mercado. &#8220;O mercado celebra diversidade, mas ainda investe pouco nas estruturas que tornam a diversidade sustentável. Não basta chamar talentos negros quando a campanha precisa de legitimidade. É preciso financiar caminhos concretos para muitos&#8221;, diz.</p>



<p>A presença de Renan em Cannes integra uma agenda mais ampla de reconhecimento do papel das comunidades negras e periféricas na produção de método, estratégia e linguagem criativa, e não apenas como fontes de repertório cultural. Sua trajetória reforça também o crescimento de executivos brasileiros independentes em espaços globais de decisão, um movimento que vem ganhando consistência à medida que nomes com esse perfil acumulam visibilidade internacional sem precisar passar pelos filtros das grandes agências ou holdings.</p>
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		<title>Solo de Taís Araújo &#8220;Mudando de Pele&#8221; ganha sessão extra em SP e temporada em BH</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 10:14:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O solo teatral de Ta&#237;s Ara&#250;jo ganha sess&#227;o extra em S&#227;o Paulo no dia 26 de junho e chega a Belo Horizonte em agosto. Saiba como garantir seu ingresso. &#8220;Mudando de Pele&#8221;, espet&#225;culo protagonizado por Ta&#237;s Ara&#250;jo, tem duas novas datas confirmadas. A pe&#231;a, que estreou no Rio de Janeiro e cumpre temporada no Sesc [&#8230;]</p>
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<p><em>O solo teatral de Taís Araújo ganha sessão extra em São Paulo no dia 26 de junho e chega a Belo Horizonte em agosto. Saiba como garantir seu ingresso.</em></p>



<p></p>



<p>&#8220;Mudando de Pele&#8221;, espetáculo protagonizado por Taís Araújo, tem duas novas datas confirmadas. A peça, que estreou no Rio de Janeiro e cumpre temporada no Sesc 14 Bis, em São Paulo, até 5 de julho, ganha agora uma sessão extra na capital paulista e anuncia sua chegada a Belo Horizonte, em agosto.</p>



<p>No enredo escrito pela britânica Amanda Wilkin e dirigido por Yara de Novaes, com direção assistente de Ivy Souza, Taís interpreta Mayah, uma mulher de quase 40 anos que abandona ciclos desgastados de trabalho e relacionamento para iniciar uma jornada de autodescoberta. Ao longo dessa trajetória, ela encontra Mildred, uma senhora jamaicana de 90 anos com história de luta pelos direitos civis, e Kemi, uma jovem que ocupa espaços sem pedir licença. As relações entre as três personagens constroem uma narrativa sobre identidade, ancestralidade e valor, deslocando a dor do centro da trama para dar espaço ao humor, ao afeto e à alegria. Dani Nega e Layla integram o elenco e executam ao vivo a trilha sonora do espetáculo.</p>



<p><strong>São Paulo</strong></p>



<p>A sessão extra acontece no dia 26 de junho, sexta-feira, às 15h, no Teatro Raul Cortez. Os ingressos estarão disponíveis a partir de 23 de junho, às 17h, pelo aplicativo Credencial Sesc SP e pela Central de Relacionamento Digital. A venda presencial começa no dia 24 de junho, às 17h, nas bilheterias da rede Sesc SP. Não será permitida a entrada após o início do espetáculo.</p>



<p><strong>Belo Horizonte</strong></p>



<p>A peça chega à capital mineira nos dias 8 e 9 de agosto, no Centro Cultural Unimed-BH Minas. Os ingressos estão disponíveis via Sympla. A produção é assinada pela Rubim Produções, com patrocínio do Itaú por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura.</p>
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		<title>Brasil encara hoje a primeira república negra independente do mundo</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/brasil-encara-hoje-a-primeira-republica-negra-independente-do-mundo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 11:51:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Haiti chega &#224; Copa do Mundo 2026 com uma hist&#243;ria que poucos conhecem; entenda quem &#233; o advers&#225;rio do Brasil hoje em Filad&#233;lfia. O Haiti entra em campo nesta sexta-feira (19), &#224;s 21h30, hor&#225;rio de Bras&#237;lia, para enfrentar o Brasil pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo 2026, no Lincoln Financial [&#8230;]</p>
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<p><em>O Haiti chega à Copa do Mundo 2026 com uma história que poucos conhecem; entenda quem é o adversário do Brasil hoje em Filadélfia.</em></p>



<p>O Haiti entra em campo nesta sexta-feira (19), às 21h30, horário de Brasília, para enfrentar o Brasil pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo 2026, no Lincoln Financial Field, em Filadélfia. A partida marca apenas a segunda participação haitiana em um Mundial, 52 anos depois da primeira. A memória dessa história foi resgatada nesta sexta-feira pelo comentarista e apresentador Marcos Luca Valentim, dos canais Globo e do perfil @ubuntuesporteclube, em vídeo publicado em suas redes sociais no dia do jogo, lembrando que a trajetória do Haiti é uma das mais singulares do continente americano.</p>



<p>No século XVIII, a ilha de Saint-Domingue, atual Haiti, era a engrenagem mais lucrativa do sistema colonial europeu. Sob domínio francês, a ilha produzia sozinha mais da metade do açúcar e do café consumidos no mundo ocidental, tornando-se a possessão colonial mais rentável do planeta. Essa riqueza era extraída de uma estrutura demograficamente insustentável: em 1789, a população era composta por aproximadamente 500 mil pessoas escravizadas, 40 mil mulatos livres e apenas 30 mil brancos. A violência necessária para manter esse sistema era proporcional à desproporção que o sustentava.</p>



<p>Em agosto de 1791, numa cerimônia religiosa conhecida como Bois-Caïman, lideranças escravizadas do norte da ilha organizaram o início de uma revolta que se espalharia por todo o território. O que começou como levantes fragmentados ganhou coesão com a ascensão de Toussaint Louverture, um ex-escravizado que havia obtido a liberdade em 1776 e desenvolvido por conta própria um domínio notável de estratégia militar e política. Toussaint organizou a população rebelde num exército disciplinado, capaz de enfrentar tropas coloniais profissionais, e conduziu o movimento com uma habilidade que desconcertou as potências europeias que tentaram, sucessivamente, suprimir a revolução.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="250" height="416" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-48.png" alt="" class="wp-image-96283" style="width:447px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-48.png 250w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-48-180x300.png 180w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-48-90x150.png 90w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-48-150x250.png 150w" sizes="(max-width: 250px) 100vw, 250px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: reprodução / wikipedia</figcaption></figure>



<p>Toussaint navegou pelas contradições geopolíticas da época com precisão calculada, aliando-se inicialmente aos espanhóis da parte oriental da ilha para fortalecer suas forças, e mudando de lado quando a França revolucionária promulgou a abolição da escravidão em 1794, tornando-se rapidamente a principal liderança militar do território. Em 1801, com o controle consolidado sobre toda a ilha, redigiu uma constituição que aboliu formalmente a escravidão e estabeleceu a autonomia do território, enviando uma cópia diretamente a Napoleão Bonaparte, que havia assumido o poder na França com planos de reestabelecer o controle colonial.</p>



