4 estereótipos racistas propagados em Hollywood

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Esse texto é meio que uma continuação de outro que eu fiz sobre a figura do “white savior” nos filmes, eu não imaginava que tanta gente tinha dúvidas a respeito e por isso decidir falar sobre alguns outros estereótipos.

Selecionei 4:
O Negro Mágico
A mammy,
Mulher negra raivosa
O mandingo.

O Negro Mágico

Basicamente o negro mágico é um personagem de apoio que aparece na ficção usando seus poderes, sabedoria e misticismo para ajudar o protagonista branco.  O termo “Negro Mágico” foi popularizado por Spike Lee em uma discussão sobre um destes filmes. O negro mágico quase sempre possui poderes sobrenaturais (além de ser geralmente pobre) utilizando seus recursos em prol do protagonista, sem no entanto apresentar uma história a parte ou se preocupar com sua própria situação.

Se é bem intencionado e altruísta, qual o problema do negro mágico?

A questão é que essa representação contribui parar desumanizar pessoas negras. Diferente do “white savior” o negro mágico não salva o dia por seus méritos e competências, mas por seus poderes, reforçando estereótipos racistas como a antiga ideia de que pessoas negras eram seres místicos/exóticos. Por ser alheio a sua própria realidade/condição ele contribui com a noção de que existe unicamente para servir ou viver em função do protagonista branco.

Alguns exemplos de filmes onde este tipo de personagem aparece:

À Espera de um Milagre (1999)

O Todo Poderoso (2003)

Perdido em Marte (2015)

Loja de Unicórnios (2017)

La La Land (2016)

Mammy

A Mammy é uma mulher negra e gorda, sem história e desenvolvimento próprio cuja função é servir e defender a família de brancos para qual ela trabalha. Geralmente a Mammy não tem outros amigos, familiares ou um motivo para existir nas histórias que não seja auxiliar personagens brancos. Ela também é despida de expectativas, pretensões e nem precisa dizer que ela jamais possuiria um interesse amoroso, não é mesmo?

Um exemplo clássico de mammy são as personagens de Hattie McDaniel (primeira mulher negra a ganhar o Oscar por seu papel em “Gone With the Wind”

Alguns exemplos de filmes:

Imitation of Life (1934)

Gone with the Wind (1939)

Forrest Gump, (1994)

The help (2011)

Trazendo pra realidade brasileira eu acredito que a Tia Nastácia seja a figura que mais se enquadra no estereótipo de Mammy

 

Mulher Negra Raivosa (Sapphire)

Esse é autoexplicativo, faz parte da falsa noção que atribui como inerente a mulheres negras características como agressividade e histeria. Pintando-as como desbocadas ou malcomportadas.

Alguns Exemplos

Rasputia, em “Norbit”

Lakatriona Brunson em South Beach Tow

Cookie em “Empire”

Acredito que a Brenda de todo mundo em pânico também seja uma sátira a essa representação deturpada da mulher negra.

Outro exemplo recente foi essa charge da tenista Serena Williams, uma evidente caricatura racista que remete ao estereótipo da “Mulher Negra Raivosa”.

O Mandingo

O Mandingo é um estereótipo de homem negro extremamente sexualizado e conhecido por ter um enorme pênis, essa noção foi inventada por senhores de engenho que difundiam a noção de que homens africanos eram selvagens e primitivos.

Um exemplo recente foi essa capa (uma alusão a seqüência clássica do filme “King Kong”). A imagem de LeBron em pose agressiva enfatiza um estereótipo que desumaniza e criminaliza homens negros.

Dois exemplos de filme:

The Birth of a Nation (1915)

Mandingo (1975)

Acredito que o personagem do Terry Crews em as branquelas é justamente uma sátira/crítica ao estereótipo que permeia o imaginário de muita gente.

O Mandingo é problemático por pintar o homem negro como uma figura selvagem e estritamente sexual, tornando homens negros objetos sexuais desprovidos de emoções e incapazes de criar laços emocionais/afetivos.

Dois exemplos de filme:

The Birth of a Nation (1915)

Mandingo (1975)

Acredito que o personagem do Terry Crews em “As branquelas” é justamente uma sátira/crítica ao estereótipo que permeia o imaginário de muita gente.

O Mandingo é problemático por pintar o homem negro como uma figura selvagem e estritamente sexual, tornando homens negros objetos sexuais desprovidos de emoções e incapazes de criar laços emocionais/afetivos.

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