Deputada eleita por Minas Gerais afirmou que ficou reclusa por segurança, mas seguiu nos estados para virar votos e reduzir a abstenção no 2º turno.
A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, afirmou nesta segunda-feira (26), em entrevista à rádio mineira 98 News, que em nenhum momento se afastou da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Segundo ela, as ameaças recebidas durante a disputa a obrigaram a ficar reclusa por alguns dias, mas não interromperam o trabalho de rua nos estados, concentrado em conquistar eleitores indecisos, reduzir a abstenção e mobilizar jovens e idosos.
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A declaração responde à versão de que a parlamentar teria sido retirada da linha de frente da campanha na reta final. “Em algum momento eles dizem que eu me afasto da campanha do Lula, saio. Em nenhum momento eu saí da campanha do presidente. Eu estava nos estados, podiam me procurar em qualquer lugar que eu estava fazendo a campanha do presidente. Então, acho que diz muito mais sobre eles do que sobre mim”, afirmou.
Na avaliação da deputada eleita, os ataques foram proporcionais ao alcance que ela passou a ter dentro da campanha. “Fui muito atacada durante as eleições, mas eu acredito que eu fui atacada porque eu realmente tinha visibilidade. Então, eu percebi o porquê de eles estarem com medo”, disse.
Ameaças e reclusão
Ana Elisa entrou na campanha presidencial no início de outubro, depois de cobrar publicamente mudanças na linguagem usada pelo PT nas redes sociais e defender que a capacidade de alcançar eleitores nessas plataformas seria decisiva na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Ela se reuniu com Lula em 7 de outubro, em Brasília, em encontro com parlamentares eleitos para discutir a estratégia de comunicação da campanha.
No dia seguinte, a deputada eleita relatou ter recebido ameaças de estupro e outras formas de violência desde que passou a atuar na campanha, com ofensas racistas e machistas e divulgação de dados pessoais. Ela já havia denunciado as mensagens à Polícia Civil de Minas Gerais e desativou sua conta na rede social X. Na mesma semana, publicações antigas de suas redes voltaram a circular por perfis de oposição, e parte desse conteúdo, segundo nota divulgada por ela, foi escrita quando tinha 17 anos. Reportagens passaram a apontar que a campanha teria reduzido sua exposição.
À 98 News, Ana Elisa contou que optou por não responder às ofensivas. “Eu não perdi tempo com contra-ataque. Aliás, eu respondi uma vez a algum ataque, fiquei alguns dias reclusa por conta de segurança própria, mas depois disso não mais”, disse. A parlamentar afirmou que, mesmo sob ataque, manteve a colaboração com a campanha e que esse esforço “refletiu muito no que nós entregamos ontem nas urnas”.
O deslocamento pelo país já estava previsto. A convite de apoiadores de Lula, Ana Elisa marcou viagens para estados com forte presença de políticos de centro e de direita, além de agenda no Sul, região onde o presidente perdeu mais votos.
Juventude em disputa
A deputada eleita descreveu a reta final como um trabalho voltado ao eleitor que ainda não havia decidido o voto ou que não pretendia comparecer às urnas. “Tudo o que nós conseguimos, dar essa reviravolta, foi construção de trabalho: não me preocupar com contra-ataque, me preocupar em trabalhar, em virar voto, em diminuir os índices de abstenção, trazer o povo idoso para votar, trazer a juventude para o nosso lado”, afirmou.
Para ela, o eleitorado jovem não está consolidado em nenhum campo político. “A juventude não é um lado que está totalmente na direita, ainda é um campo que está em disputa. É sempre importante a gente falar isso, é uma idade que está em disputa”, disse.
A influência da parlamentar sobre a comunicação da campanha também apareceu no formato dos vídeos do presidente. Após conversar com ela, Lula passou a gravar vídeos no formato selfie, que se tornaram uma das marcas da campanha no segundo turno.
Virada nas urnas
Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio Bolsonaro. É a primeira vez que o segundo colocado no primeiro turno vence a disputa presidencial na segunda etapa, já que em 4 de outubro Flávio havia obtido 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Natural de Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, Ana Elisa Santos Silva transformou o alcance nas redes sociais em 524.219 votos na primeira eleição que disputou, ficando como a segunda candidata a deputada federal mais votada do estado, atrás de Nikolas Ferreira (PL). Ela é a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados e a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil.
A parlamentar toma posse na Câmara em fevereiro de 2027. Entre as propostas que apresentou para o mandato estão tarifa zero e moradia universitária, plano de carreira para professores e ampliação de concursos públicos em Minas Gerais. Lula, por sua vez, toma posse para o quarto mandato em 5 de janeiro de 2027.