<p>A resposta de Napoleão foi uma expedição de mais de 20 mil soldados veteranos das campanhas europeias. Toussaint foi capturado por meio de uma armadilha diplomática em 1802, deportado para a França e morreu preso no forte de Joux em abril de 1803, sem ver o desfecho do processo que havia estruturado. Antes de morrer, teria alertado que a França havia cortado apenas o tronco da árvore da liberdade, e que ela voltaria a crescer porque suas raízes eram profundas. Jean-Jacques Dessalines assumiu o comando, derrotou os franceses na Batalha de Vertières em novembro de 1803 e proclamou a independência em 1º de janeiro de 1804. O novo país recebeu o nome de Haiti, palavra de origem taína que significa &#8220;terra das montanhas&#8221;, em homenagem aos povos originários que habitavam a ilha antes da colonização. A derrota francesa na ilha também contribuiu para a decisão de Napoleão de vender o território da Louisiana aos Estados Unidos em 1803, alterando de forma permanente a configuração política da América do Norte.</p>



<p>O Haiti se tornou a primeira república negra e independente do mundo, o primeiro país do hemisfério ocidental a abolir definitivamente a escravidão e a única nação cuja independência resultou de uma revolta vitoriosa de pessoas escravizadas. O impacto desse evento atravessou fronteiras e décadas. No Brasil, onde cerca de 40% de todos os africanos escravizados trazidos às Américas haviam desembarcado, o temor de uma revolta similar marcou o debate político por gerações e esteve presente no contexto da Revolta dos Malês, na Bahia, em 1835.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="642" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-49.png" alt="" class="wp-image-96284" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-49.png 800w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-49-300x241.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-49-150x120.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-49-768x616.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-49-523x420.png 523w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-49-696x559.png 696w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: reprodução / wikipedia</figcaption></figure>



<p>A seleção haitiana chegou pela primeira vez a uma Copa do Mundo em 1974, na Alemanha Ocidental, após vencer as eliminatórias da CONCACAF disputadas em Porto Príncipe. No Grupo D, os Granadeiros enfrentaram Itália, Polônia e Argentina. No dia 15 de junho de 1974, no Olympiastadion de Munique, o atacante Emmanuel Sanon marcou contra a Itália de Dino Zoff, que não sofria um gol havia mais de 1.100 minutos. Por seis minutos, o Haiti liderou sobre os italianos. A Itália reagiu e venceu por 3 a 1, mas o gol de Sanon atravessou décadas. Ele marcaria novamente contra a Argentina na última rodada, tornando-se até hoje o único jogador haitiano a marcar em Copas do Mundo. O Haiti perdeu os três jogos e foi eliminado na fase de grupos, mas deixou uma marca que meio século não apagou.</p>



<p>A volta ao Mundial em 2026 chegou de forma surpreendente. O Haiti terminou na liderança de um grupo considerado difícil nas eliminatórias da CONCACAF, superando seleções mais tradicionais da região como Costa Rica e Honduras, e garantiu vaga direta para o torneio. A campanha foi disputada integralmente em campos neutros porque a grave crise de segurança provocada por gangues que controlam partes significativas do território haitiano impediu a realização de jogos no país. Cerca de 80% da população vive na pobreza, e grupos armados detêm controle territorial suficiente para paralisar estradas e impedir o funcionamento de instituições. Classificar-se para um Mundial nessas condições é um resultado que extrapola qualquer tabela de pontos.</p>



<p>Brasil e Haiti acumulam três confrontos anteriores: o amistoso de abril de 1974 em Brasília, vencido pelo Brasil por 4 a 0 numa preparação para a Copa daquele ano; o amistoso de agosto de 2004 em Porto Príncipe, disputado durante um conflito armado que havia derrubado o governo haitiano e que ficou conhecido como o Jogo da Paz, com vitória brasileira por 6 a 0; e o jogo da Copa América Centenário de 2016, nos Estados Unidos, com goleada de 7 a 1. O confronto desta sexta-feira em Filadélfia é o quarto da história e o primeiro em uma Copa do Mundo. Para o Haiti, é a segunda vez em 52 anos que chega a esse palco, representando uma nação que construiu sua identidade na resistência e que hoje escreve mais um capítulo dessa história.</p>



<p><em>Fontes: InfoMoney, Agência Brasil, FIFA, Trivela, Flashscore,  Haitian Times, Wikipedia</em></p>



<p></p>
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		<title>Alice Carvalho viverá Marta em cinebiografia com estreia anunciada</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/alice-carvalho-vivera-marta-em-cinebiografia-com-estreia-anunciada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 10:54:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema Negro]]></category>
		<category><![CDATA[Alice Carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol feminino]]></category>
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<p><em>Produção da Conspiração com Globo Filmes percorre locações no Rio de Janeiro e em Alagoas; estreia está marcada para 8 de abril de 2027</em><br></p>



<p>A cinebiografia da jogadora Marta Vieira da Silva iniciou as filmagens no Brasil em junho, após concluir a primeira etapa na Suécia, e chega aos cinemas em 8 de abril de 2027. O filme, intitulado &#8220;Marta&#8221;, é estrelado por Alice Carvalho e dirigido por Andrucha Waddington, com roteiro de Elena Soárez e Thais Tavares. A produção é uma realização da Conspiração em coprodução com Globo Filmes, TV Globo e a produtora sueca Fox In The Snow, que também assina a distribuição no Brasil.</p>



<p>As gravações em território nacional percorrem locações com significado direto para a trajetória da atleta. No Rio de Janeiro, a equipe utilizou a Granja Comary, centro de treinamento da Seleção Brasileira em Teresópolis, além do Estádio de São Januário e do Estádio Nilton Santos, conhecido como Engenhão. A produção segue em ritmo intenso ao longo de julho e ainda passará por Alagoas, estado onde Marta nasceu, em Dois Riachos, em 1986.</p>



<p>Ao lado de Alice Carvalho no papel principal, o elenco reúne Karina dos Santos como Rosana, Vitoria Ribeiro como Formiga, Camila Cocão como Simone Jatobá, Raissa Borges como Katia Cilene, Sophia Dinis como Ester e Betina Bion como Andrea Suntaque. A escolha de reencenar figuras reais do futebol feminino brasileiro indica que o roteiro não se limita à trajetória individual de Marta, mas recupera o contexto coletivo em que sua carreira se desenvolveu.</p>



<p>A passagem pela Suécia na primeira etapa das filmagens não é casual. Marta construiu parte central de sua carreira europeia no país, onde defendeu o Umeå IK entre 2004 e 2008 e conquistou dois títulos da Liga dos Campeões da UEFA feminina. Foi nesse período que se consolidou como melhor jogadora do mundo pela FIFA, prêmio que recebeu seis vezes entre 2006 e 2018, recorde absoluto na categoria.</p>



<p>A Conspiração chega ao projeto com uma trajetória consolidada no audiovisual brasileiro e internacional. A produtora acumula dez indicações ao Emmy Internacional, entre elas a vitória na categoria Melhor Comédia com &#8220;A Mulher Invisível&#8221;. No cinema, integrou a coprodução de &#8220;Ainda Estou Aqui&#8221;, de Walter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025 e maior bilheteria brasileira do período pós-pandemia. A Globo Filmes, coprodutora do projeto, opera desde 1998 e reúne mais de 560 títulos lançados, com filmes como &#8220;Cidade de Deus&#8221;, indicado ao Oscar em quatro categorias, e &#8220;Bacurau&#8221;, premiado em Cannes.</p>



<p>&#8220;Marta&#8221; estreia nos cinemas brasileiros em 8 de abril de 2027.</p>
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		<title>Após ser barrada por banca racial, Flávia Medeiros conquista posse no Itamaraty</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/apos-ser-barrada-por-banca-racial-flavia-medeiros-conquista-posse-no-itamaraty/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 10:54:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[cotas raciais]]></category>
		<category><![CDATA[flávia medeiros]]></category>
		<category><![CDATA[heteroidentificação]]></category>
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<p>Barrada por banca de heteroidentificação que contestou sua negritude, Flávia Medeiros assina acordo com a AGU e garante posse no Itamaraty após meses de disputa</p>



<p>A Advocacia-Geral da União assinou na segunda-feira, 15 de junho de 2026, um acordo para garantir a posse de <strong>Flávia Henriques Goes de Medeiros</strong> no cargo de oficial da chancelaria do Ministério das Relações Exteriores. Flávia foi aprovada nas provas escritas do concurso promovido pelo Cebraspe em 2024, mas foi impedida de concorrer às vagas reservadas ao sistema de cotas raciais pela comissão de heteroidentificação, que concluiu que a candidata possuía &#8220;pele clara, traços finos e cabelos lisos&#8221;, características consideradas pela banca incompatíveis com sua autodeclaração como mulher negra.</p>



<p>A candidata recorreu à Justiça Federal, obteve liminar favorável em primeira instância e chegou a tomar posse em março de 2026, após se mudar de Vitória, no Espírito Santo, para Brasília. Em maio, o Tribunal Regional Federal derrubou a liminar por questões processuais, e a exoneração foi publicada no Diário Oficial da União em 22 de maio, menos de dois meses após a posse. Flávia permaneceu afastada do cargo por 24 dias até a assinatura do acordo.</p>



<p>Ao assinar o documento, o advogado-geral da União, Jorge Messias, defendeu uma revisão dos critérios aplicados pelas bancas de heteroidentificação. &#8220;Ficará este legado para que injustiças não ocorram mais. O Estado não pode ter compromisso com o erro&#8221;, afirmou Messias, em declaração reproduzida pela Agência Brasil. Pelo acordo, Flávia será nomeada para o cargo, mas aceitou renunciar a eventuais indenizações e benefícios referentes ao período anterior à nova nomeação. O documento ainda precisa ser homologado pela Justiça.</p>



<p>As bancas de heteroidentificação foram criadas para complementar a autodeclaração racial em concursos públicos e coibir fraudes no sistema de cotas, instituído pela Lei nº 12.990, de 2014, e ampliado pela Lei nº 15.142, de junho de 2025, que elevou de 20% para 30% a reserva de vagas para negros, indígenas e quilombolas nos concursos públicos federais. Na prática, porém, as bancas baseiam suas avaliações na percepção fenotípica dos candidatos, o que especialistas e juristas têm apontado como fonte de insegurança jurídica num país de miscigenação intensa, onde a população negra apresenta fenótipos variados como resultado direto de séculos de escravidão e violência colonial.</p>



<p>Em declaração ao portal <strong>Metrópoles </strong>após a assinatura do acordo, Flávia afirmou que o desfecho ultrapassa sua trajetória individual. &#8220;Tentar separar pretos e pardos, desmantelar esse grupo de pessoas negras, é muito nocivo porque pardo também é negro. O racismo só se manifesta de formas diferentes, mas há muitas similaridades&#8221;, declarou ao Metrópoles. A servidora reforçou que se reconhece como mulher negra de pele parda desde sempre. &#8220;Vejo essa decisão como uma vitória não apenas para mim, mas para todos os pardos&#8221;, afirmou, também ao Metrópoles.</p>



<p>O caso aguarda homologação judicial para encerrar definitivamente o litígio na Justiça Federal do Distrito Federal.</p>



<p></p>
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		<title>Dia do Químico: as descobertas de cientistas negros que mudaram a história da química</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/dia-do-quimico-as-descobertas-de-cientistas-negros-que-mudaram-a-historia-da-quimica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 09:51:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ÚLTIMAS NOTÍCIAS]]></category>
		<category><![CDATA[ciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[cientistas negros]]></category>
		<category><![CDATA[dia do químico]]></category>
		<category><![CDATA[história da ciência]]></category>
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		<category><![CDATA[química]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Dia do Qu&#237;mico, conhe&#231;a 11 pesquisadores negros cujas descobertas salvaram vidas, derrubaram fraudes e reescreveram a ci&#234;ncia, e que os livros ignoraram Todo ano, em 18 de junho, o Brasil celebra o Dia do Qu&#237;mico, data que marca a cria&#231;&#227;o do Conselho Federal de Qu&#237;mica pela Lei n&#186; 2.800, de 18 de junho de [&#8230;]</p>
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<p>No Dia do Químico, conheça 11 pesquisadores negros cujas descobertas salvaram vidas, derrubaram fraudes e reescreveram a ciência, e que os livros ignoraram<br></p>



<p></p>



<p>Todo ano, em 18 de junho, o Brasil celebra o Dia do Químico, data que marca a criação do Conselho Federal de Química pela Lei nº 2.800, de 18 de junho de 1956 e reconhece a atuação de profissionais que trabalham na intersecção entre a matéria e a vida. São eles que desenvolvem os medicamentos que chegam às farmácias, os processos industriais que produzem combustíveis, os métodos de análise que identificam fraudes em alimentos e os materiais que sustentam a eletrônica contemporânea. A química está presente em cada comprimido engolido, em cada fibra sintética usada, em cada litro de água tratada distribuído nas cidades.</p>



<p>A profissão, regulamentada nessa mesma lei, consolidou um campo que já produzia pesquisadores de alto nível muito antes de ser formalmente reconhecida pelo Estado. O país conta hoje com mais de 100 mil profissionais registrados nos conselhos regionais, atuando em laboratórios de análise, indústrias petroquímicas, hospitais, universidades e órgãos de vigilância sanitária. A data serve, portanto, não apenas como celebração corporativa, mas como oportunidade de olhar para quem construiu esse campo e para quem, dentro dele, enfrentou barreiras adicionais para exercê-lo.</p>



<p>A história da química, como a da maioria das ciências exatas, foi registrada ao longo do século XX de maneira seletiva. Os manuais escolares e os livros de história da ciência repetiram por décadas um cânone predominantemente europeu e branco, apagando ou minimizando as contribuições de pesquisadores africanos, afro-americanos e afro-brasileiros. Esse apagamento não foi neutro. Ele produziu efeitos concretos sobre quem se via representado na ciência, quem tinha acesso às universidades e quem recebia financiamento para pesquisa.</p>



<p>Em homenagem ao Dia do Químico e ao legado que precisa ser contado com mais rigor e frequência, o Mundo Negro selecionou 11 profissionais negros cujas descobertas, inovações e realizações mudaram concretamente a vida de pessoas em todo o planeta. A escolha não pretende esgotar esse universo, que é vasto e ainda subexplorado pela historiografia, mas trazer ao centro nomes que merecem figurar em qualquer discussão séria sobre ciência.</p>



<p><strong>George Washington Carver (EUA, 1864–1943)</strong> foi o cientista que transformou a agricultura do sul dos Estados Unidos num período de colapso econômico e ambiental. Filho de pessoas escravizadas, Carver assumiu em 1896 a direção do departamento de agricultura do Instituto Tuskegee, no Alabama, e encontrou solos destruídos por décadas de monocultura do algodão. Seu diagnóstico foi preciso e sua solução foi radical para a época. Identificou que o amendoim e a batata-doce fixavam nitrogênio no solo e propôs a rotação de culturas como método sistemático de regeneração da terra. Para criar mercado para as toneladas de amendoim que os agricultores passaram a produzir, Carver desenvolveu mais de 300 produtos derivados da leguminosa, entre tintas, plásticos, borracha sintética, sabonetes e cosméticos. O mesmo processo foi aplicado à soja e à batata-doce. Sua contribuição é considerada pela USDA a base conceitual do que hoje se chama de bioquímica industrial, e a American Chemical Society declarou seu trabalho um Marco Histórico Nacional da Química em 2005. Em sua época, era chamado de &#8220;o Thomas Edison negro&#8221;.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="483" height="612" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-39.png" alt="" class="wp-image-96247" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-39.png 483w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-39-237x300.png 237w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-39-118x150.png 118w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-39-331x420.png 331w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-39-150x190.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-39-300x380.png 300w" sizes="(max-width: 483px) 100vw, 483px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Getty Images</figcaption></figure>



<p><strong>Percy Lavon Julian (EUA, 1899–1975)</strong> acumulou ao longo da vida três descobertas que teriam sido suficientes, individualmente, para garantir um lugar na história da ciência. Em 1935, sintetizou em laboratório a fisostigmina, composto presente no feijão Calabar que até então só podia ser extraído da planta, tornando o tratamento do glaucoma mais acessível. A American Chemical Society classificou essa síntese em 1999 como um dos 25 maiores feitos da história da química americana. Em 1942, desenvolveu a partir de proteína de soja um fluido extintor de incêndios, o AeroFoam, usado pela Marinha americana em porta-aviões durante a Segunda Guerra Mundial para apagar chamas de gasolina e óleo. Em 1949, desenvolveu um processo para sintetizar cortisona a partir do esterol de soja, eliminando a dependência de glândulas suprarrenais de bois e reduzindo o custo do medicamento de centenas de dólares por grama para centavos, colocando o tratamento da artrite reumatoide ao alcance de milhões de pessoas. Julian acumulou mais de 130 patentes ao longo da vida. Neto e filho de pessoas escravizadas, teve sua casa em Chicago atacada com bomba incendiária duas vezes, em 1950 e 1951.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="830" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-40-1024x830.png" alt="" class="wp-image-96248" style="aspect-ratio:1.2344367990464322;width:708px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-40-1024x830.png 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-40-300x243.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-40-150x122.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-40-768x622.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-40-518x420.png 518w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-40-696x564.png 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-40-1068x865.png 1068w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-40.png 1348w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Foto: Francis Miller/Acervo de fotos The LIFE/Getty Images</em></figcaption></figure>



<p><strong>Alice Augusta Ball (EUA, 1892–1916)</strong> morreu aos 24 anos sem publicar os resultados da pesquisa que revolucionou o tratamento da hanseníase. Em 1915, sendo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a obter mestrado em química pela Universidade do Havaí, Ball foi procurada por um médico do Hospital Kalihi que buscava uma forma eficaz de administrar o óleo de chaulmoogra, único tratamento disponível para a doença mas inutilizável em injeções por sua viscosidade extrema. Em menos de um ano, Ball desenvolveu um processo de esterificação que transformou os ácidos graxos do óleo em ésteres solúveis em água, possibilitando a injeção sem os efeitos colaterais que tornavam o tratamento anterior insuportável. O Método Ball, como foi chamado pelo médico Harry Hollmann em publicação de 1922, permaneceu como principal terapia global contra a hanseníase por mais de duas décadas, até o surgimento dos sulfonamidas. Após a morte de Ball, outro pesquisador publicou os resultados como se fossem seus. O reconhecimento formal só veio em 2000, quando a Universidade do Havaí instalou uma placa em sua homenagem.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="269" height="381" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-41.png" alt="" class="wp-image-96249" style="aspect-ratio:0.7060536461323927;width:414px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-41.png 269w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-41-212x300.png 212w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-41-106x150.png 106w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-41-150x212.png 150w" sizes="(max-width: 269px) 100vw, 269px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: reprodução</figcaption></figure>



<p><strong>Alma Levant Hayden (EUA, 1927–1967)</strong> foi a primeira cientista negra da Food and Drug Administration dos Estados Unidos e a responsável por uma das operações de análise química mais importantes da história da saúde pública americana. Em 1963, médicos chamados Stevan Durovic e Andrew C. Ivy comercializavam o Krebiozen, um composto vendido por centenas de dólares por ampola e apresentado como cura para o câncer. A substância tinha seguidores fervorosos e havia gerado enorme polêmica política nos Estados Unidos. Quando a FDA conseguiu amostras do composto, Hayden coordenou a análise usando espectrofotometria infravermelha, comparando as imagens espectrais do Krebiozen com um arquivo de 20 mil substâncias catalogadas. O resultado foi encontrado na letra C. O suposto milagre oncológico era creatina, um aminoácido comum presente naturalmente no corpo humano, sem qualquer atividade anticancerígena. Três equipes independentes, incluindo cientistas do MIT, confirmaram a análise. Os promotores do esquema foram a julgamento criminal. O relatório de Hayden foi incluído no Congressional Record dos Estados Unidos. Ela morreu de câncer em 1967, aos 40 anos.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="983" height="996" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-44.png" alt="" class="wp-image-96252" style="aspect-ratio:0.9869630698754354;width:559px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-44.png 983w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-44-296x300.png 296w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-44-148x150.png 148w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-44-768x778.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-44-415x420.png 415w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-44-150x152.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-44-300x304.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-44-696x705.png 696w" sizes="(max-width: 983px) 100vw, 983px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto:Flickr</figcaption></figure>



<p><strong>James Andrew Harris (EUA, 1932–2000)</strong> entrou para a história da química ao co-descobrir dois elementos que hoje estão na tabela periódica. Depois de enfrentar discriminação racial ao tentar ingressar no mercado científico após a graduação, Harris conseguiu uma posição no Laboratório Lawrence Berkeley, na Califórnia, onde chefiou o Grupo de Produção de Isótopos Pesados. Seu trabalho era desenvolver técnicas de purificação para preparar os alvos atômicos que seriam bombardeados no acelerador de partículas. O renomado químico nuclear Albert Ghiorso descreveu o trabalho de Harris como &#8220;o melhor alvo já feito para pesquisa de elementos pesados&#8221;. O resultado foi a co-descoberta do rutherfórdio, elemento 104, em 1969, e do dúbnio, elemento 105, em 1970, tornando Harris o primeiro americano negro a participar da descoberta de elementos químicos. Recebeu doutorado honorário em 1973.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="398" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-43.png" alt="" class="wp-image-96251" style="aspect-ratio:0.7537984374386557;width:525px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-43.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-43-226x300.png 226w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-43-113x150.png 113w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-43-150x199.png 150w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Wikipedia</figcaption></figure>



<p><strong>Cheikh Anta Diop (Senegal, 1923–1986)</strong> foi físico, químico e historiador senegalês que construiu no continente africano uma infraestrutura científica inédita para datação arqueológica. Formado em física e química em Paris, Diop retornou ao Senegal e fundou em 1966, na Universidade de Dakar, o primeiro laboratório de datação por carbono-14 da África Negra. O laboratório, instalado no Instituto Fundamental da África Negra, era o segundo de todo o continente, atrás apenas do da Rodésia do Sul. Com ele, Diop passou a datar de forma independente amostras arqueológicas africanas, determinando a antiguidade de sítios do Neolítico senegalês com base em análises de carvão e ossos, e publicando os resultados na revista científica internacional Radiocarbon. Em 1974, publicou &#8220;Physique Nucléaire et Chronologie Absolue&#8221;, obra que descreveu os métodos de datação arqueológica e geológica desenvolvidos no laboratório de Dakar. Seu trabalho abriu a possibilidade de que a África produzisse cronologias arqueológicas próprias, sem depender de laboratórios europeus.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-46-1024x768.png" alt="" class="wp-image-96254" style="aspect-ratio:1.333366721423134;width:677px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-46-1024x768.png 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-46-300x225.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-46-150x113.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-46-768x576.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-46-560x420.png 560w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-46-80x60.png 80w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-46-696x522.png 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-46-265x198.png 265w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-46.png 1040w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: reprodução</figcaption></figure>



<p><strong>Marian Ewurama Addy (Gana, 1942–2014)</strong> foi a primeira mulher a alcançar o grau de professora titular de ciências naturais em Gana e realizou pesquisa que conectou dois mundos que a ciência ocidental costumava tratar como opostos. Sua área de trabalho era a bioquímica de plantas medicinais usadas por curandeiros tradicionais, e seu objetivo era verificar, com rigor laboratorial, se as alegações desses praticantes tinham base. Ao estudar o Desmodium adscendens, uma erva usada há gerações no tratamento da asma, Addy identificou que o composto ativo pertencia a uma classe de moléculas que a ciência ainda não havia catalogado, as soyasaponinas. A descoberta validou o uso popular da planta e abriu uma linha de pesquisa sobre suas aplicações no tratamento da asma e do diabetes tipo 2. Addy publicou 22 artigos científicos ao longo da carreira, recebeu o Prêmio Kalinga da UNESCO em 1999 pela popularização da ciência e foi eleita membro da Academia de Ciências e Artes de Gana.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="264" height="377" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-45.png" alt="" class="wp-image-96253" style="aspect-ratio:0.7002942761221868;width:447px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-45.png 264w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-45-210x300.png 210w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-45-105x150.png 105w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-45-150x214.png 150w" sizes="(max-width: 264px) 100vw, 264px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: wikipedia</figcaption></figure>



<p><strong>Oswaldo Luiz Alves (Brasil, 1947–2021)</strong> foi o primeiro aluno negro do Instituto de Química da Unicamp, onde se formou em 1973 sem encontrar nenhum outro estudante negro nos corredores da instituição. Em 1979, durante um período de pesquisa na França, entrou em contato com a química do estado sólido e decidiu introduzir a disciplina no Brasil. Voltou a Campinas, criou a primeira disciplina brasileira na área e fundou em 1985 o Laboratório de Química do Estado Sólido na Unicamp, o único do país. Tornou-se também um dos pioneiros da nanotecnologia no Brasil, coordenando o Laboratório de Síntese de Nanoestruturas e Interação com Biossistemas. Publicou mais de 250 artigos científicos e depositou 31 patentes, entre elas uma tecnologia de remediação de efluentes de indústrias papeleiras e têxteis que foi licenciada para o setor produtivo. Presidiu a Academia Brasileira de Ciências entre 1998 e 2000 e recebeu a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico em 2002. Nos últimos anos de vida, passou a defender publicamente a necessidade de identificar e dar visibilidade aos pesquisadores negros espalhados pelo país nas áreas de ciências exatas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="686" height="1024" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-36-686x1024.png" alt="" class="wp-image-96243" style="aspect-ratio:0.6694517449234431;width:357px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-36-686x1024.png 686w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-36-201x300.png 201w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-36-100x150.png 100w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-36-768x1147.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-36-281x420.png 281w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-36-150x224.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-36-300x448.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-36-696x1040.png 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-36.png 800w" sizes="(max-width: 686px) 100vw, 686px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Eduardo Cesar<br></figcaption></figure>



<p><strong>Viviane dos Santos Barbosa (Brasil)</strong> cresceu no bairro da Liberdade, em Salvador, estudou em escolas públicas e chegou à Universidade Tecnológica de Delft, na Holanda, onde desenvolveu a pesquisa que a colocou no mapa internacional da química. Trabalhando com catalisadores, substâncias que aceleram e melhoram o rendimento de reações químicas, Barbosa desenvolveu uma combinação de paládio e platina em escala nanométrica capaz de operar em temperatura ambiente, diferindo de forma significativa dos catalisadores então existentes, que exigiam altas temperaturas para funcionar. O material tem aplicação direta na redução da emissão de gases tóxicos e no desenvolvimento de fontes de energia alternativa. Em 2010, o trabalho foi submetido à International Aerosol Conference, em Helsinque, Finlândia, onde competiu com cerca de 800 trabalhos de pesquisadores do mundo inteiro e conquistou o primeiro lugar.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="694" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-37-1024x694.png" alt="" class="wp-image-96244" style="aspect-ratio:1.4765721198505108;width:699px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-37-1024x694.png 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-37-300x203.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-37-150x102.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-37-768x520.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-37-620x420.png 620w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-37-696x471.png 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-37.png 1069w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: reprodução / Mundo D&#8217;elas</figcaption></figure>



<p><strong>José Custódio da Silva (Brasil, 1897–1933)</strong> farmacêutico e químico mineiro que especializou-se em físico-química na Alemanha e construiu no Brasil, num momento em que o país ainda não tinha tradição científica consolidada, uma das primeiras estruturas institucionais da química nacional. Foi o principal responsável pela criação, em 1929, da Revista Brasileira de Chimica, primeiro periódico brasileiro dedicado exclusivamente à publicação de pesquisas em química. A revista funcionou como plataforma de legitimação da ciência química no país em um momento de construção institucional e foi, por anos, o único espaço formal de difusão científica da área. Custódio da Silva permaneceu quase completamente invisível na historiografia da química brasileira até ser resgatado por pesquisadores da Revista Brasileira de História da Ciência em 2023.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="179" height="122" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-38-edited.png" alt="" class="wp-image-96246" style="aspect-ratio:1.4672729601639554;width:667px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-38-edited.png 179w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-38-edited-150x102.png 150w" sizes="(max-width: 179px) 100vw, 179px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: reprodução </figcaption></figure>



<p><strong>Charles Okechukwu Esimone (Nigéria, 1970)</strong> tornou-se professor aos 37 anos e é o primeiro professor de microbiologia farmacêutica do sudeste da Nigéria. Entre 2003 e 2005, com uma bolsa da Fundação Alexander von Humboldt, desenvolveu na Alemanha uma técnica de triagem antiviral baseada em vetores de DNA recombinante que revolucionou o rastreamento de compostos anti-HIV em larga escala, permitindo que laboratórios de pesquisa testassem centenas de moléculas candidatas com muito mais velocidade e precisão do que os métodos disponíveis até então. Paralelamente, sua pesquisa resultou na identificação de novos compostos antimicrobianos com atividade antibacteriana, antifúngica e antiviral, derivados de endófitos, líquens, samambaias e plantas medicinais africanas. Com mais de 100 publicações, Esimone foi reconhecido em 2009 com o Prêmio ANDI para o Melhor Pesquisador Inovador da África e integrou como jovem cientista o Fórum Econômico Mundial de Nova Geração de Líderes, em Tianjin, China.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="825" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-47.png" alt="" class="wp-image-96255" style="width:591px;height:auto" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-47.png 750w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-47-273x300.png 273w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-47-136x150.png 136w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-47-382x420.png 382w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-47-150x165.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-47-300x330.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-47-696x766.png 696w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: divulgação</figcaption></figure>



<p>O que essas histórias têm em comum é que foram produzidas sob condições de acesso desigual. Carver não podia dormir nos hotéis das cidades onde ia dar conferências. Julian teve a casa incendiada duas vezes. Ball morreu sem ver seu nome num artigo científico. Harris foi rejeitado em entrevistas de emprego por empregadores que não acreditavam que um homem negro fosse qualificado para trabalhar com química. Alves era o único negro nos espaços por onde passou. Cada um desses pesquisadores construiu sua contribuição científica carregando, ao mesmo tempo, o peso de uma estrutura que os excluía.</p>



<p>O Dia do Químico é uma data adequada para lembrar que a ciência não é uma atividade neutra produzida em condições iguais para todos. Reconhecer quem foram os pesquisadores negros que a fizeram avançar é parte do trabalho de torná-la mais honesta com sua própria história.</p>
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		<title>Lil Nas X retorna às redes e revela diagnóstico de transtorno bipolar: &#8220;Estou me sentindo muito melhor&#8221;</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/lil-nas-x-retorna-as-redes-e-revela-diagnostico-de-transtorno-bipolar-estou-me-sentindo-muito-melhor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 14:17:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Celebridades]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[Lil Nas X]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ap&#243;s meses em reabilita&#231;&#227;o e longe dos holofotes, Lil Nas X confirma diagn&#243;stico de transtorno bipolar e anuncia que novos projetos musicais est&#227;o a caminho. Lil Nas X voltou a se comunicar com o p&#250;blico nesta semana com um v&#237;deo em que detalhou, pela primeira vez de forma abrangente, o que viveu nos &#250;ltimos meses: [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Após meses em reabilitação e longe dos holofotes, Lil Nas X confirma diagnóstico de transtorno bipolar e anuncia que novos projetos musicais estão a caminho.<br></p>



<p>Lil Nas X voltou a se comunicar com o público nesta semana com um vídeo em que detalhou, pela primeira vez de forma abrangente, o que viveu nos últimos meses: internação em reabilitação, acompanhamento com terapeuta e psiquiatra, e um diagnóstico de transtorno bipolar que, segundo ele, já suspeitava há anos mas evitava encarar. </p>



<p>O episódio que marcou o início desse período aconteceu em 21 de agosto de 2025, quando a Polícia de Los Angeles foi acionada após relatos de um homem nu caminhando pela Ventura Boulevard, em Studio City, pouco antes das 6h da manhã. Quando os agentes chegaram ao local, o suspeito avançou em direção a eles. Montero Lamar Hill, nome de registro do cantor, foi levado a um hospital por suspeita de overdose e em seguida preso por agressão a policial, respondendo a três contagens de agressão com lesão a policial e uma de resistência à prisão, acusações que somadas poderiam resultar em até cinco anos de prisão. Ele pleiteou inocência em todas elas.</p>



<p>Em abril deste ano, um juiz concedeu ao cantor a possibilidade de cumprir um programa de desvio para saúde mental no lugar da pena. As acusações poderão ser encerradas caso ele conclua o programa e não cometa novos crimes nos próximos dois anos. </p>



<p>No vídeo divulgado esta semana, Lil Nas X falou com franqueza sobre o período que se seguiu ao episódio. &#8220;Estive em reabilitação por alguns meses. Desde então fiquei em casa, seja em Atlanta com minha família ou em Los Angeles comigo mesmo, com amigos, tentando me reconectar com a realidade e sair da minha cabeça&#8221;, disse ele. A revelação central do vídeo foi o diagnóstico de transtorno bipolar, confirmado publicamente pela primeira vez. &#8220;Tenho um terapeuta e um psiquiatra agora, o que tem sido muito útil desde que recebi o diagnóstico de transtorno bipolar. Sinto que sabia disso há alguns anos, mas não queria admitir, porque não queria ter que tomar medicação e não queria que as pessoas me vissem diferente. Já sou negro e gay, caramba, negro, gay e bipolar, é como viver no modo difícil extremo da vida.&#8221;</p>



<p>O cantor também fez questão de contextualizar o estado atual. &#8220;Estou muito melhor. Me sentindo bem. Criando livremente, com menos medo no coração, cheirando as flores. Faz sete anos que faço música, isso é insano.&#8221; E encerrou com um anúncio que deve movimentar sua base de fãs: músicas novas estão a caminho. &#8220;Tem música nova chegando. Ainda não vou entrar em detalhes, mas estou animado para fazer isso e para percorrer essa próxima fase com vocês.&#8221;</p>



<p>Lil Nas X, que tem 26 anos e nome completo Montero Lamar Hill, estourou em 2019 com &#8220;Old Town Road&#8221;, faixa que ficou 19 semanas consecutivas no topo da Billboard Hot 100, recorde à época. Desde então construiu uma carreira marcada por provocações estéticas e posicionamentos públicos sobre identidade, sendo um dos artistas mais jovens a assumir abertamente a homossexualidade no mainstream do hip-hop americano. O período de afastamento foi o mais longo e silencioso de sua trajetória pública.</p>
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		<title>O lendário torcedor do rd Congo que permanece imóvel até o apito final</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/o-lendario-torcedor-do-rd-congo-que-permanece-imovel-ate-o-apito-final/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 13:41:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ÚLTIMAS NOTÍCIAS]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo 2026]]></category>
		<category><![CDATA[futebol africano]]></category>
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		<category><![CDATA[michel kuka mboladinga]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Congol&#234;s de 49 anos permanece im&#243;vel 90 minutos nos jogos da RD Congo em homenagem a Patrice Lumumba. Conhe&#231;a o s&#237;mbolo da Copa do Mundo 2026. Michel Kuka Mboladinga, congol&#234;s de 49 anos conhecido pelo apelido &#8220;Lumumba Vea&#8221;, tornou-se o rosto mais reconhecido da torcida da Rep&#250;blica Democr&#225;tica do Congo ao adotar um ritual que [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Congolês de 49 anos permanece imóvel 90 minutos nos jogos da RD Congo em homenagem a Patrice Lumumba. Conheça o símbolo da Copa do Mundo 2026.</p>



<p></p>



<p>Michel Kuka Mboladinga, congolês de 49 anos conhecido pelo apelido &#8220;Lumumba Vea&#8221;, tornou-se o rosto mais reconhecido da torcida da República Democrática do Congo ao adotar um ritual que pratica desde 2013 e que ganhou o mundo durante a Copa Africana de Nações realizada no Marrocos entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026: permanecer completamente imóvel durante os 90 minutos de cada partida dos Leopardos, de pé sobre uma pequena plataforma, com o braço direito erguido em direção ao céu, reproduzindo a postura da estátua de Patrice Lumumba erguida em Kinshasa, capital congolesa.</p>



<p>O gesto tem origem deliberada e carrega peso político preciso. Patrice Lumumba foi o principal líder da independência da República Democrática do Congo, assassinado em 1961, e Mboladinga reproduz a postura da estátua erguida em sua homenagem na capital Kinshasa. O apelido &#8220;Lumumba Vea&#8221;, atribuído pelos próprios torcedores congoleses, significa &#8220;Lumumba vive&#8221; na língua local, e sintetiza a intenção declarada do torcedor de manter a memória do líder presente nos estádios. Em entrevista ao Wall Street Journal, Mboladinga afirmou que treina entre 40 e 50 minutos antes de cada partida para suportar o esforço físico de permanecer imóvel durante todo o jogo, e explicou que fica parado porque acredita que isso dá resistência emocional ao time.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="767" height="767" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-35.png" alt="" class="wp-image-96223" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-35.png 767w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-35-300x300.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-35-150x150.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-35-420x420.png 420w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/06/image-35-696x696.png 696w" sizes="(max-width: 767px) 100vw, 767px" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: <em> Arsene Mpiana/AFP/Getty Images</em></figcaption></figure>



<p><strong>Da Copa Africana à delegação oficial</strong></p>



<p>Durante a Copa Africana de Nações de 2025, disputada no Marrocos, Mboladinga se tornou um fenômeno que extrapolou o futebol e passou a ser discutido como um acontecimento cultural. Sua imagem circulou por jornais europeus, africanos e sul-americanos, e seu nome passou a ser pesquisado por torcedores que nunca tinham acompanhado uma partida da RD Congo. Vestido com ternos nas cores azul, vermelho e amarelo da bandeira congolesa, ele repetiu o ritual em cada partida da fase de grupos, contra Senegal e Botswana, tornando-se presença constante nas transmissões televisivas do torneio.</p>



<p>A trajetória na competição africana encerrou com a eliminação para a Argélia por um gol de Adil Boulbina aos 119 minutos, e a reação de Mboladinga repercutiu tanto quanto sua imobilidade durante os jogos. Com o apelido Lumumba Vea consolidado, o torcedor retirou os óculos, enxugou as lágrimas e caiu de volta à multidão ao redor no momento em que o árbitro encerrou a partida. O jogador argelino Mohamed Amoura correu até a arquibancada congolesa e imitou a pose de Mboladinga antes de cair no chão em comemoração, gesto que gerou críticas generalizadas nas redes sociais. Amoura publicou posteriormente um pedido de desculpas afirmando que não tinha conhecimento do significado e da história por trás do gesto, e declarou que pretendia apenas provocar de forma brincalhona, sem má intenção.</p>



<p>A repercussão da Copa Africana converteu Mboladinga em figura reconhecida pela própria federação nacional. Jogadores e comissionados da RD Congo defenderam sua inclusão na delegação oficial para a Copa do Mundo, e a presidente da federação, Véron Mosengo-Omba, afirmou que os jogadores da seleção o consideram um símbolo nacional de resiliência e orgulho. A decisão de incluí-lo na comitiva foi aprovada com respaldo do próprio presidente da República, Felix Tshisekedi, transformando o que seria uma presença informal nas arquibancadas em participação oficial no maior torneio de futebol do planeta.</p>



<p><strong>O obstáculo burocrático e os próximos jogos</strong></p>



<p>A chegada de Mboladinga aos Estados Unidos esbarrou em um obstáculo que mobilizou autoridades congolesas e gerou cobertura internacional. A ausência do torcedor ganhou particular relevância no Congo, ao ponto de o caso ter mobilizado várias entidades e merecido atenção especial das autoridades do país, mas os atrasos relacionados com a autorização de entrada impediram sua integração imediata à comitiva. O resultado é a ausência nas arquibancadas do NRG Stadium, em Houston, onde a RD Congo enfrenta Portugal nesta quarta-feira (17), às 14h, pelo Grupo K da Copa do Mundo.</p>



<p>Mboladinga deve se juntar à delegação nos próximos dias e acompanhar os dois jogos restantes da fase de grupos: contra a Colômbia, no dia 24, no Estádio Akron, em Guadalajara, e depois contra o Uzbequistão. A RD Congo disputa o Mundial pela primeira vez desde 1974, quando o país ainda se chamava Zaire, e a presença de um torcedor na delegação oficial, com custos cobertos pela federação, é uma raridade no futebol internacional que evidencia o quanto Mboladinga deixou de ser apenas um torcedor para se tornar parte reconhecida da identidade do time.</p>
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		<title>&#8220;Homem de verdade não faz terapia&#8221;: O ciclo que Kendrick Lamar decidiu encerrar</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/homem-de-verdade-nao-faz-terapia-o-ciclo-que-kendrick-lamar-decidiu-encerrar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 10:41:32 +0000</pubDate>
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<p>Em Father Time, Kendrick Lamar expõe a crença que afasta homens negros da terapia e o que essa resistência cobra ao longo de uma vida inteira</p>



<p>A abertura de &#8220;Father Time&#8221;, terceira faixa de &#8220;Mr. Morale &amp; The Big Steppers&#8221;, lançado em maio de 2022, é uma cena construída com material real. Whitney Alford, noiva de Kendrick Lamar e mãe de seus dois filhos, gravou a narração do álbum, e foi ela quem emprestou a voz para a mulher que, nos primeiros segundos da música, diz ao companheiro que ele precisa ir à terapia. A resposta de Kendrick está ali como ele a descreveu ao Spotify no mesmo ano, palavra por palavra, como a única resposta que conhecia para aquela pergunta: &#8220;Um cara de verdade não precisa de terapia, que porra cê tá falando?&#8221;</p>



<p>Os versos da faixa descrevem como a resistência à terapia se constrói antes que a criança entenda que está sendo formada. &#8220;Uma criança que cresceu acostumada, levantando rápido quando arranhava meu joelho / Porque se eu chorasse por causa disso, ele diria que era pra eu parar de ser fraco.&#8221; O pai que aparece na música aprendeu que dor não interrompe nada, que quando a própria mãe morreu voltou ao trabalho no dia seguinte porque, como disse ao filho: &#8220;Essa é a vida, as contas não vão parar de chegar.&#8221; Essa frase chegou a Kendrick como instrução, e ele a carregou como quem carrega algo que não sabe que pesa até tentar colocar no chão.</p>



<p>O psicanalista Cleubecyr Brito, que atende predominantemente homens negros e periféricos, descreveu em entrevista ao portal Desenrola e Não Me Enrola em 2024 o que acontece quando esse homem chega ao consultório, quando chega. &#8220;Quando nós estamos falando de masculinidade, nós estamos falando dessa ideia de precisar ser forte, viril, potente, desse cara que não sente, e em análise é completamente o oposto. Você vai ser o tempo todo estimulado a interagir com as suas fragilidades.&#8221; Brito acrescenta que a maioria dos homens que inicia um processo terapêutico é levada pelas parceiras, exatamente como aconteceu com Kendrick, e que essa resistência começa antes da vida adulta, nos meninos que desde cedo aprendem que pertencimento e força são a mesma coisa.</p>



<p>A Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, realizada pelo IBGE, mostrou que homens negros representavam apenas 14,8% dos pacientes em atendimento psicológico no Brasil, o menor percentual entre todos os grupos pesquisados, número que coexiste com uma taxa de homicídios de 37,8 por 100 mil habitantes entre brasileiros negros, contra 13,9 entre não negros, e com o dado de que a cada dez jovens que se suicidam no país, seis são negros, segundo levantamento do Ministério da Saúde em parceria com a Universidade de Brasília. São corpos que adoecem e morrem sem ter tido acesso ao que Kendrick descreve na música como um passo completamente novo numa geração completamente nova.</p>



<p>Kendrick é pai de dois filhos, e &#8220;Father Time&#8221; carrega esse peso em cada verso, especialmente quando ele rapa: &#8220;Minha galera cresceu sem pai, cresceram compensando de outros jeitos / Aprenderam porra nenhuma sobre ser um homem e fantasiaram isso sendo gângsteres&#8221;, descrevendo o que acontece quando a formação emocional não acontece dentro de casa e o menino busca referência onde encontra. O verso final da faixa fecha sem culpa e sem solução: &#8220;É crucial, eles não podem nos parar se acharmos os erros&#8221;, uma frase que aponta para os filhos que ainda estão aprendendo o que é ser homem e para o que será repassado a eles.</p>



<p>Para homens negros que não chegam ao consultório por falta de dinheiro, de tempo ou de um profissional preparado para uma escuta que considere raça e contexto, a arte tem funcionado como uma primeira abertura, e os dados sustentam essa observação. A plataforma Pra Preto Psi, fundada pelas psicólogas Bárbara Borges e Francinai Gomes, surgiu para conectar pacientes negros a terapeutas treinados para o que pesquisadores chamam de clínica racializada, um atendimento que entende o racismo não como pano de fundo, mas como parte constitutiva do adoecimento. Com o crescimento das consultas online, a distância entre se reconhecer numa música numa madrugada e marcar uma sessão no dia seguinte ficou menor do que em qualquer momento anterior.</p>



<p>Numa declaração publicada no Instagram em 2022, Kendrick resumiu o que a música representou na sua própria construção: &#8220;O rap ajudou de verdade na expansão do meu eu, para além da percepção de quem eu acreditava ser. Música é ar para um jovem preto naquele ponto da vida.&#8221; &#8220;Father Time&#8221; é onde essa afirmação se torna visível dentro de sua própria obra, numa faixa que existe porque alguém decidiu que nomear em público valia mais do que continuar guardando tudo dentro, e que a música podia ser o lugar onde isso acontecesse.</p>



<p>Evandro Fióti, irmão do rapper Emicida e figura conhecida no cenário cultural negro brasileiro, tomou um caminho parecido ao decidir compartilhar publicamente sua experiência com a terapia e os dilemas racializados que enfrentou ao longo dela. Em entrevista ao Correio Braziliense em 2024, ele disse que homens negros precisam enxergar a própria vulnerabilidade e ser ouvidos, e que falar sobre isso abertamente se tornou, para ele, uma forma de referência para outros homens que acompanham sua trajetória. </p>



<p>O que Fióti descreve e o que Kendrick grava em &#8220;Father Time&#8221; apontam para o mesmo movimento, o de homens negros que voltam à criança que aprendeu de um jeito e entendem que esse aprendizado não precisa ser a última palavra sobre quem são. Conversar, nomear, procurar um consultório ou uma tela de computador numa sessão online, são gestos que a comunidade negra começa a tratar com menos silêncio e mais seriedade, ainda que em ritmo lento diante do tamanho do problema. Os dados do IBGE de 2019 mostram que homens negros seguem sendo o grupo que menos acessa atendimento psicológico no Brasil, mas iniciativas como a plataforma Pra Preto Psi e a clínica racializada indicam que a estrutura para receber quem decide chegar está sendo construída. O que falta, muitas vezes, é a primeira decisão de ir.</p>



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